11 de Dezembro de 2009

A zona mais central de Paris, a Île de la Cité e Île St-Louis, em pleno rio Sena. Curiosamente, estas duas ilhas não pertencem ao 1º arrondissement, mas sim ao 4º...

 

Edifícios principais:                                       Jardins e Praças:

1. Catedral de Notre-Dame                             A. Square Jean XXIII

2. Hôtel Dieu                                                 B. Place do Parvis

3. Tribunal do Comércio                                 C. Mercado de Flores e Pássaros

4. Perfecture de Police                                   D. Place Dauphine

5. Conciergerie                                              E. Square du Vert-Galant

6. Palácio da Justiça                                       F. Square Barye

7. Sainte-Chapelle

8. Mémorial de la Déportation

9. Igreja de St-Louis-en-l'Île

 

 

As duas ilhas vistas das nuvens!

 

Mapa antigo da île de la Cité:

publicado por Nuno às 11:28

10 de Dezembro de 2009

Certo dia, lá partimos nós, feitos turistas, à descoberta de Paris. Quem vive em Paris sabe que sem contar vai conhecendo as maravilhas da cidade, porque a cada canto existe história, e locais admiráveis. Mas como estrangeiros, certos cantos parisienses nos despertavam grande curiosidade. E que melhor local para visitar primeiro, que o berço de Paris?!...

A Île de la Cité... Uma pequena ilha no rio Sena, onde a cidade medieval foi fundada, mesmo por cima da antiga cidade romana de Lutécia, que ocupava principalmente esta ilha e a margem Sul. É hoje muito conhecida por ser o local da catedral de Notre-Dame, mas possui diversos edifícios e locais históricos. A cidade de Paris é um gigantesco centro histórico, portanto diria que a Île-de-la Cité é o centro Muuuuito histórico da cidade.

A maior estação central de Paris (metro, RER), Chatelêt-Les-Halles, fica a poucos minutos, na margem Norte. Apesar de existir uma estação de metro na ilha (Cité, linha 4), saímos em Les Halles e entrámos na Île-de-la-Cité pela Pont au Change. Da ponte podemos ver na ilha à direita: a fachada da Conciergerie, com os seus grandes torreões, o Palácio da Justiça, e a famosa Pont Neuf; e à esquerda: o tribunal do comércio, o Hôtel Dieu (Hospital), as torres de Notre-Dame, e a ponte também ela de Notre Dame...

 

     

 

Chegámos à Île de la Cité, pela Boulevard du Palais que 'corta' à ilha a meio. Apesar de todos os edifícios serem históricos, hoje estão ocupados por serviços administrativos, principalmente ligados à Justiça. Só mesmo nas pontas da ilha é que existe habitação.

Mas bem, começámos então por explorar a zona Este, pelo Quai (cais) de la Corse. Como se pode ver nas fotos em baixo, primeiro a fachada do tribunal do comércio, provavelmente o edifício menos antigo que ali está, e a seguir o mercado de flores e de pássaros, o último do género na cidade, com uma variedade enorme de plantinhas e ervinhas e coisas que tal...

 

 

 

  

 

Chegados à larga e pedonal Rue de Lutéce (nome da cidade romana que ali existia), decidimos ir logo para a enorme Place du Parvis que serve a Catedral de Notre Dame. Esta praça é uma das mais turísticas da cidade, que além da catedral, ainda serve o edifício da Perfecture de Police, e o Hôtel Dieu.

Destaque para a espectacular estátua de Carlos Magno, não tivesse sido ele o responsável por unir todos os povos cristãos do ocidente (grande coisa...).

A praça é também o palco de muitas actividades culturais. Nas muitas vezes que lá fomos, vimos já um festejo religioso, com um grande grupo a cantar gospel, enquanto pessoas levantavam grandes cartazes com mensagens. Também já vimos lá passagem de modelos, etc.. Tudo serve para aproveitar a enorme quantidade de turistas, que ou fotografam a fachada de Notre-Dame, ou fazem fila para lá entrar.

