15 de Maio de 2012

É muito alta, tem uma fachada invulgar, situa-se na intersecção de 2 avenidas muito movimentadas, e é próxima da grande Gare Saint-Lazare, mas incrivelmente é das igrejas menos populares de Paris... Foi a descer a Boulevard Malesherbes que demos com as traseiras desta igreja, e impressionados com os altos torreões que rodeiam a cúpula decidimos entrar. É uma igreja diferente do habitual, pois a sua inovadora estrutura em ferro permitiu espaços mais amplos, paredes finas, e muito espaço para colocar elementos decorativos...

 

 

A igreja é na verdade mais recente do que parece por fora. Data de 1871, e é motivada por uma vontade de ter edifícios marcantes nas praças dos novos cruzamentos projectados por Haussmann. Precisamente a Place St-Augustin é atravessada pela Boulevard com o nome deste prefeito parisiense, mais conhecido como o 'artista demolidor'. E por falar em artistas, o arquitecto desta magnífica igreja é Victor Baltard, que além de trabalhar no restauro de inúmeras igrejas, é o autor do antigo mercado de Les Halles, substítuido pelo edifício mais horroroso da cidade.

 

 

O interior de Saint-Augustin é original e fantástico, pela leveza da estrutura e consequente iluminação que faz destacar os dourados, trazidos por Baltard da cultura bizantina. A riqueza decorativa é simbólica, no sentido em que jazem aqui os príncipes da família imperial. Saímos deste ambiente pela fachada principal, tão imponente quanto bizarra, dada a sua 'magreza'. À nossa frente o barulhento movimento de automóveis quase faz a estátua em bronze de Joana d'Arc passar despercebida. Destaque para o belo edifício à esquerda da praça, sede do clube dos oficiais franceses.

 

publicado por Nuno às 15:22

14 de Maio de 2012

Quem fizer uma viagem a Paris por pouco tempo, é provavel que não dê conta destes metros de superfície, isto porque as linhas de tram actuais são apenas 4 e existem nos arredores da cidade.  Na verdade, eléctricos foram um tipo de transporte público que existiu durante muitos anos em Paris, e que o automóvel fez questão de extinguir. Hoje são os símbolos da recente revitalização dos subúrbios da cidade. A primeira linha a ser construída, denominada T1, serve Saint-Denis, possibilitando viagens baratas a uma população maioritariamente pobre e afastada dos principais centros de serviços dos dispersos súburbios. Usamos esta linha com regularidade para circular dentro da vila, mas muitas vezes mais vale ir a pé, já que o transporte é tão lento, que à beira disto um avião da Easyjet é um autêntico Concorde...

 

 

A grande razão da lentidão é que o tram circula pelo meio de avenidas, e no caso de Saint-Denis existem partes em que partilha a via com peões e até automóveis. Outra linha que costumámos usar é a T3, a única que se situa dentro da cidade e percorre todo o limite Sul, particularmente pela Boulevard Jardin, ligando importantes pontos como a Cité Universitaire ou o Porte de Versailles. A discussão em torno do tram tem sido a de que o investimento não seria assim tão necessário, e que não existem vantagens em relação a uma linha de metro ou mais autocarros, constituíndo apenas um golpe de marketing político... De qualquer das formas existem planos para mais 4 linhas que cobrirão quase todas as regiões de Île-de-France....

 

 

 

Ver rede de tram aqui.

 

Vantagens:

- Transporte de superfície significa ter grandes vistas pela cidade.

- Ligeiramente mais confortável que o metro.

- Passa em zonas recentemente bem revitalizadas.

- O sistema de bilhetes é comum com o do metro.

 

Desvantagens:

- Muito lento.

- Em hora de ponta, tem os mesmos problemas que o metro.

- Pouca ligação em rede com outros transportes.

publicado por Nuno às 17:56

08 de Maio de 2012

Na rua Monceau fica esta mansão mandada construir pelo Conde Moïse de Camondo em 1914. Este banqueiro judeu com grande poderio económico, tinha a intenção de fazer uma espécie de casa IKEA com exibições de mobiliário e decorações antigas que o próprio coleccionou. O edifício tenta imitar o Petit Trianon de Versalhes, e todo o interior pretende mostrar como seria uma mansão da aristocracia nas épocas douradas do rei Luís XV e XVI. Nada que nos interesse particularmente, mas a curiosidade de ver uma mansão que parou no tempo falou mais alto...

