22 de Abril de 2010

A Place d'Étoile ou Place Charles de Gaulle, é uma grande placa de rotunda localizada na junção de três arrondissements (o 8º, o 16º e o 17º), onde se encontram 12 avenidas (quase todas com nomes de generais), dispostas esquematicamente de forma muito regular. Esta regularidade foi ideia do urbanista-engenheiro Haussmann, como quase tudo que está geometricamente disposto em Paris. A rotunda é tão larga, que não existem linhas no chão para guiar os automóveis. Atravessar a rotunda é impossível, para os mais preguiçosos vale a rede de túneis em baixo da praça que dão acesso à estação de metro/RER, e ao Arco do Triunfo, e com as respectivas saídas nas avenidas... A avenida mais importante é os Champs Elysées, na qual se realizam os cortejos nacionais que terminam no Arco.

Clicar na imagem do meio para ver a perspectiva das 12 avenidas no cimo do Arco do Triunfo.

 



Vamos então para o Arco do Triunfo. Para lá chegar é necessário passar obviamente por baixo da rotunda. Existe um túnel que atravessa toda a praça desde a Avenue de la Grande Armée até à Avenue des Champs Elysées, e é a meio desse túnel que está a bilheteira, e a respectiva passagem para a praça.

Na primeira vez que fomos ao Arco do Triunfo, a ideia era chegar ao fim do dia para ter vistas espectaculares com o pôr-do-sol. Na verdade o que acontece é que, apesar de ser porreiro ver de dia toda a paisagem a 360 graus, por outro lado, distinguir as 12 avenidas através da iluminação nocturna, diz-se que é também espectacular...

Mas bem, lá subimos então ao Arco, pelas escadas tão típicas nos monumentos de Paris. Só ver as escadas já cansa, mas vale sempre a pena...


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Mas que é que este momumento dedicado à maior futilidade do ser humano tem de especial? Essa mesma futilidade, chamada guerra, deu-lhe muita história, mas já lá vamos...

Há cerca de 200 anos atrás, após uma vitória na batalha de Austerlitz, Napoleão diz aos seus soldados que eles "só voltarão ao lar sob arcos de triunfo". Da sua paixão pela Antiguidade Romana (tinha a mania que queria ser como um imperador romano), nasce este arco... Todavia, com o tempo, ele passou a ser usado para imensas coisas, nomeadamente diversos tipos de manifestações nacionais, mas nunca perdendo o seu significado de guerra. O maior exemplo disso, é o tributo ao chamado 'Soldado Desconhecido' que simboliza todos os mortos pela pátria... Um dos elementos desse tributo, é uma chama na base do Arco, reacendida todos os dias ao fim da tarde, por antigos combatentes. No dia em que lá fomos, pudémos ver a cerimónia, que contém muita simbologia, e nota-se bem a importância que os soldados dão àquele momento (matam, e depois honram os mortos, infelizmente a sociedade parece não ter evoluído lá muito...).


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Existe um piso intermédio no interior do Arco, onde podemos conhecer, através de vídeos e alguns dispositivos engraçados, a história do Arco do Triunfo, todos os arcos existentes no mundo (inclusive o do Terreiro do Paço em Lisboa), e as informações detalhadas de cada escultura, entre outras coisas...

A 50 metros de altura, chegámos então ao terraço, e as vistas são de facto impressionantes, pois a praça fica num dos pontos altos da cidade, e o efeito-relógio das 12 avenidas é muito interessante. Chegando a noite, é possível distinguir desde logo os Champs Elysées, pela circulação intensa dos automóveis num jogo de luzes branco e vermelho, o bairro de La Défense, e claro, a Torre Eiffel. A forma aleatória como os carros circulam na rotunda também é bem perceptível...


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Voltando à base do Arco, tempo para contemplar as magníficas esculturas, principalmente a dos maçudos pilares. O destaque vai para um alto-relevo duma mulher com asas, representanto o espírito da liberdade, que incita o povo ao combate (sim, é hipocrisia política, mas devemos centrar-nos no aspecto artístico...). Já sob o Arco, diversas inscrições nos pilares registam as batalhas e os generais das guerras levadas a cabo pela França durante a Revolução e sob o Império. No meio de tanta letra, é possível ver 'Porto', 'Rio Douro' e 'Portugal'...