Nas últimas fotos, a vista sobre o Sena da Pont au Double, onde se destacam os típicos barcos turísticos, um dos grandes negócios da cidade que consiste em pôr pessoas a almoçar enquanto vêem os monumentos ao longo do rio como a catedral. Provavelmente já muita gente se engasgou com essa brincadeira...

 

 

    

 

 

Antes de visitarmos a catedral de Notre Dame, fomos procurar alguma coisa para almoçar, aproveitando para explorar os poucos quarteirões com habitação da ilha. Mas das ruas estreitas, lá fomos nós até à Rue d'Arcole, uma das principais da ilha, e onde se situam os restaurantes e cafés.

Depois de dois imponentes cachorros, fomo-nos logo pôr na grande fila para visitar as torres de Notre-Dame. Seria estranho subir às torres antes do interior da catedral, mas como já estava a ameaçar chover, tínhamos de aproveitar naquele momento. Mas a fila era realmente gigantesca, e a chuva apanhou-nos quando ainda estávamos a meio. Nada que nos fizesse desistir, comprámos um guarda-chuva, e começámos a rezar (aquele local era perfeito para isso) para que o céu estivesse suficientemente claro quando subíssemos, para termos a melhor vista possível sobre Paris!

 

  

   

 

Depois duma atribulada subida às torres (acabou por chover no topo da torre sul...Bah), fomos para mais uma fila, para visitar o interior de Notre Dame, mas desta vez a fila andava bem rápido.

Lanchámos um crepe de Nutella (chega a ser mais típico aqui que em Aveiro!), e voltámos para a margem Norte do Sena pela Pont d'Arcole. Enquanto passávamos sobre o Sena, avistávamos a zona Este da Île de la Cité, e aos poucos uma outra ilha revelava-se, a Île St-Louis. Uma nota para um músico que cantava e tocava contrabaixo em plena ponte, e que quando alguém lhe dava a moedinha, ele cantava logo a seguir "Merci beaucoup!", mas a rimar com os versos anteriores, impressionante! Ao ver-me a curtir o seu Blues, me perguntou se queria uma cena mais lenta ou rápida. Pedi uma cena lenta para ver como o gajo fazia, mas atirei a moedinha, e ele na perfeição, lentamente, "Meeerciiii, Beaucooouuup..."

Ao chegármos ao fim da ponte, em vez de irmos em direcção à Île St-Louis para explorar o que não conhecíamos, fomos precisamente para o outro lado, para passar no mesmo sítio que de manhã, vermos os mesmos edifícios (Hôtel Dieu, tribunal do comércio, Conciergerie), e tudo isto porquê? Para irmos ao supermercado buscar chocolates...

 

 

        

 

Seguimos então pelo Quai de Méssigerie, onde se destacam as típicas caixas gigantes verdes apoiadas nos muros das margens do Sena, usadas para vender principalmente livros usados, pinturas, postáis, posters, etc.. Mas o outro lado do rua também nos chamou a atenção com inúmeras lojas de animais e de plantas, onde perdemos muito tempo a contemplar animais de estimação pouco comuns para... estimação.

O Sol começava a mostrar-se entre as nuvens e continuávamos a contemplar o Sena daquela margem, até que chegámos à belíssima Pont Neuf, que apesar do nome é a ponte mais antiga de Paris, concluída em 1607, e que intersecta a ponta Oeste da ilha. Mas não a atravessámos. Preferímos continuar até a ponte seguinte para podermos ter uma melhor perspectiva sobre a ilha! A ponte seguinte é pedonal e chama-se Pont des Artes. Dela, além de se ter uma excelente vista da Île de la Cité, pode-se ainda contemplar numa margem o Institut de France, e na outra, parte do imenso Louvre.

 

         

 

Quando chegámos à outra margem, não podíamos deixar de contemplar os barcos 'estacionados' no Port de Conti. Muitos deles autênticas casas flutuantes...

