17 de Janeiro de 2010

Por baixo da praça du Parvis em frente a Notre-Dame, encontra-se a cripta arqueológica de Paris. A entrada passa algo despercebida, e não existe sequer muita sinalização, mas vale a pena procurar...

Não é por acaso que a cripta está neste local, como já se disse, a Île-de-la-Cité é por assim dizer o berço de Paris, mas foi só apenas no século XIX que profundas escavações deram a conhecer a cidade romana que ali existia, Lutécia...

A cripta está bem recheada de história, não só através das ruínas, mas também através de objectos, mapas, esquemas, ilustrações, vídeos, que conseguem dar bem a noção de como era Paris há muito, muito, muito tempo atrás. Mesmo assim, as escavações não terminaram, e a cripta ainda pode aumentar mais...

 

 

  

 

Como se pode ver nas últimas imagens com maquetes ilustrando a evolução de Paris até à Idade Média, a região não passava dum rio Sena correndo por entre meia-dúzia de montes. Mas bem, foi nesse mesmo Sena, que à 6500 anos umas canoas por lá passaram, e gostaram do sítio. Dois séculos depois estabelecia-se nas suas margens uma tribo celta chamada... Parisii.

Em 52 a.C. os romanos saquearam a pequena povoação, quando as suas pretensões os levaram a conquistar toda a Gália (a França, vá...).

Mas mesmo com a presença dos romanos, Lutécia não passava duma modesta vila de 5000 habitantes.

 

   

 

A cidade romanda de Lutécia podia ser relativamente pequena, ainda assim possuía termas, teatro, o fórum, templos, palácios e um grande anfiteatro...

O traçado ortogonal característico cobria não só a Île-de-la-Cité, como grande parte da margem esquerda do Sena.

 

  

 

 

É então que as invasões se iniciam, e a cidade muda de nome para Paris.

Na Idade Média, a cidade inicia um processo de crescimento a todos os níveis, impulsionado sobretudo pela Igreja...

Da cidade romana, sobram as muitas ruínas que podemos ver na cripta, e pouco mais.

Já da época medieval, a Catedral de Notre-Dame é o grande símbolo, com a cidade a desenvolver-se a partir de lá. Pode ser visível nas fotos anteriores de maquetes representando a densa cidade medieval que existia sobre a ilha. Tão densa que até as pontes sobre o Sena serviam de base para edificar casas!

 

   

 

Nas fotos em cima, vestígios dos romanos, com destaque para a sua paixão pela matemática e engenharia, representada por alguns instrumentos e inúmeros projectos urbanísticos e de arquitectura presentes na cripta.

Em baixo, imagens da presença romana, e depois fotos de maquetes representando o que mudou da cidade romana e medieval para a actualidade. Pois apesar da catedral se encontrar intocável, o grande Haussmann, a mando de Napoleão III, fez romper praças e avenidas em seu redor assim como fez em toda a cidade de Paris, com o seu megalómano projecto urbanístico do século XVIII. Apesar das ruínas pouco demonstrarem, a cripta demonstra com muitos esquemas essa relação curiosa do que existia, e do que existe hoje...

 

   

 

Aproveitando o livrinho das assinaturas que tinha à saída da cripta e o facto daquele ser um dia especial, eu e a Vânia fizémos questão de deixar registada alguma 'História'... A Nossa, não a de Paris...

 

 

publicado por Nuno às 19:41

03 de Janeiro de 2010

Segundo dia pela Île de la Cité. Enquanto a Vânia ia fazer um trabalho de grupo para o 13º arrondissement, aproveitei o céu limpo para explorar as margens do Sena em redor da ilha.

Ao sair na única estação de metro da ilha, deparei-me com o mercado de flores e de pássaros muito mais movimentado.

Depois de passar em frente do quartel-general da polícia (Perfecture de Police), vejo a praça du Parvis cheia de gente, em volta dum palco com um coro cantando gospel, segurando balões e cartazes. O que seria aquilo? Pelos vistos uma festa religiosa bem interessante...

Mas bem, o que eu queria mesmo era conhecer locais novos, nomeadamente o belíssimo Square Jean XXIII. Um jardim que rodeia a catedral de Notre-Dame a Sul e a Este, muito bem cuidado (como quase todos os jardins de Paris) e muito agradável (não muito comum em Paris, já que grande parte dos jardins ficam no meio de ruas movimentadas). Este jardim dedicado ao Papa João XXIII, era o local do palácio do arcebispo, felizmente demolido, e tem vistas muito interessantes sobre a catedral. Destaque para a fonte em estilo gótico no centro da praça, com a imagem da Virgem Maria, e para as árvores cortadas geometricamente como nos jardins du Luxembourg.

 

           

 

Saindo do Square Jean XXIII, dei à rua da Pont de l'Archevêché, donde se vê o extremo Oeste da Île St-Louis ligada à Île de la Cité pela Pont St-Louis (confuso...). Ponte esta pedonal, e onde se pode assistir e participar em inúmeras actividades, nomeadamente massagens grátis e cenas do género. A ponte está sempre cheia...