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publicado por Nuno às 01:36

15 de Abril de 2010

Porte Maillot é uma das 19 entradas (e saídas, pois claro!) por estrada, da cidade de Paris. Mas Porte Maillot é-nos especial, foi ali que nós pisámos o solo parisiense no dia 17 de Setembro de 2009, para iniciar esta experiência Erasmus. Decidimos então matar as saudades (salvo seja!) e fomos percorrer parte do Axe Historique (clicar aqui para mais detalhes), começando precisamente pelo Porte que o atravessa.

Porte Maillot não é apenas o local de desembarque dos transfers dos voos da Ryanair, é também o local do grande Palácio dos Congressos, simbolizado pela torre do Hotel Lafayette, é o local da estação mais antiga do metro de Paris, e tem ainda uma característica insólita: no meio da enorme rotunda (por onde se organizam as entradas e saídas dos automóveis através de 10 faixas de rodagem), existe um parque verde, só acessível pela estação de metro subterrânea!

 

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E foi ali que pudémos ter uma boa noção do que é estar no Axe Historique. A Oeste o bairro financeiro de La Défende com o Grande Arche no meio dos arranha-céus, e a Este o Arco do Triunfo. Os Champs Elysées estariam logo a seguir ao Arco e era para lá que queríamos ir. Mas para isso teríamos de percorrer a Avenue de la Grande Armée. Que há para ver nesta larga avenida? Stands de automóveis, hóteis e restaurantes luxuosos... A rival Champs Elysées rouba-lhe o protagonismo, mas não o requinte.


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Entre a Avenida da Grande Armada e a Avenida dos Campos Elíseos (as duas fazem parte do Axe Historique), está a rotunda mais famosa do Mundo, conhecida como Place d'Étoile, Place de Charles de Gaulle (após a sua morte), ou simplesmente 'aquela rotunda onde está o Arco do Triunfo'...

Chegámos lá em pleno dia, visitámos o Arco, e saímos de noite. Se a rotunda de Porte Maillot parecia insólita, que dizer desta? Em torno da Place d'Étoile não existem faixas sequer, pois a via é tão larga, que os carros se 'organizam na confusão'! O acesso para a praça central também só é possível através duma via subterrânea. Mas não me vou alongar, mais posts virão sobre esta rotunda...


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E porque os Champs Elysées são bonitos é de noite, acabámos o dia a descer os seus quase 2 Km de comprimento.

Mas percorrer uma das avenidas mais belas e míticas do Mundo (sempre 'melhor' ou 'maior do Mundo', Paris é assim...) não cansa. Não cansa pois íamos na direcção que desce? Também, mas não só... Há lojas, cafés e restaurantes para todos os gostos, há luz, há requinte, há contradições, muita música, cinema, e pessoas, muitas pessoas nos passeios de cerca de 20 metros de largura.

Nas fotos em baixo, destaque para a megastore da Virgin, para uma pequena galeria comercial bem ornamentada, para a gigante loja da Disney, e ainda para o moderno e curioso stand da Citröen...


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publicado por Nuno às 22:55

14 de Abril de 2010

Palavras para quê?! Lojas só de produtos portugueses (a primeira foto é dum mesmo aqui em Saint-Denis), secções de produtos portugueses em praticamente todos os super/hipermercados de Paris, o único bacalhau que se vende no Carrefour vem com a bandeira portuguesa estampada, e restaurantes e cafés portugueses em todo o lado...

 

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Curiosamente, com tanta oferta, raramente nos fazemos servir desses produtos, salvo alguns enlatados Ramirez!, uns rissóis de camarão, e um pastel de belém... Ter a consciência da diferença de preço em Portugal e aqui, também não ajuda, mas às vezes sabe bem matar algumas saudades.

publicado por Nuno às 23:20

13 de Abril de 2010

Paris não é chamada de 'cidade Luz' devido à iluminação nocturna, mas sim ao facto de ter sido no século XVIII, o centro cultural da Europa pelo Iluminismo. Ainda assim, passear à noite por Paris, e ver os edifícios, restaurantes e os passeios iluminados consiste num prazer visual pouco comum. Aí fica a primeira experiência (sem muito sucesso) de fotografar Paris no 'lusco-fusco'.