Mas como os chocolates já estavam a derreter nas mochilas, a próxima paragem era lanchar na Square du Vert-Galant, nada mais nada menos que o jardim na ponta da ilha.

Atravessámos finalmente a Pont Neuf, e depois de rodearmos a grande estátua do rei Henrique IV, fomos visitar o tal jardim da autoria deste monarca romântico que se dedicou a embelezar a cidade (era um artista o moço...). Aliás 'Vert-Galant', o nome do jardim, é mesmo o seu cognome.

Henrique IV até podia ser um artista mas não preveu que hoje, com um acesso por umas escadas estreitadas por dois altos muros, o belo jardim sirva para a juventude parisiense ir lá tratar dos seus vícios, como comer Pringles, beber Red Bulls, e coisas do género. Nós também íamos lá tratar do vício do chocolate, mas os bancos já estavam todos ocupados, uma pena...

 

        

 

Do jardim, fomos ter à bela Place Dauphine, no interior da ilha, mais uma da autoria de Henrique IV. Praça esta ladeada pelas habitações dos ricaços que trabalham no Palácio da Justiça. Antigamente era uma das praças reservadas à inútil Nobreza...

Continuando em direcção a Este deparámo-nos com o imponente Palácio da Justiça. Mais precisamente uma das fachadas remodeladas. Mas já estava a ficar tarde, e teríamos de visitar o palácio noutro dia. Regressámos pelo Quai de l'Horloge, onde contemplámos mais de perto a fachada com os torreões da Conciergerie, que é apenas um edifício pertencente ao Palácio da Justiça. Já pertenceu de facto a um outro palácio, que foi residência real durante 4 séculos, mas depois a Conciergerie tornou-se numa prisão. Uma prisão mórbida onde quem lá entrava, só saía para morrer na guilhotina, como aconteceu com a rainha Maria Antonieta. Hoje é apenas um edifício turístico onde as pessoas pagam para verem as salas de tortura e isso...

A tarde acabava, e explorar o resto da ilha teria de ficar para depois. Mal sabíamos nós que ainda faltava tanto para visitar!

 

       

publicado por Nuno às 17:22

05 de Dezembro de 2009

Das mais antigas às mais modernas. Destaque para às entradas em estilo Arte Nova da autoria do arquitecto e designer Hector Guimard... Na últimas fotos as peculiares entradas de Palais Royal e da Gare Saint-Lazare.


 

publicado por Nuno às 21:39

Muita gente sabe que a baguette é um símbolo da cultura francesa. O que muita gente não sabe é como se pode tornar bem viciante. Estão a ver as bolachas de água e sal, em que ao ínicio não suscita qualquer sabor, mas depois de comermos uma não conseguimos parar? Pois, com a baguette é quase o mesmo. O que acontece é que aqui em França as pessoas comem muito pouco, quer dizer, comem a quantidade mais certa, mas para a cultura obesa dos portugueses, de comer até não poder mais, é de admirar. Como os horários dos franceses são meios estranhos, levar baguette para um pequeno-almoço, para um almoço ou para um jantar, é perfeitamente normal. Quase sempre a baguette de cerca de 70 cm come-se sem mais nada, e fica-se bem!

 

 

 

Tal como os croissants e os pains au chocolate, também as boulangeries (nada a ver com 'langerie' atenção, apenas significa padaria...Hum...) têem a promoção de 4 baguettes por 1€80. Não foi preciso muito para descobrirmos o vício da baguette, principalmente nos primeiros dias em que ainda não podíamos cozinhar.

Recentemente, eu e a Vânia brigamos, pois quando ia comprar uma baguette chegava sempre a 'casa' com ela já por metade (por amor de deus, não sejam tarados!), então tive a ideia de antes de abrir a porta, virar o que sobrava da baguette ao contrário dentro do saco...  Sem sucesso... Passei a comprar sempre duas baguettes, e cada uma vai em 15 minutos... Quando estão crocantes e quentinhas vão em 10...

