10 de Dezembro de 2009

Certo dia, lá partimos nós, feitos turistas, à descoberta de Paris. Quem vive em Paris sabe que sem contar vai conhecendo as maravilhas da cidade, porque a cada canto existe história, e locais admiráveis. Mas como estrangeiros, certos cantos parisienses nos despertavam grande curiosidade. E que melhor local para visitar primeiro, que o berço de Paris?!...

A Île de la Cité... Uma pequena ilha no rio Sena, onde a cidade medieval foi fundada, mesmo por cima da antiga cidade romana de Lutécia, que ocupava principalmente esta ilha e a margem Sul. É hoje muito conhecida por ser o local da catedral de Notre-Dame, mas possui diversos edifícios e locais históricos. A cidade de Paris é um gigantesco centro histórico, portanto diria que a Île-de-la Cité é o centro Muuuuito histórico da cidade.

A maior estação central de Paris (metro, RER), Chatelêt-Les-Halles, fica a poucos minutos, na margem Norte. Apesar de existir uma estação de metro na ilha (Cité, linha 4), saímos em Les Halles e entrámos na Île-de-la-Cité pela Pont au Change. Da ponte podemos ver na ilha à direita: a fachada da Conciergerie, com os seus grandes torreões, o Palácio da Justiça, e a famosa Pont Neuf; e à esquerda: o tribunal do comércio, o Hôtel Dieu (Hospital), as torres de Notre-Dame, e a ponte também ela de Notre Dame...

 

     

 

Chegámos à Île de la Cité, pela Boulevard du Palais que 'corta' à ilha a meio. Apesar de todos os edifícios serem históricos, hoje estão ocupados por serviços administrativos, principalmente ligados à Justiça. Só mesmo nas pontas da ilha é que existe habitação.

Mas bem, começámos então por explorar a zona Este, pelo Quai (cais) de la Corse. Como se pode ver nas fotos em baixo, primeiro a fachada do tribunal do comércio, provavelmente o edifício menos antigo que ali está, e a seguir o mercado de flores e de pássaros, o último do género na cidade, com uma variedade enorme de plantinhas e ervinhas e coisas que tal...

 

 

 

  

 

Chegados à larga e pedonal Rue de Lutéce (nome da cidade romana que ali existia), decidimos ir logo para a enorme Place du Parvis que serve a Catedral de Notre Dame. Esta praça é uma das mais turísticas da cidade, que além da catedral, ainda serve o edifício da Perfecture de Police, e o Hôtel Dieu.

Destaque para a espectacular estátua de Carlos Magno, não tivesse sido ele o responsável por unir todos os povos cristãos do ocidente (grande coisa...).

A praça é também o palco de muitas actividades culturais. Nas muitas vezes que lá fomos, vimos já um festejo religioso, com um grande grupo a cantar gospel, enquanto pessoas levantavam grandes cartazes com mensagens. Também já vimos lá passagem de modelos, etc.. Tudo serve para aproveitar a enorme quantidade de turistas, que ou fotografam a fachada de Notre-Dame, ou fazem fila para lá entrar.

Nas últimas fotos, a vista sobre o Sena da Pont au Double, onde se destacam os típicos barcos turísticos, um dos grandes negócios da cidade que consiste em pôr pessoas a almoçar enquanto vêem os monumentos ao longo do rio como a catedral. Provavelmente já muita gente se engasgou com essa brincadeira...

 

 

    

 

 

Antes de visitarmos a catedral de Notre Dame, fomos procurar alguma coisa para almoçar, aproveitando para explorar os poucos quarteirões com habitação da ilha. Mas das ruas estreitas, lá fomos nós até à Rue d'Arcole, uma das principais da ilha, e onde se situam os restaurantes e cafés.

Depois de dois imponentes cachorros, fomo-nos logo pôr na grande fila para visitar as torres de Notre-Dame. Seria estranho subir às torres antes do interior da catedral, mas como já estava a ameaçar chover, tínhamos de aproveitar naquele momento. Mas a fila era realmente gigantesca, e a chuva apanhou-nos quando ainda estávamos a meio. Nada que nos fizesse desistir, comprámos um guarda-chuva, e começámos a rezar (aquele local era perfeito para isso) para que o céu estivesse suficientemente claro quando subíssemos, para termos a melhor vista possível sobre Paris!

 

  

   

 

Depois duma atribulada subida às torres (acabou por chover no topo da torre sul...Bah), fomos para mais uma fila, para visitar o interior de Notre Dame, mas desta vez a fila andava bem rápido.

Lanchámos um crepe de Nutella (chega a ser mais típico aqui que em Aveiro!), e voltámos para a margem Norte do Sena pela Pont d'Arcole. Enquanto passávamos sobre o Sena, avistávamos a zona Este da Île de la Cité, e aos poucos uma outra ilha revelava-se, a Île St-Louis. Uma nota para um músico que cantava e tocava contrabaixo em plena ponte, e que quando alguém lhe dava a moedinha, ele cantava logo a seguir "Merci beaucoup!", mas a rimar com os versos anteriores, impressionante! Ao ver-me a curtir o seu Blues, me perguntou se queria uma cena mais lenta ou rápida. Pedi uma cena lenta para ver como o gajo fazia, mas atirei a moedinha, e ele na perfeição, lentamente, "Meeerciiii, Beaucooouuup..."