 

 

A família Camondo teve sempre queda para a tragédia. O nome do museu é em homenagem ao filho do conde que morreu na Primeira Guerra Mundial. Na segunda grande guerra o resto da família do conde é deportada para Auschwitz, e o resto da história já se sabe... Apesar disso, a colecção continuou a crescer, tornando-se numa das maiores do mundo a nível de arte decorativa francesa do século XVIII. Pessoalmente o que aqui vejo é uma concentração de kitsch, será que alguém se atreveria mesmo a sentar em sofás banhados a ouro?


 

É o exagero decorativo em cada canto, que faz do interior do palácio de Versalhes uma agradável sala de estar. Em qualquer caso, posso dizer que tudo isto é arte em estado bruto independentemente da sua função. Com tanta ornamentação a ofuscar a visão, o alívio pode ser encontrado nos agradáveis jardins, na cozinha (que parece provar propositadamente que só os criados ali entrariam), e... ...nos quartos de banho. Isso mesmo, isto é mesmo uma casa-museu, portanto há que estar preparado para visitar os quartos de banho...


publicado por Nuno às 03:05

07 de Maio de 2012

Foi em pleno Inverno que o Parc Monceau se tornou um local de referência para nós, e que mereceu um artigo que pode ser lido aqui. No entanto todo a magnificiência deste jardim influenciou a imagem rica do bairro em seu redor, mais particularmente a Sul. Partimos então da estação de metro de Courcelles para iniciar um passeio que inicialmente previa apenas passagem pelos muitos museus da zona. Mas a arquitecura deslumbrante acabou por deitar isso por terra... A ortodoxa Catedral de St-Alexandre-Nevsky é o primeiro exemplo. Apesar de ser uma catedral, o edifício é bem pequeno, mas concentra da melhor forma os belos mosaicos e frescos. É o maior símbolo da comunidade russa que envolve a Rue Daru...

 

 

Eis que chegámos à entrada Oeste do Parc Monceau, onde, à semelhança de outras entradas, existe não 1, mas 2 portões separados por curtas avenidas, que são ladeadas por imponentes mansões. As mansões do Marais e do 7º arrondissement são tendas de campismo à beira destas! Em estilo neo-barroco ou renascentista, estes casarões foram encomendados por abastados burgueses como Émilie Menier, cuja fábrica de chocolate já aqui foi abordada. Destaque para a ornamentação dourada dos portões, que diz muito sobre a exclusividade do parque no século XIX.

 

 

As últimas fotos representam a Avenue Van Dick, que sem os portões, não é mais do que a continuação da Avenue Hoche, uma das 12 monumentais avenidas que partem da Place d'Étoile, onde se localiza o Arco do Triunfo. À medida que vamos caminhando para Este, pela rua Murillo, damos com outras mansões e prédios antigos, que apesar de não terem o esplendor dos anteriores, possuem elementos decorativos bem curiosos. A maior parte são de estilo renascentista e do século XVIII, para muitos o apogeu da arquitectura parisiense. O mesmo destaque para os prédios da Rue Rembrandt e Rue de Lisbonne.


 

Na esquina da Rue Rembrandt com a Rue de Courcelles, existe um edifíco em forma de pagode chinês. O facto de ser vermelho e alto, causa muito furor por estes lados. Na verdade é apenas uma loja de arte oriental para gente abastada, o que não admira nada num bairro como este. A partir daqui escolhemos a Rue Monceau, onde existem 2 museus de referência: Musée Nissim de Camondo e Musée Cernuschi. Este último tem a entrada numa outra avenida quase privada do Parc Monceau, a Avenue Vélasquez. Ambos são museus dedicados a colecções de arte decorativa de abastados banqueiros, que aqui viviam. Por isso só visitámos o Nissim de Camondo e chegou...