Hoje já sabemos como é a baguette de cada boulangerie de Saint-Denis. As do supermercado são estranhamente das melhores!

publicado por Nuno às 17:48

Saint-Denis, a nossa 'terrinha', tem monumentos com a mesma dimensão e importância que os de Paris. A Basílica e o Stade de France são os grandes símbolos de Saint-Denis, e fazia todo o sentido visitá-los. A Basílica seria fácil, mas e o estádio?... Bem, certo dia reparámos que a câmara municipal de Saint-Denis andava a vender bilhetes com desconto para um jogo de qualificação da França para o Mundial de Futebol: France x Autriche!

Dia 14 de Outubro lá fomos misturar-nos no meio dos franceses e dos austríacos que rodeavam o Stade de France.

 

  

 

O Stade de France foi construído com o propósito do Mundial '98 (mais um que Portugal não participou, por motivos duvidosos...). A ideia era ser o principal estádio do país com os seus 80 000 lugares, e recebeu por isso a final da competição (lembram-se do 3-0 da França ao Brazil?). Além de ser um enorme estádio, tem também a inovação de se poder remover um dos anéis das bancadas, que escondem uma pista, usada por exemplo nos mundial de atletismo. Apesar de tudo, nenhum dos clubes parisienses se quiseram mudar para este estádio, "Ah fica fora da cidade!" disseram eles...

Hoje não é um 'elefante branco' como o estádio de Aveiro por exemplo, mas é um 'elefante cinzento-claro', pois vai recebendo com alguma frequência jogos de Rugby.

O exterior do estádio tem o defeito estético, muito comum nos grandes estádios menos recentes, de deixar a nu toda a estrutura (como o estádio da Luz, por exemplo... Já o Camp Nou será renovado, e 'vestido' com uma espectacular cobertura da autoria de Norman Foster... Hoje o Allianz Arena, e o Dragão são os melhores exemplos de como os estádios devem estar bem inseridos na paisagem). O que é uma pena, mas não deixa de combinar com a zona industrial envolvente...

 

   

 

Eu e a Vânia chegamos bem cedo ao estádio (enganados mais uma vez pelo fuso horário), e fui fazendo de conta que era adepto dos franceses (apesar de estar a torcer obviamente pela Áustria, até porque tenho uma tia de lá).

Enquanto não se dava o pontapé de saída, desci do último anel, e fui passear pelo recinto, onde inúmeras barraquinhas distraíam os adeptos. É então que vejo uma barraca a publicitar o novo PES 2010, com torneios a pares. Convidado por uma das assistentes, lá estive eu na fila à espera da minha vez. Depois dum jogo muito renhido entre dois orientais, entro eu em competição. Apesar de ter ido a penalties, mereci a vitória. Prémio: uma toalha de praia da Konami, não foi mau...

Quando voltei, o estádio já estava bem cheio. Havia uma equipa que tínhamos obrigação de torcer, a equipa de arbitragem, liderada pelo tuga Pedro Proença. Mas portou-se mal ao marcar um penalty duvidoso a favor dos franceses, convertido pelo Henry.

No fim a França ganhou por 3-1... Bah (o que me controlei durante o jogo para não mostrar o apoio aos austríacos)...

 

  

 

Nota para a dupla invasão de campo de adeptos franceses. Não deixou de ser engraçado, porque os stewards apanharam o primeiro invasor, e bazaram. O segundo invasor aproveitou a situação, e ainda ficou à espera no meio do campo que o viessem buscar...

 

publicado por Nuno às 12:43

Mapa de todas as linhas de comboios RER na região de Ile-de-France.

Ampliar? Basta clicar na imagem...

publicado por Nuno às 03:34

04 de Dezembro de 2009

A RER (Réseau Express Régional), é um sistema de transporte ferroviário que serve Paris e os seus subúrbios. É tipo um comboio sub-urbano, que pára em poucas, mas nas mais centrais estações de Paris.

