01 de Fevereiro de 2012

Num tacho ponha todos os estilos arquitectónicos que conhece, junte todos os materiais que puder, e povilhe com opulência e luxúria quanto baste. O resultado só pode ser a Ópera Garnier, curiosamente costumada a ser comparada a um bolo... Eu visitei Versalhes por 2 vezes e nunca pensei que pudesse haver local mais majestoso e piroso, pelo menos em França! Aliás o edifício é de tal maneira um tesouro gigante, que foi preciso esperar por 'um dia especial' para que quase todo o seu interior estivesse excepcionalmente aberto ao público, e o pudéssemos finalmente visitar. É uma espécie de palácio de Versalhes em versão concentrada, onde cada centímetro quadrado tem de ser conservado permanentemente...

 

 

 

 

Antes do choque ao exagero arquitectónico, é útil compreender o contexto da sua criação. Com a renovação urbanística de Paris, concebida por Haussmann e idealizada por Napoleão, este 9º arrondissement acabou por ser dos bairros mais afectados, mais conhecido por ser rasgado pelas famosas Grands Boulevards, onde gente dita 'importante' viria a gastar o seu tempo e dinheiro... Um dos marcos dessa renovação seria a criação de uma nova ópera, tendo sido Garnier o arquitecto escolhido para a projectar. Em 1861 inicia-se assim a construção de uma obra feita à medida do carácter de Napoleão III. No entanto a Ópera só foi concluída 13 anos mais tarde, depois de muitos obstáculos incluindo 3 guerras e o terreno pantanoso...

 

 

Esse terreno pantanoso acabou por alimentar o mito de que existe um lago sob o edifício, popularmente utilizado por Leroux no seu romance 'O Fantasma da Ópera'. O bairro em redor da nova Ópera foi tão valorizado, que a estação de metro em frente à fachada principal não pode ter entradas no habitual estilo Art Nouveau, e hoje vemos apenas uma escadaria com pequenos muros em mármore, onde os turistas se amontoam para as fotos. Há que falar então do interior do edifício, porque do bairro falarei num post posterior. As fotos não são as melhores, e a maior razão é que os tons dourados e as luzes ofuscam a maioria das divisões (a segunda razão é a qualidade do fotógrafo). Essa rica ornamentação baseia-se em pedra, mármore, bronze, ouro e veludos, materiais estes usados até à exaustão, e onde há espaço...

 

 

Só explorando o interior se consegue ter noção dos seus 11 quilómetros quadrados e mais de 70 metros de altura, não devido às divisões serem espaçosas, mas ao facto de serem bastantes, tornando o edifício um autêntico labirinto. Para se ter uma noção, a entrada para as visitas faz-se por uma pequena porta na lateral que corresponde a um piso subterrâneo, e primeiro que se consiga chegar ao hall principal com a Escadaria Nobre, é preciso um bom sentido de orientação. As primeiras fotos mostram essa escadaria em mármore com enormes candelabros suportados por estátuas. Por falar em candelabro, só o do auditório pesa 6 toneladas, e é onde a opulência atinge o seu apogeu, com as 1979 poltronas em veludo vermelho e tudo o resto folheado a ouro, sempre num estilo neobarroco muito elaborado.

 

 

Cada canto vale a pena descobrir, desde a varanda com belas vistas para a avenida de l'Opéra, às muitas salas anexas onde existe um museu e uma biblioteca. Mas um dos locais mais dignos de visita é o Grand Foyer, uma espécie de cópia da Galeria dos Espelhos com o seu tecto abobadado e coberto de mosaicos. Com a construção da Ópera da Bastilha em 1989, a Ópera Garnier passeu a ser mais uma espécie de museu do que propriamente uma sala de espectáculos. E apesar de recentes remodelações, há muita arte a ser conservada. Certo dia a mulher de Napoleão III perguntou a Garnier se esta Ópera serie em estilo grego e romano, a resposta foi: "É no estilo do imperador, madame." Prova disso é que alguns anos antes Napoleão foi alvo de uma tentativa de assassinato em frente à antiga Ópera, ordenando a que esta fosse toda estruturada de forma ao imperador ir da carruagem ao camarote real sem interagir com o público...

 

publicado por Nuno às 19:06

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme

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