 

 

Do pacato e rico bairro de Monceau, passámos para a movimentada Boulevard Malesherbes, um dos maiores exemplos do plano urbanístico de Haussmann, que implicou cortar a malha urbana medieval com longas e largas avenidas, num estilo demasiado 'racionalizado'. Neste caso Haussmann foi longe demais, com uma boulevard arquitecturalmente monótona, onde os prédios têm fachadas praticamente iguais, assim como a mesma altura. No final da avenida, fica uma das mais impressionantes igrejas de Paris, a St-Augustin, cujo artigo virá já já para a semana que vem...


publicado por Nuno às 16:51

30 de Abril de 2012

Na colina Oeste junto ao fantástico Parc des Buttes-Chaumont, existe um bairro único na cidade. Aliás, mais do que um bairro, trata-se de um vilarejo, uma pequena aldeia bem concentrada no grande declive do 'Mont Chauve'. Este vilarejo, denominado Butte Bergeyre fica entre 2 avenidas onduladas, mas os seus acessos são minímos, mantendo um isolamento algo peculiar e o estatuto de 'aldeia dentro da cidade'. Precisamente, a forma como aqui entrámos foi por uma assustadora escadaria que atravessa uma muralha de prédios da Avenue Simon Bolivar.

 

 

Subir a escadaria pode ser cansativo, mas chegados cá acima e olhando para trás, a 'muralha' é substituída por vistas que confirmam a grande altitude em que nos situamos. À nossa frente está o grande motivo de vir aqui, um conjunto de pequenas casas que parecem competir pelo estatuto da mais encantadora e mais bizarra. A maior parte destas habitações data da década de 20, quando o histórico estádio Bergeyre, que chegou a receber partidas dos Jogos Olímpicos, aqui existia e foi demolido. Só o nome, de um jogador de Rugby falecido na primeira grande guerra, se manteve...

 

 

 

O guia que nos acompanha fala de um bairro 'provinciano', e concluímos também ser um bairro com excelentes e próximas relações de vizinhança, já que existe até uma associação de habitantes do Butte Bergeyre (ver site aqui), que entre várias responsabilidades, destaca-se a gestão do estacionamento numa zona com apenas 5 ruas estreitas em paralelo, ou a gestão de problemas arquitecturais. No final, a preservação da identidade do bairro será mesmo o mais importante.


 

A escolher uma imagem de marca do Butte Bergeyre, será sem dúvida as muitas casas cobertas de heras e trepadeiras. Além das casas, há que destacar os espaços verdes que existem junto à rua George Lardennois, quase todos constituem uma sucessão de vinhedos, que permitem vistas fantásticas de Montmartre e da Basílica de Sacré-Coeur. Existe também um pequeno jardim municipal gerido pela comunidade, onde hortas urbanas têm lugar, permitindo o regular convívio dos habitantes.

 

 

Todo este ambiente de pequena comunidade isolada, numa cidade com 2 milhões de habitantes, é bastante interessante e pode dar bons resultados. 'Sustentabilidade local' e 'Small is beautiful' são expressões da moda que me vêm a cabeça enquanto acabo de percorrer todas as 5 ruelas... Da rua Michel Tagrine, existe outra escadaria, quase toda coberta de heras, e que foi a nossa porta de saída do bairro. Cá em baixo os prédios voltam a fazer parte da paisagem, com destaque para o mal preservado nº 42 da Avenue Mathurin-Moreau, em estilo Art Déco...

 

 

Enquanto observávamos o nº 42, uma senhora confrontou-nos:

- Vivo com muitas dificuldades, e há muitos anos que moro aqui, custa-me a acreditar que este prédio a cair de velho está num guia turístico...

- Está mesmo, aqui...

Em Paris é assim, até uma casca de banana no chão se torna arte...

publicado por Nuno às 17:54

Terceira e última parte do percurso por uma das zonas mais isoladas do centro de Paris, onde a criatividade na arquitectura explodiu com muito estilo, sobretudo nos inícios do século XX. Continuando pela rua de l'Assomption, chegamos a um cruzamento com a avenida principal do 16º arrondissement, a avenida Mozart, que tal como os outros eixos primários da cidade, possui imponentes prédios do século XIX dignos de observação, tamanho o trabalho decorativo das fachadas.