Mas bem, atravessei para a outra margem do Sena, e fui pelo cais inferior, contemplando todo o lado Sul da Île de la Cité. Pelo caminho, além de belas perspectivas da catedral e dos outros edifícios, ainda se pode ver inúmeras sessões fotográficas com modelos junto ao rio, sem-abrigos literalmente debaixo das pontes, os barcos turísticos a passarem a todos os instantes, pintores, casais de namorados, e no fim, os barcos-casa atracados no Port de Conti... Paris...

 

                   

publicado por Nuno às 03:59

Um grande 'Obrigado!' a umas amigas que fizeram questão de antes de viajarmos, nos oferecerem uns caderninhos devidamente personalizados por elas, com imagens que não podemos esquecer do nosso Portugal!

Entre os lenços dos namorados, os naprons, o FCP, os cães de loiça, a Nossa Senhora de Fátima, o galo de Barcelos e o abominável quadro do 'Menino que Chora', está a alma lusitana, pequenina mas humilde...

 

 

 

Com medo que os cadernos não chegassem para não nos tornarmos emigrantes, recebemos delas duas postas de bacalhau quando vieram passar uns dias a Paris...

Mais uma vez, Obrigado!

publicado por Nuno às 03:18

      

 

- na 3ª foto, com uma quimera em grande plano, é possível ver a basílica de Sacré Coeur na colina de Montmartre; sempre que aparece um arranha-céu isolado é o mamarracho do Montparnasse; a torre Eiffel também é visível; e o aglomerado de torres é o bairro de La Défense; na penúltima foto, o Hôtel Dieu; e na última foto destaca-se a cúpula do Panteão...

publicado por Nuno às 02:37

A curiosidade em relação ao interior da catedral de Notre-Dame era grande, principalmente no que tocava a toda a mística e dimensão. Na verdade, de Portugal não conhecíamos nada semelhante, e além disso, a enorme fila que se fazia para entrar na catedral só poderia significar algo transcendente...

E é mesmo transcendente, não admira que a fé mova montanhas em locais como este! Ao entrarmos na catedral poderíamos simplesmente pensar na genialidade dos milhares de arquitectos e artesãos que pretendiam criar um ambiente metafísico no interior do edifício, mas poderíamos também não pensar em nada, isto é, sentar em frente ao altar, e deixar que a luz faça o resto. A luz é realmente o elemento chave, manipulada pelos magníficos e grandiosos vitrais e pelos candeeiros, que lhe dão a mística.

Mas também a pouca luz acabou por me estragar o esquema, resultando em fotos de má qualidade. Mas até acho bem, Notre-Dame deve ser tudo menos turística! Ainda assim, as imagens seguintes 'dirão' o possível do interior da enorme catedral...

 

         

   

 

Nem só da arquitectura vive a magnificiência do interior de Notre-Dame. Também a pintura e principalmente a escultura deslumbram quem ali passa (e passa muita gente! Chega a ser rídicula a fita preta que separa quem reza nos bancos, e os turistas que passam nas alas laterais sem parar...). O destaque vai para a Pietá de Nicolas Coustou (não consegui uma foto de jeito...); para os baixos relevos na talha de madeira, dos cadeirais do coro, contando cenas da Virgem Maria, e outras novelas; e diversas estátuas, das quais se destacam os vários reis 'Luíses', Joana d'Arc, a Virgem Maria, e o 'nosso conterrâneo' Saint-Denis...

 

 

 

 

 

A catedral foi palco de importantes momentos da história francesa e não só. Joana d'Arc foi aqui beatificada,depois do seu 'inimigo' Henrique VI de Inglaterra também ser aqui coroado Rei de França aos 10 anos, Napoleão Bonaparte foi auto-coroado imperador de França, foi também aqui o funeral do querido General de Gaulle, etc.. Mas o maior destaque, vai para a execução de vários templários na praça do Parvis, que a mando do Papa Clemente V, foram queimados vivos pois eram acusados de hereges e homossexuais. Não é uma conspiração 'Código da Vinci', mas sim mais um marco vergonhoso duma religião que constrói maravilhas como Notre-Dame...

Mas bem, tanta história está parcialmente presente numa galeria anexa chamada de Tesouro, onde se encontram as peças mais valiosa da catedral, uma delas a suposta coroa de espinhos de Cristo! Tanto marketing fez-me pagar a entrada (pois é, para subir às torres não se paga, mas para ver o esbanjamento de riqueza do 'alto clero' paga-se!). É de ficar surpreendido com a riqueza dourada presente em objectos como cálices e coroas. Mas documentos como os projectos de construção da catedral também são muito interessantes. Mas o mais esperado não houve: onde estava a 'suposta' coroa de espinhos de Cristo?!

Depois duma busca incessante, lá desisti e perguntei na recepção da catedral onde estava tão importante objecto. Resposta: só está exposta ao público na primeira sexta-feira de cada mês... Que azar, mas lá me contentei com um poster à saída mostrando a coroa de espinhos protegida por um grande anel de vidro...

