02 de Janeiro de 2010

Durante a nossa visita pela Île de la Cité, a Catedral de Notre-Dame foi o monumento que mais fizémos questão de visitar (3 dias chegaram...). Paris pode ser simbolizado pela torre Eiffel, Arco do Triunfo ou Sacré Coeur, mas nenhum monumento apresenta tanta história aliada à monumentalidade, como Notre-Dame.

Foi em 1163 que um bispo chamado Maurice de Sully começa a construir (aliás 'mandar' construir; de quaquer das formas, em nome da fé, construiu-se coisas impressionantes para reforçar e impressionar os fiéis; a arquitectura foi muitas vezes um Deus capaz de milagres nunca antes imaginados, mas as imagens falarão por si...), uma catedral no local dum antigo templo romano.

170 anos depois, terminam as obras, e as torres de 69 metros, e um comprimento de 130 metros, fazem da catedral o maior edifício religioso ocidental da época. Durante a construção, o estilo gótico (iniciado com a 'nossa conterrânea' Basílica de Saint-Denis) invade a catedral de Notre-Dame duma forma subtilmente bela, como é grande exemplo as grandes rosáceas, e claro, toda a bonecada escultural das fachadas, nomeadamente nos três portais da entrada principal (portal da Virgem, do Juízo Final, e de Santa Ana).

Mas bem, se 'uma imagem vale mais que mil palavras', aqui mil imagens valerão uma palavra: impressionante!

 

Fachada Ocidental

 

 

         

 

 

Apesar de ter um aspecto tão recente, a verdade é que a catedral foi danificada durante a Revolução Francesa, mas só em 1845 deu-se ínicio a um intenso processo de restauração, pelas mãos de 2 arquitectos franceses (Viollet-le-Duc e Lassus), que a deixaram como 'nova'; um dos maiores marcos dessa restauração é a torre agulha de 90 metros de altura, que se encontra mesmo por cima do transepto... Mesmo assim, hoje em dia, e tal como outros monumentos em Paris, Notre-Dame parece mais uma obra do artista Christo, com muitas partes cobertas por lençóis com vista a contínuos processos de restauração.

Desde 1991 que Notre-Dame está inscrita no Património Mundial da Unesco ('Paris, margens do Sena').

 

Fachada Norte

     

 

Surpreendentemente, Notre-Dame nem sempre teve a importância que tem hoje ou teve há muito tempo atrás. Se perguntarmos a um miúdo donde conhece a catedral, e ele responder que foi do filme 'O Corcunda de Notre-Dame', não é de admirar. De facto o grande romance do francês Victor Hugo, publicado em 1831, deu a conhecer o estado de degradação do edifício, iniciando uma política de restauração de monumentos. No intenso processo de restauração de 1845 a catedral volta assim a obter prestígio, não só turístico...

Victor Hugo argumentava que 'os grandes edifícios, como as grandes montanhas são obras de séculos', e que mereciam ser conservados...

O corcunda Quasimodo (o personagem central do romance) é desta forma muito acarinhado por estes lados, dando aso a imensas imitações, dando nome a cafés, etc...

 

Fachada Sul

  

  

 

Cabeceira

 

 

Antes de visitarmos o interior da catedral, quisemos subir às torres antes que o mau tempo nos impedisse de ter vistas espectaculares de Paris!

A chuva apanhou-nos durante o imenso tempo que esperámos na fila, mas pouco depois o céu voltou a mostrar algum azul. As visitas às torres são relativamente organizadas, com grupos de 20 pessoas a entrarem de 10 em 10 minutos.  Ou seja, as enormes filas que se fazem quase todos os dias, em direcção à torre Norte, andam aos solavancos.

A subida faz-se em 3 níveis:

- o primeiro é uma grande sala na torre Norte, usada como livraria e loja, onde pude admirar alguns documentos e mapas antigos da Île de la Cité e até da Europa. Destaque para uma curiosa escada em caracol no fundo da sala.

- o segundo nível, a 46 metros do solo é a Galeria das Quimeras, nome dado às criaturas híbridas representadas no exterior das torres, não confundir com gárgulas (usadas para escoar as águas pluviais... pela boca!). Foi neste nível que pudémos ver a cidade como nunca tínhamos visto antes! Que paisagem impressionante, visto estarmos mesmo no centro de Paris. Pela espécie de varanda (devidamente protegida) que rodeia as torres passámos então para a torre Sul, na qual entrámos para ver o tão famoso sino Emanuel. O grande amigo de Quasimodo pesa mais de 13 toneladas, e só toca nas grandes festas católicas. Destaque para o campanário que sustenta o sino, um emaranhado de ripas de madeira que parece forrar toda a torre.

- e o tão desejado terceiro nível, no topo da torre Sul, donde se pode ver a cidade a quase 70 metros de altura. Poder, pode-se, mas a chuva tornou tudo mais difícil. Foi mesmo azar, mas ficará para uma próxima (ah, a vantagem de se ser estudante da UE, onde não se paga nada para visitar os monumentos históricos de Paris!).

E pronto, toca a descer os 400 degraus, em direcção ao interior da catedral...

 

                  

publicado por Nuno às 22:22

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme

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