 

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Na época natalícia, irei postar muitas mais fotos com certeza!

publicado por Nuno às 00:29

12 de Abril de 2010

E aí está mais uma das muitas visitas de estudo que se fez no âmbito da disciplina de História do Urbanismo. Desta vez ao bairro Les Olympiades localizado naquele que é o arrondissement menos 'parisiense', digamos assim, não por ser a região onde se localiza a maior Chinatown da Europa, assim como uma grande porção de imigrantes vietnamitas, mas devido ao factor arquitectónico, que é bastante peculiar, e diferente do resto da cidade.

A maior marca dessa diferença é este bairro de 'quase' arranha-céus (a maior torre tem 104 metros de altura), que embora possa dar a impressão de que pertence aos subúrbios de Paris, não é verdade, está mesmo na Paris centro... Les Olympiades porquê? Cada torre tem o nome duma cidade que já recebeu os jogos olímpicos (medo da chamada crise de identidade arquitectónica).

Apesar de esteticamente muito discutível, este bairro pertence a uma corrente urbanista, que felizmente (ou não) não teve grande continuidade. Mas é dessa corrente que consistiu esta visita de estudo, e fica aí então uma pequena aula de história de urbanismo. Prometo não maçar...

 

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A partir de grandes influências daquele que é o senhor da arquitectura moderna, Le Corbusier, surgiu o Urbanismo de Dalle, que consiste numa ideia bastante espectacular de como conceber uma cidade. Bastante espectacular mesmo!... Mas na teoria...

Basta imaginar uma cidade, onde no solo natural só haveria estradas e parques de estacionamento, e a cerca de uns bons metros de altura existiria um solo artificial, com edifícios em forma de altas torres, e o resto do espaço para comércio, ruas só pedonais, grandes praças e espaços verdes. Realmente, a ideia é futurista, em certa medida utópica, e as vantagens são aparentemente claras, ainda que imaginar o custo de manutenção duma obra-prima de engenharia que seria o solo artificial, pode assustar um pouco!

 

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Em Paris existem dois grandes exemplos desta corrente: Les Olympiades e La Défense. O primeiro é o exemplo que correu mal, o segundo é o exemplo que correu bem. Quando Les Olympiades foi construído, nos anos 70, a ideia era de fixar em peso a população jovem numa zona com grande proximidade industrial e comercial. Mas os parisienses assustaram-se com a monstruosidade das torres, e deixaram aquilo vazio. Em 1975, uma grande onda de população asiática aproveitou, e ocupou o bairro (que já tinha escolas prontas, centros comerciais, etc..).

Hoje, existe um projecto de renovação do quarteirão, que pretende sobretudo diminuir o isolamento das ruas que estão a 8 metros de altura do resto da cidade...


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É bom ver, que actualmente em Paris, sempre que uma zona está mal, há sempre projectos de renovação em curso. Como referi, o bairro La Défense, que fica fora de Paris centro, foi um exemplo de urbanismo de Dalle de sucesso ('Dalle' é o nome dado ao solo artificial). Mas mesmo assim, a ambição de ser o maior centro financeiro da Europa, impôs mais políticas de renovação para uma zona que irá receber não tarda, um bom número de arranha-céus futuristas.

publicado por Nuno às 22:31

11 de Abril de 2010

Sim, a primeira apresentação, 'exposé' como aqui lhe chamam, em francês, e em frente à turma toda...

Mas correu bem, eu pelo menos levei tudo o que ia dizer escrito numa folha (até mesmo o 'Bonjour', e 'mon français n'est pas bon'), e foi só torcer para que a leitura fosse compreensível.

Á medida que íamos olhando para os nosso colegas de turma, víamos testas enrugadas de não estarem a perceber 'patavina'! Foi frustrante mas no fim o professor curtiu... É o que interessa...

Era a disciplina de Sociologie des Mouvements Sociaux, e o tema do trabalho era o Lobbying, mas para a memória fica o suor que nos corria no rosto antes de começarmos a falar, isto é, a palrear. 