 

 

À medida que caminhamos em direcção a Oeste, ou por outras palavras, em direcção ao Bois de Bolougne, os grandes prédios vão sendo substítuidos por mansões, a maior parte do tempo em que Auteuil era um pacato subúrbio onde as famílias abastadas passavam os fins-de-semana e as férias, quando não existiam voos de Paris. Estas mansões combinam variados estilos arquitectónicos, marcando a diferença em relação a outros bairros de mansões como o Marais... Ainda na mesma rua de l 'Assomption, destaque para a pequena igreja neo-renascentista Notre-Dame de l'Assomption, exemplo pouco comum em Paris...

 

 

E eis que chegámos à zona mais internacionalmente famosa de Auteuil, o bairro que rodeia a rua du Docteur Blanche. Aqui podem-se observar o maior espólio da arquitectura Modernista Internacional pelas mãos de Robert Mallet-Stevens, nomeadamente na rua perpendicular com o nome do mesmo arquitecto francês. Aqui viveram muitos artistas, sobretudo arquitectos e designers importantes, por isso não admira que o bairro continue a ser muito exclusivo. Aliás, as antradas para estas mansões, às quais foram adicionadas mais pisos nos anos 60, estão servidas maioritariamente por ruas sem saída e sem passeios, mantendo-as quase privadas...

 

 

O apogeu deste estilo modernista encontra-se porém já no final da rua du Docteur Blanche, onde em mais uma recatada rua perpendicular se encontra a Villa Roche e a Villa Jeanneret, uma das grandes obras do fundador da arquitectura moderna Charles-Édouard Jeanneret, Le Corbusier para os amigos. Construídas nos anos 20, formam actualmente a fundação Le Corbusier, que infelizmente neste dia estava encerrada. Ainda assim custa acreditar que uma rua destas consiga abrigar tantos curiosos, ou até que seja encontrada, já que as Villas estão mesmo num beco sem saída... Mesmo fechada, pelas grandes janelas podia-se observar a inovadora estrutura interior funcionalista, rígida e fria, tão adorada pelos intelectuais...

 

 

Regressar à rua Henri Heine é regressar ao Auteuil dum estilo totalmente oposto, o da Art Nouveau. Hector Guimard mais uma vez a ter a autoria em alguns dos prédios que ladeiam esta rua, alguns em Art Nouveau, outros mais simples como o edifício com a fachada em tijolo e com um terraço na cobertura, que faz esquina com a rua Jasmin. Rua Jasmin, outra via com belíssimos exemplos de arquitectura, alguns também da autoria de Guimard, que faz questão de manter a sua assinatura na fachada.

 

 

No fim da Jasmin fica a estação de metro com o mesmo nome. Neste cruzamento com a Avenida Mozart, a via consegue ser francamente mais larga que as ruas anteriores, dando-nos a oportunidade de observar, literalmente de cima a baixo, o esplendor destes edifícios, incluindo pormenores como os altos relevos onde deuses e ninfas se escondem... Acaba assim uma viagem lowcost, qual Easyjet qual quê, por um autêntico museu ao ar livre...

 

publicado por Nuno às 15:43

27 de Abril de 2012

Aqui continuamos o passeio pela peculiar zona de Auteuil, nomeadamente pela conhecida rua Jean de la Fontaine... Mais ou menos a meio do percurso, no nº 40, vimos uma interessante fachada em tons castanhos e vermelhos com um jardim adjacente que nos convidava a visitar o interior. É a sede da Fondation d'Auteuil, fundação esta dedicada ao apoio a jovens com graves dificuldades socioeconómicas.

 

 

À medida que atravessávamos este grande edifício neogótico com um pequeno claustro, íamos vendo grandes caixotes abertos à doação de roupas e outros objectos... Pelos vistos esta fundação data de 1866, originada pelas mãos de Louis Roussel, e tudo em redor celebra a sua missão. Sobretudo a grande capela com formas góticas que fica nas 'traseiras', na qual destaco o seu belo interior iluminado por pormenorizados e pequenos vitrais.