Eu e a Vânia usámos muito mais a RER do que o Metro. É certo que temos uma estação de comboios a 5 minutos de nossa 'casa', e que só nos podemos deslocar ao IFU dessa forma, mas mesmo assim é sempre preferível andar de RER do que de Metro em Paris. A RER é mais rápida, menos complicada, e mais cómoda (a maior parte das carruagens tem dois andares, mesmo assim, em horas de ponta não deixa de ir a abarrotar!).

 

  

 

Todos os dias lá estamos nós na fria estação de comboios de Saint-Denis para apanhar a RER D. Em dias de aulas, temos ainda de mudar de linha para chegar ao IFU, mas nos outros dias basta ir até Chatelet-Les Halles, a estação mais central de Paris onde se cruzam 3 linhas de RER (A, B, D) e 5 linhas de Metro, e de lá ir para onde quisermos...

Apesar de a frequência de passagem ser cerca de 10 minutos (nem isso), dá tempo para apreciar a velocidade dos TGVs, que passam pela estação de Saint-Denis sem parar.

 

  

 

Existem 5 linhas de RER que passam em Paris. Estão marcadas por letras (A, B, C, D, E) ao contrário das linhas de Metro que estão marcadas por números (1-14). As poucas estações na cidade são praticamente todas subterrâneas, embora existam percursos feitos parcialmente há superfície como a linha B que deambula entre os prédios. Quando os comboios começam a passar os limites de Paris, voltam novamente à superfíce, mostrando uma paisagem bem diferente da que se conhece do centro.

O sistema de bilhetes é praticamente igual ao Metro, tirando o facto de que nas estações de RER é obrigatória a validação à entrada e à saída.

 

 

 

 

Ver rede da RER aqui.

 

Vantagens:

- mais rápido que o Metro, pois é um comboio a sério, e pára só nas estações mais importantes

- mais cómodo

- há muita coisa para visitar nos subúrbios de Paris, e a RER é imprescindível (por exemplo: Eurodisney - linha A)

 

Desvantagens:

- 10 minutos de espera para um parisiense é muito...

- desde que aqui estamos as greves na RER têem sido comuns, mas nada que afecte muito o tráfego

publicado por Nuno às 20:40

03 de Dezembro de 2009

Quando chegámos a Paris, não esperávamos conhecer tanto os subúrbios como o centro da cidade. É certo que vivemos nos subúrbios, e que temos aulas em duas universidades dos subúrbios (estou cansado de escrever subúrbios...). Mas esperávamos que as visitas de estudo que eventualmente tivéssemos, se centrassem na cidade onde tudo parece acontecer! Mas não, e ainda bem...

Ao contrário do carácter urbano e industrial das cidades periféricas como Saint-Denis, o Este de Paris é uma gigantesca planície verde, salpicada por um leve tecido urbano formado por vivendas ou pequenos prédios, que se 'aproveitam' do rio Marne (apesar de actualmente a região se encontrar em franco crescimento demográfico). Durante a viagem que fazemos quase todos os dias até ao IFU, a maior parte do percurso do RER (comboio urbano), é à superfície e vale a pena apreciar a paisagem...

Mas adiante, foi à cadeira de História do Urbanismo que tive a minha primeira visita de estudo, precisamente a uma 'comuna' do Este de Paris, não muito longe de Noisy Champs, chamada Noisiel.

O propósito era analisar os primórdios do Urbanismo como hoje o conhecemos (isto é, pondo de parte qualquer concepção clássica, etc...). Nada faria prever que no fim estaríamos não só a falar de urbanismo mas sobretudo de chocolate!