Ao chegármos ao fim da ponte, em vez de irmos em direcção à Île St-Louis para explorar o que não conhecíamos, fomos precisamente para o outro lado, para passar no mesmo sítio que de manhã, vermos os mesmos edifícios (Hôtel Dieu, tribunal do comércio, Conciergerie), e tudo isto porquê? Para irmos ao supermercado buscar chocolates...

 

 

        

 

Seguimos então pelo Quai de Méssigerie, onde se destacam as típicas caixas gigantes verdes apoiadas nos muros das margens do Sena, usadas para vender principalmente livros usados, pinturas, postáis, posters, etc.. Mas o outro lado do rua também nos chamou a atenção com inúmeras lojas de animais e de plantas, onde perdemos muito tempo a contemplar animais de estimação pouco comuns para... estimação.

O Sol começava a mostrar-se entre as nuvens e continuávamos a contemplar o Sena daquela margem, até que chegámos à belíssima Pont Neuf, que apesar do nome é a ponte mais antiga de Paris, concluída em 1607, e que intersecta a ponta Oeste da ilha. Mas não a atravessámos. Preferímos continuar até a ponte seguinte para podermos ter uma melhor perspectiva sobre a ilha! A ponte seguinte é pedonal e chama-se Pont des Artes. Dela, além de se ter uma excelente vista da Île de la Cité, pode-se ainda contemplar numa margem o Institut de France, e na outra, parte do imenso Louvre.

 

         

 

Quando chegámos à outra margem, não podíamos deixar de contemplar os barcos 'estacionados' no Port de Conti. Muitos deles autênticas casas flutuantes...

Mas como os chocolates já estavam a derreter nas mochilas, a próxima paragem era lanchar na Square du Vert-Galant, nada mais nada menos que o jardim na ponta da ilha.

Atravessámos finalmente a Pont Neuf, e depois de rodearmos a grande estátua do rei Henrique IV, fomos visitar o tal jardim da autoria deste monarca romântico que se dedicou a embelezar a cidade (era um artista o moço...). Aliás 'Vert-Galant', o nome do jardim, é mesmo o seu cognome.

Henrique IV até podia ser um artista mas não preveu que hoje, com um acesso por umas escadas estreitadas por dois altos muros, o belo jardim sirva para a juventude parisiense ir lá tratar dos seus vícios, como comer Pringles, beber Red Bulls, e coisas do género. Nós também íamos lá tratar do vício do chocolate, mas os bancos já estavam todos ocupados, uma pena...

 

        

 

Do jardim, fomos ter à bela Place Dauphine, no interior da ilha, mais uma da autoria de Henrique IV. Praça esta ladeada pelas habitações dos ricaços que trabalham no Palácio da Justiça. Antigamente era uma das praças reservadas à inútil Nobreza...

Continuando em direcção a Este deparámo-nos com o imponente Palácio da Justiça. Mais precisamente uma das fachadas remodeladas. Mas já estava a ficar tarde, e teríamos de visitar o palácio noutro dia. Regressámos pelo Quai de l'Horloge, onde contemplámos mais de perto a fachada com os torreões da Conciergerie, que é apenas um edifício pertencente ao Palácio da Justiça. Já pertenceu de facto a um outro palácio, que foi residência real durante 4 séculos, mas depois a Conciergerie tornou-se numa prisão. Uma prisão mórbida onde quem lá entrava, só saía para morrer na guilhotina, como aconteceu com a rainha Maria Antonieta. Hoje é apenas um edifício turístico onde as pessoas pagam para verem as salas de tortura e isso...

A tarde acabava, e explorar o resto da ilha teria de ficar para depois. Mal sabíamos nós que ainda faltava tanto para visitar!

 

       

publicado por Nuno às 17:22

daniela:
oi, descobri o vosso blog quando andava a preparar a minha viagem a paris...tive la duas semanas de ferias, regressei ha duas semanas...e ja estou morta de saudades e ver estas fotos vossas lembrou me tanta coisa...paris é absoluta e extraordinariamente fantastica..mal posso esperar por la voltar!!
esapero que a vossa estadia e o vosso ano corra bem,
cumprimentos (invejosos),
daniela pinto

ps: nao ha nada que se compare com o crepe nutella au tour de notre dame...mon dieu, c'est magnifique!!! :p
21 de Dezembro de 2009 às 14:21

olá daniela, obrigado pelo comentário, de facto já passaram 3 meses, e não conhecemos nem metade da cidade, é de facto monumental :)

21 de Dezembro de 2009 às 21:31

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme
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