 

 

Regressando à La Fontaine voltámos a ver belos exemplares de edifícios Art Nouveau da autoria de Hector Guimard. Na verdade é um conjunto imobiliário que vai do nº 17 ao nº 21 fazendo esquina com a rua Agar. À semelhança do nº 29 da Avenue Rapp, o estilo Art Nouveau é aqui honrado com 'pompa e circunstância' - como se nota nas placas com o nome das ruas -, mas sem nunca deixar de manter a estrutura arquitectónica dos típicos prédios parisienses, o que diz muito do bom gosto destes artistas... Artistas estes com a habitual assinatura nas fachadas, basta procurar.


 

No entanto é mais à frente, no nº 14, que se encontra o apogeu de Art Nouveau de Hector Guimard. O criador das peculiares entradas do Metro de Paris, teve um ataque de inspiração artística quando em 1890 decidiu projectar este edifício incluindo toda a sua decoração interior. E parece de facto se ter borrifado para a estrutura tradicional dos edifícios parisienses, como mostram as fotos... É que noutras obras, dá a sensação que os elementos Art Nouveau são apenas colados à fachada, ao contrário do aqui acontece.

 

 

Todo, mas todo o edifício foi montado levando o estilo para campos criativos que só um 'maluco' poderia imaginar. 'Maluco' foi mesmo o que chamaram a Guimard quando este Castel Béranger ganhou o primeiro Concurso de Fachadas da Cidade de Paris. Mais, disseram que esta obra só podia ser resultado de um pacto com o diabo... O que é certo é que hoje é considerado monumento histórico, e de facto é uma regalia para os olhos...


 

No fim da rue Jean de la Fontaine, fica a enorme Maison Radio-France, outra obra arquitectónica de destaque da autoria de Henri Bernard. Apesar de iniciar um conjunto de edifícios modernos construídos a partir dos anos 60 em redor do Sena, a diferença para os quarteirões a Sul é abismal, sobretudo a nível das dimensões. Uma altura de 68 metros, e um perímetro circular de 500 metros formam este edifício que do céu assemelha-se a um auscultador, logotipo da empresa radio-fónica francesa.

 

 

 

Tomando a rua de l'Assomption, o destaque vai para a bela fachada do prédio do nº 18, com a face do deus Baco a gregar-se. O autor só podia ser... Hector Guimard. As últimas fotos correspondem a uma conhecida escultura de Rodin, a 'Idade do Bronze', situada bem no centro da pequena rotunda com o nome deste escultor, o qual possui em sua honra um dos mais belos museus da cidade. E na mesma rua de l'Assomption, fotos do histórico liceu Molière, um dos primeiros a serem construídos para ensinar raparigas.

publicado por Nuno às 00:45

26 de Abril de 2012

Auteuil, recanto encantado de Paris, que apesar de ter sido anexado à cidade há muito tempo atrás, o seu aparente isolamento deu grandes frutos na área da arquitecura... A impronunciável vila de Auteuil, no sul do 16º arrondissement, bem entalada entre o Sena e o imenso Bois de Boulogne, mereceu então uma grande visita, e que agora resulta num artigo dividido em 3 partes... Da 'última' ponte de Paris, Pont du Garigliano, fomos em direcção ao suposto centro de Auteuil, mas não sem antes atravessar o belo parque Saint-Perine, e passar por uma loja que nos chamou a atenção por razões patrióticas: Centre d'Azulejos Ceramis.

 

 

Chegados à praça com o nome da vila, foi então que reparámos que já aqui tínhamos estado, exactamente no nosso segundo dia em Paris, quando tentámos sem sucesso adquirir um quarto num dos prédios em redor da igreja neo-românica de Notre-Dame-d'Auteuil. Passeio envolto em nostalgia portanto, quando já contamos os dias para ir embora... Esta pequena praça é conhecida por um obelisco do século XVIII, e por uma outra igreja em estilo contemporâneo e com uma estrutura muito curiosa baseada em tijolo vermelho. Se não fosse a cruz nem nos apercebíamos que era uma igreja, muito menos a igreja predilecta da comunidade portuguesa e filipina, daí os cartazes com as celebrações a Nossa Senhora de Fátima...