O Rendez-vous seria na praça central da zona antiga de Noisiel, mas com medo de me perder meti-me bem cedo no RER (linha A). Apesar de ser apenas uma estação a seguir à do IFU, já esperava demorar muito tempo a passar nas máquinas de validação, pois o meu  passe é de zona inferior àquela. Felizmente, e depois de 10 minutos no 'vai-não-vai', um guna de Noisiel vendo o meu desespero decide ajudar-me segurando uma das cancelas de entrada para eu passar...Merci

A estação era na zona mais recente de Noisiel, e tinha ainda muito para andar até chegar ao destino...Durante o caminho fui admirando a vila, e os seus 214 hectares de espaços verdes! Destaque para o belo parque de Noisiel e para o Château d'Eau (reservatório de água na 8ª foto).

 

     

  

 

Finalmente chego à zona antiga de Noisiel (onde já estão os meus colegas de turma), que mais não é que uma antiga 'cidade' operária chamada Menier... É aqui que entra os primórdios do Urbanismo e... o chocolate.

Há muito, muito tempo (1825), Antoine Brutus Menier, o magnata da indústria farmacêutica Menier, decide mudar de instalações para uma aldeiazita, nas margens do rio Marne. Onde pretenderia desenvolver as aplicações farmacêuticas do chocolate. Mas como Menier não tinha sido grande aluno a medicina, não pensou duas vezes, e apoiado pelos filhos decidiu usar as instalações fabris para produzir apenas chocolate em série, nunca feito antes. Menier já tinha inventado a tablete de chocolate, portanto não seria difícil ter sucesso.

Mas o gajo era um génio, um visionário, e queria mais do que fabricar chocolate. Queria fabricá-lo com estilo! Desenvolveu técnicas industriais inovadoras, construindo um gigantesco moinho no Marne, foi pioneiro no design gráfico que aplicava nas embalagens de chocolate e em cartazes publicitários; mas o mais importante foi ele ter usado as suas motivações sociais e ideológicas para criar um sistema de alojamento para os seus empregados. Criou uma pequena cidade perto da fábrica, e baseando-se nos modelos ingleses, pensou a sua estrutura, e até o estilo arquitectónico. Na praça central ficava a escola para os filhos dos empregados, algumas lojas, locais de lazer, e duas cantinas, uma para os solteiros, outra para os casais. E perpendicular à praça existem ruas que serviam as casas dos operários. Casas estas pensadas ao pormenor de acordo com as necessidades dos habitantes. Construiu também uma igreja (na colina), correios e um edifício administrativo. Claro que todas as ruas e praças têm o nome dum elemento da família Menier. Muitas das inovações, incluindo objectos como as secretárias usadas na escola, inventadas por Menier, chegaram a estar em exposições mundiais!

 

  

   

     

  

 

Depois de termos explorado toda a Vila Menier, chegou a altura de nos deslocarmos até ao rio Marne para ver o antigo complexo industrial que hoje é considerado património mundial pela UNESCO. 'Antigo' pois, lembram-se de alguma marca de chocolate 'Menier'? Suponho que não, na verdade a família Menier manteve o negócio em alta até à 1ª Guerra Mundial. Durante os 4 anos de guerra, a neutral Suiça teve tempo e dinheiro para desenvolver o negócio do chocolate, abrindo alas a uma série de empresas concorrentes, que acabaram com o império da família Menier. Hoje o antigo complexo industrial é a sede da... Nestlé France. 

Ainda perguntei se a visita consistia em entrar no complexo para ver a fábrica, e se a Nestlé nos iria dar chocolates, mas não... Restou-nos ir até uma pequena ponte de madeira sobre o Marne e contemplar ao longe a antiga fábrica e o moinho. E restou-me a mim, no fim da visita ir a correr até um supermercado para comprar chocolate!

(última foto do senhor Menier, a seguir a um dos cartazes publicitários)

 

 

    

publicado por Nuno às 21:54

01 de Dezembro de 2009

Há muitas coisas que nos deixam saudades em Portugal, mas uma delas é o futebol!

Deixar vazio o lugar anual no Estádio do Dragão, já é difícil para a Vânia, quanto mais não ver todos os jogos do FCP. E eu não podia perder por nada os jogos dos clubes portugueses na Champions e Europa League, e muito menos os jogos da selecção...