 

Infelizmente, foi a primeira apresentação de muitas. Eu e a Vânia nunca mais pudemos apresentar juntos, e nalgumas delas, tivémos até de apresentar sozinhos durante quase 30 minutos...
Hoje, fazer apresentações é banal, mas aquele dia em Sociologie, ai ai... Já passou...
Quando alguém faz questões é que está tudo perdido, mas uma ameaça antes da aula começar, não faz mal a ninguém.
publicado por Nuno às 18:51

É sabido que a França, assim como a vizinha Bélgica, são dos países onde a banda desenhada tem um peso artístico enorme.

Por acaso foi na altura do 50º aniversário do Astérix e Obélix, que fomos passear pelo Paris Rive Gauche no 13º arrondissement, e deparei-me com a simpática livraria Goscinny (a par de Uderzo, foram os criadores dos livros do Astérix). Mas é da rua onde fica a livraria que quero mostrar algumas fotos. Na rua René Goscinny podemos ver, além de pinturas espalhadas pelas paredes dos modernos edifícios, balões de banda desenhada, ora no asfalto, ora nos postes, e algumas outras referências a Astérix.


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As fotos são poucas, mas fica a ideia: um grande tributo à BD, e especialmente ao falecido Goscinny, se faz nesta pequena rua...

publicado por Nuno às 18:45

Dia 11 de Novembro, dia do Armistício, que comemora o fim da Primeira Guerra Mundial (só na Frente Ocidental, porque noutras regiões ela continuou...). Como bons europeus que somos, fomos até ao Arco do Triunfo ver a cerimónia presidida pelo senhor Sarkozy e a sua companheira Carla Bruni? Não... Fomos passear, exactamente para o arrondissement oposto, o curioso, diferente e moderno 13º arrondissement (ver o mapazinho catita dos arrondissements clicando aqui). Vá, não foi apenas passear, a Vânia tinha um trabalho de arquitectura para aqueles lados, e aproveitámos para conhecer uma zona de Paris, que não se parece em nada com Paris.

Talvez por ter o número 13, a região, parte desocupada, outra parte formada por bairros da classe operária, nunca conseguiu ter o esplendor, e muito menos a arquitectura que caracteriza do resto da cidade.

Neste dia começámos por visitar a zona que envolve a gigante e moderna Biblioteca Nacional de França. Zona essa que se encontra num profundo processo de rejuvenescimento urbano. A Vânia tinha de analisar precisamente um dos quarteirões modernos adjacentes ao monumental edifício. Aí ficam algumas fotos...

 

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Este projecto de renovação, designado ZAC Paris Rive Gauche (algo como Zone d'Aménagement Concerté da margem esquerda do rio Sena), durou 10 anos, e agora está a ser aos poucos posto em prática, numa zona que basicamente não tinha nada a não ser uma estação de comboios e as suas inúmeras linhas (Gare d'Austerlitz), e algumas fábricas abandonadas. Hoje é uma zona de edifícios de escritórios e de habitação ultra-modernos. É curioso ver que ao contrário de paradigmas recentes, onde se constrói em altura e sob largas avenidas, aqui, o modelo urbanista consistiu em ruas ortogonais estreitas (dependentes das grandes artérias mais próximas é certo), passeios de largura média, e edifícios com altura semelhante à do resto de Paris, permitindo manter uma certa calma pelo bairro. Vale sobretudo a pena ver alguns exemplos de arquitectura 'relativamente' desconstrutivista, com os prédios a parecer encaixarem uns nos outros, 'protegendo' pequenos jardins que os unem.

Tem edifícios para todos os gostos, mas nunca semelhantes à arquitectura comum em Paris...


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Paris Rive Gauche ainda tem muitos projectos para serem concretizados, mas o destaque vai para um que consiste em cobrir as linhas de comboio, com algo assim:

 

 

Mas bem, o dia ainda era uma criança, e lá fomos nós em direcção ao coração do 13º arrondissement. Aos poucos os prédios iam-se parecendo cada vez mais com os 'tradicionais', mas havia algo que continuava a dar à região uma faceta arquitectónica única. O bairro de 'quase' arranha-céus Les Olympiades. Afinal, quem pensava que as torres tinham acabado no centro de Paris depois do monstruoso Montparnasse, engana-se... Mas visto que terei uma visita de estudo lá, depois crio um post mais detalhado.