 

 

Mas é nesta estranha igreja que começa a ode à arquitectura? Ainda não... Da praça, caminhámos pela rua d'Auteuil, onde as origens do antigo vilarejo que aqui existia se fazem sentir. A malha urbana é desorganizada, e os edifícios têm vários tamanhos e feitios. O maior símbolo desses tempos é a taberna L'Auberge du Mouton Blanc, hoje uma cervejaria histórica, conhecida por ter recebido com frequência o dramaturgo Molière e outros ilustres. O edifício mais marcante é porém a grande mansão branca onde chegaram a viver os presidentes americanos John Adams, pai e filho. Eis que chegámos a outra pequena praça, onde os feirantes já arrumavam os seus toldos. Da Place Jean Lourrain, encontrámos finalmente a famosa rua Jean de la Fontaine.

 

 

Esta rua e os seus arredores são um belíssimo mostruário de arquitectura contemporênea, que nos faz lamentar as vias serem tão estreitas que nos impedem de apreciar todos os pormenores das fachadas, já que o interior continua a ser bem privado. A rua Jean de la Fontaine é formada por uma sucessão de prédios imponentes desenhados com uma liberdade que torna este bairro único. Destaque para o nº 96 onde nasceu o escritor Marcel Proust, para os estúdios do arquitecto e decorador Henri Sauvage do nº 65, e para o magnífico nº 60 da autoria do mestre da Art Nouveau chamado Hector Guimard. Não é a sua única obra nesta rua, mas há que fazer referência à torre medieval e às varandas em ferro forjado...

 

 

publicado por Nuno às 18:25

16 de Abril de 2012

E ora aqui está o mapa com as linhas de autocarro que funcionam em Paris. Para ampliar basta clicar na imagem, assim como no muito reduzido segundo esquema que mostra as paragens do BalaBus, a linha que faz questão de passar pelos locais mais turísticos da cidade.

 

 

publicado por Nuno às 00:07

15 de Abril de 2012

Existe maneira de viajar mais barato, rápida e confortávelmente num vulgar autocarro para conhecer uma cidade? Provavelmente não. A rede de autocarros em Paris é muito extensa, com mais de 200 linhas e 3500 veículos. O sistema de bilhetes é semelhante ao do Metro, até porque a empresa que gere estes transportes é a mesma, RATP. Na verdade nunca usamos muito o bus, sem ser para experimentar a sensação de percorrer as históricas avenidas e ruas da cidade, pois as viagens conseguem ser muito mas muito lentas. O trânsito é fluído na maior parte do dia, mas muito condicionado por semáforos e passadeiras. Uma das vezes foi para usar uma linha especial nova que passava pelos monumentos mais importantes, da Gare de Lyon até La Défense, chamado BalaBus. Outras linhas interessantes são a 29, 63, 69 e 96.

 

 

Existem também os autocarros panorâmicos, que estão à 'mão de semear' em qualquer posto de turismo da cidade. Mas é num bus que se conhece melhor a cultura do povo francês, com umas boas doses de 'peixeirada fina'... Uma nota especial para a boa quantidade de autocarros expresso que ligam os aeroportos ou outro ponto importante ao centro de Paris. Por exemplo, se fizer um voo até Paris pela Easyjet, existem autocarros que partem directamente de Charles de Gaulle, quer até à cidade quer ao Parc Astérix ou Disneyland; em muitos casos os preços não são porém uma boa alternativa à RER. Mais informações sobre ligações aos aeroportos aqui.


 

Ver rede de bus aqui.

 

Vantagens:

- Toda a cidade de Paris é magnífica, portanto cada km percorrido num bus vale a pena.

- Rede muito abrangente.

- Transporte confortável quando não há enchentes, que não são assim tão frequentes como no Metro.

- Muito mais barato que os autocarros panorâmicos.

 


Desvantagens:

- Viagens muito lentas.

publicado por Nuno às 18:28

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