É então que a certa altura nos lembrámos do café português que fomos, pouco depois de chegarmos a Paris quando procurávamos alojamento. É o La Soup du Minuit, mas para os clientes é simplesmente 'O Sopas'. E fica muito perto da Place de Clichy, junto a Montmartre, zona que já conhecíamos muito bem...

A primeira vez que tínhamos ido ao simpático café foi para pedir ajuda com o alojamento, estava pouca gente, mas vimos que tinha dois grandes ecrãs a passar canais portugueses (Sportv inclusive); então a segunda vez já foi para ver um jogo de futebol (não me lembro qual, Porto-Sporting?), e ficamos impressionados com a paixão com que os imigrantes o seguiam...

 

 

 

Em todos os dias de jogos importantes, lá vamos nós até à Place de Clichy 'bêr a bola' no 'Sopas'. É o único local em Paris onde podemos sentir Portugal: os velhotes jogam à sueca, o dono do 'Sopas' manda bitáites durante os jogos, eu e a Vânia berramos palavrões com estilo, enquanto outros discutem quase à pancada os foras-de-jogo e as prestações do árbitro, sempre em português. E no fim, depois de pagarmos uma Superbock ou uma meia-de-leite, regressámos a casa com um ...'Boa Noite, e até para a semana'.

publicado por Nuno às 02:37

Este post podia muito bem estar na secção dos 'vícios e rotinas', na verdade foi mais de um mês que eu e a Vânia tivemos de nos desenrascar para não acarretar com 180 euros em despesas de transporte! Mas eu explico:

- Aqui, existe o típico passe mensal, chamado Navigo, com o qual se pode andar em qualquer transporte público de Paris, e que é carregado todos os meses pelo utilizador. Vantagens: o passe é feito na hora...Desvantagens: é caro...

- Depois existe o passe de estudante, chamado ImagineR, com o qual também se pode andar em qualquer transporte público de Paris, mas que tem de ser carregado para um ano lectivo. Vantagens: mais barato, e além disso, a câmara municipal de Saint-Denis faz um desconto de 50%...Desvantagens: demora cerca de três semanas a ser feito, na burocracia do costume (sim, aqui também existe disso)...

 

 

Nossa solução possível:

- mandar fazer o passe de estudante no ínicio de Outubro, para que ele esteja activo a partir de Novembro. Até aqui tudo bem, no entanto para o mês de Outubro precisaríamos dum passe Navigo, que custa 90 e tal euros!

Nossa solução mais que possível:

- estávamos nós à espera de ser atendidos nos serviços de transporte (RATP) para solicitar dois passes Navigo, quando me ponho a observar as máquinas de validação da estação de Saint-Denis, mas sobretudo as técnicas espectaculares que a maior parte das pessoas usava para passar pelas máquinas sem validar... É então que me viro prontamente para a Vânia e digo: Pede só um passe!! A ideia é simples, eu valido o cartão na máquina, as portas abrem, e nós passamos os dois juntinhos...

Resultado:

- dois dias a seguir fomos apanhados pelos fiscais da RATP...

 

 

Mas não desistimos, até porque o preço da multa tinha de ser compensado. Observámos melhor as técnicas dos nossos conterrâneos de Saint-Denis, aperfeiçoámos as nossas, e nunca mais fomos apanhados.

Hoje olhámos com saudade para aquele mês de Outubro em que eu e a Vânia erámos obrigados a ir sempre juntos para a universidade, para aproveitarmos a boleia dum só passe, e de como a ansiedade e o medo estavam sempre presentes quando chegávamos ao destino, apesar de já sermos profissionais (Ah pois, porque cada tipo de transporte - metro, RER - exigia uma técnica específica conforme a máquina de validação).

 

Bem, só espero que a RATP não tenha lido este post...

publicado por Nuno às 01:10

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme
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