 

                

 

 

Impossível mesmo é sair de Notre-Dame e ficar indiferente...

publicado por Nuno às 00:20

02 de Janeiro de 2010

Durante a nossa visita pela Île de la Cité, a Catedral de Notre-Dame foi o monumento que mais fizémos questão de visitar (3 dias chegaram...). Paris pode ser simbolizado pela torre Eiffel, Arco do Triunfo ou Sacré Coeur, mas nenhum monumento apresenta tanta história aliada à monumentalidade, como Notre-Dame.

Foi em 1163 que um bispo chamado Maurice de Sully começa a construir (aliás 'mandar' construir; de quaquer das formas, em nome da fé, construiu-se coisas impressionantes para reforçar e impressionar os fiéis; a arquitectura foi muitas vezes um Deus capaz de milagres nunca antes imaginados, mas as imagens falarão por si...), uma catedral no local dum antigo templo romano.

170 anos depois, terminam as obras, e as torres de 69 metros, e um comprimento de 130 metros, fazem da catedral o maior edifício religioso ocidental da época. Durante a construção, o estilo gótico (iniciado com a 'nossa conterrânea' Basílica de Saint-Denis) invade a catedral de Notre-Dame duma forma subtilmente bela, como é grande exemplo as grandes rosáceas, e claro, toda a bonecada escultural das fachadas, nomeadamente nos três portais da entrada principal (portal da Virgem, do Juízo Final, e de Santa Ana).

Mas bem, se 'uma imagem vale mais que mil palavras', aqui mil imagens valerão uma palavra: impressionante!

 

Fachada Ocidental

 

 

         

 

 

Apesar de ter um aspecto tão recente, a verdade é que a catedral foi danificada durante a Revolução Francesa, mas só em 1845 deu-se ínicio a um intenso processo de restauração, pelas mãos de 2 arquitectos franceses (Viollet-le-Duc e Lassus), que a deixaram como 'nova'; um dos maiores marcos dessa restauração é a torre agulha de 90 metros de altura, que se encontra mesmo por cima do transepto... Mesmo assim, hoje em dia, e tal como outros monumentos em Paris, Notre-Dame parece mais uma obra do artista Christo, com muitas partes cobertas por lençóis com vista a contínuos processos de restauração.

Desde 1991 que Notre-Dame está inscrita no Património Mundial da Unesco ('Paris, margens do Sena').

 

Fachada Norte

     

 

Surpreendentemente, Notre-Dame nem sempre teve a importância que tem hoje ou teve há muito tempo atrás. Se perguntarmos a um miúdo donde conhece a catedral, e ele responder que foi do filme 'O Corcunda de Notre-Dame', não é de admirar. De facto o grande romance do francês Victor Hugo, publicado em 1831, deu a conhecer o estado de degradação do edifício, iniciando uma política de restauração de monumentos. No intenso processo de restauração de 1845 a catedral volta assim a obter prestígio, não só turístico...

Victor Hugo argumentava que 'os grandes edifícios, como as grandes montanhas são obras de séculos', e que mereciam ser conservados...

O corcunda Quasimodo (o personagem central do romance) é desta forma muito acarinhado por estes lados, dando aso a imensas imitações, dando nome a cafés, etc...

 

Fachada Sul

  

  

 

Cabeceira

 

 

Antes de visitarmos o interior da catedral, quisemos subir às torres antes que o mau tempo nos impedisse de ter vistas espectaculares de Paris!

A chuva apanhou-nos durante o imenso tempo que esperámos na fila, mas pouco depois o céu voltou a mostrar algum azul. As visitas às torres são relativamente organizadas, com grupos de 20 pessoas a entrarem de 10 em 10 minutos.  Ou seja, as enormes filas que se fazem quase todos os dias, em direcção à torre Norte, andam aos solavancos.

A subida faz-se em 3 níveis:

- o primeiro é uma grande sala na torre Norte, usada como livraria e loja, onde pude admirar alguns documentos e mapas antigos da Île de la Cité e até da Europa. Destaque para uma curiosa escada em caracol no fundo da sala.

- o segundo nível, a 46 metros do solo é a Galeria das Quimeras, nome dado às criaturas híbridas representadas no exterior das torres, não confundir com gárgulas (usadas para escoar as águas pluviais... pela boca!). Foi neste nível que pudémos ver a cidade como nunca tínhamos visto antes! Que paisagem impressionante, visto estarmos mesmo no centro de Paris. Pela espécie de varanda (devidamente protegida) que rodeia as torres passámos então para a torre Sul, na qual entrámos para ver o tão famoso sino Emanuel. O grande amigo de Quasimodo pesa mais de 13 toneladas, e só toca nas grandes festas católicas. Destaque para o campanário que sustenta o sino, um emaranhado de ripas de madeira que parece forrar toda a torre.

- e o tão desejado terceiro nível, no topo da torre Sul, donde se pode ver a cidade a quase 70 metros de altura. Poder, pode-se, mas a chuva tornou tudo mais difícil. Foi mesmo azar, mas ficará para uma próxima (ah, a vantagem de se ser estudante da UE, onde não se paga nada para visitar os monumentos históricos de Paris!).

E pronto, toca a descer os 400 degraus, em direcção ao interior da catedral...

 

                  

publicado por Nuno às 22:22

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme

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