Interessante ver a junção da arquitecura moderna com a antiga por estes lados...


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E por fim lá chegámos à grande Place d'Italie, o ponto central deste arrondissement. Esta praça está ladeada, dum lado por altíssimas torres, e por outro pelos tradicionais prédios estilo Haussmann. Destaque para um enorme centro comercial, junto à rotunda, que simboliza também o carácter moderno da zona. Uma das fachadas é um complexo da autoria de Kenzo Tange com uma escultura vulgarmente estranha (modernices!)... Entrámos no shopping e matamos saudades do espírito português: passar feriados dentro de calorosas 4 paredes a ver montras, submetido ao marketing e à sede de consumismo. Incrivelmente o centro comercial Place d'Italie estava a romper pelas costuras, com ruas, parques e jardins tão belos lá fora! 'Dá Deus nozes a quem não tem dentes'...


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E aqui em baixo uma ilustração da Place d'Italie nos seus tempos de juventude:

 

publicado por Nuno às 16:21

Não é um vício, mas uma forte rotina... Em Portugal, praticamente todas as famílias possuem uma máquina de lavar, e essa cultura da lavandaria comum não existe muito (salvo as cobertas, passadeiras e os vestidos de casamento, levados para máquinas industriais da 5àSec!), por aqui, num país desenvolvido como a França, uma máquina de lavar parece ser um luxo, e em cada quarteirão há uma destas lojinhas, com uma fila de máquinas que funcionam à moedinha...

Mas ao contrário dos filmes americanos, onde pessoas se apaixonam, lêem revistas e tomam o seu café enquanto esperam nas lavandarias, por aqui, as 'laveries', são palco de situações menos emocionantes mas igualmente interessantes (pelo menos na que costumamos ir).

 

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Certo dia, eu e a Vânia, num dia como outro qualquer, pegámos nos dois sacos cheios de roupa, e dirigimo-nos ao local habitual, até que somos imediatamente parados por um senhor de casaco de couro, que enquanto protegia a entrada, nos dizia para esperarmos um pouco. Visto não termos percebido muito bem o porquê, o senhor de imediato se faz entender nos mostrando a sua arma 9 mm (*necessita de fontes), escondida no seu casaco de 'capanga'. "Ah bom!" pensámos nós. Olhámos para dentro, e estava a acontecer um ajuste de contas devido a negócios de estupefacientes, algo comum aqui por Saint-Denis... Quando finalmente nos foi autorizada a entrada na lavandaria, dois homens ajoelhados juntavam desesperadamente o pó branco que sobrou, e que estava espalhado pelo chão.

Infelizmente, incidentes com droga é bem comum pelas lavandarias, provavelmente porque ela se confunde com o detergente caído das máquinas! Então todos os dias o dono faz o favor de enchutar todo o pessoal que se junta ali, que mandam sempre a desculpa de: "Tou só à espera que a roupa seque!"...

 
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Mas outras cenas memoráveis se passam frequentemente naquela lavandaria, desde dois bêbados a discutirem sobre Cristo, discussões familiares, ganzados (lá está!) a cantarem com muita emoção, encontros familiares ao jeito dos filmes 'de constituir família', e homens insólitamente desesperados quando a máquina 'come' as moedas (treinar artes marciais com a máquina é um exemplo)...

Para a memória fica também o primeiro dia em que tive de ir sozinho tratar da roupa, e o desespero que isso foi, mas o que vale é que a camaradagem masculina está sempre lá quando é preciso!; ah e também o dia em que a Vânia me deixou lá sozinho sem os sacos da roupa à hora do fecho do estabelecimento, e também aí (que seria eu sem os algerianos de Saint-Denis...), me fizeram o favor de arranjar um saco de contentor de lixo, para levar a roupa 'pa casa', arrastada pelo chão...

Fica só a informação de que cada lavagem demora 50 minutos! Tudo pode acontecer...

publicado por Nuno às 14:38

10 de Abril de 2010
A propósito da viagem que fiz a Turim, fica aqui o mapa de TGVs que partem de França.
Já sabem, clicar para ampliar...
 
Um dia faremos o Eurostar pelo canal da mancha... Um dia...
publicado por Nuno às 18:11

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