30 de Abril de 2012

Na colina Oeste junto ao fantástico Parc des Buttes-Chaumont, existe um bairro único na cidade. Aliás, mais do que um bairro, trata-se de um vilarejo, uma pequena aldeia bem concentrada no grande declive do 'Mont Chauve'. Este vilarejo, denominado Butte Bergeyre fica entre 2 avenidas onduladas, mas os seus acessos são minímos, mantendo um isolamento algo peculiar e o estatuto de 'aldeia dentro da cidade'. Precisamente, a forma como aqui entrámos foi por uma assustadora escadaria que atravessa uma muralha de prédios da Avenue Simon Bolivar.

 

 

Subir a escadaria pode ser cansativo, mas chegados cá acima e olhando para trás, a 'muralha' é substituída por vistas que confirmam a grande altitude em que nos situamos. À nossa frente está o grande motivo de vir aqui, um conjunto de pequenas casas que parecem competir pelo estatuto da mais encantadora e mais bizarra. A maior parte destas habitações data da década de 20, quando o histórico estádio Bergeyre, que chegou a receber partidas dos Jogos Olímpicos, aqui existia e foi demolido. Só o nome, de um jogador de Rugby falecido na primeira grande guerra, se manteve...

 

 

 

O guia que nos acompanha fala de um bairro 'provinciano', e concluímos também ser um bairro com excelentes e próximas relações de vizinhança, já que existe até uma associação de habitantes do Butte Bergeyre (ver site aqui), que entre várias responsabilidades, destaca-se a gestão do estacionamento numa zona com apenas 5 ruas estreitas em paralelo, ou a gestão de problemas arquitecturais. No final, a preservação da identidade do bairro será mesmo o mais importante.


 

A escolher uma imagem de marca do Butte Bergeyre, será sem dúvida as muitas casas cobertas de heras e trepadeiras. Além das casas, há que destacar os espaços verdes que existem junto à rua George Lardennois, quase todos constituem uma sucessão de vinhedos, que permitem vistas fantásticas de Montmartre e da Basílica de Sacré-Coeur. Existe também um pequeno jardim municipal gerido pela comunidade, onde hortas urbanas têm lugar, permitindo o regular convívio dos habitantes.

 

 

Todo este ambiente de pequena comunidade isolada, numa cidade com 2 milhões de habitantes, é bastante interessante e pode dar bons resultados. 'Sustentabilidade local' e 'Small is beautiful' são expressões da moda que me vêm a cabeça enquanto acabo de percorrer todas as 5 ruelas... Da rua Michel Tagrine, existe outra escadaria, quase toda coberta de heras, e que foi a nossa porta de saída do bairro. Cá em baixo os prédios voltam a fazer parte da paisagem, com destaque para o mal preservado nº 42 da Avenue Mathurin-Moreau, em estilo Art Déco...

 

 

Enquanto observávamos o nº 42, uma senhora confrontou-nos:

- Vivo com muitas dificuldades, e há muitos anos que moro aqui, custa-me a acreditar que este prédio a cair de velho está num guia turístico...

- Está mesmo, aqui...

Em Paris é assim, até uma casca de banana no chão se torna arte...

publicado por Nuno às 17:54

Terceira e última parte do percurso por uma das zonas mais isoladas do centro de Paris, onde a criatividade na arquitectura explodiu com muito estilo, sobretudo nos inícios do século XX. Continuando pela rua de l'Assomption, chegamos a um cruzamento com a avenida principal do 16º arrondissement, a avenida Mozart, que tal como os outros eixos primários da cidade, possui imponentes prédios do século XIX dignos de observação, tamanho o trabalho decorativo das fachadas.

 

 

À medida que caminhamos em direcção a Oeste, ou por outras palavras, em direcção ao Bois de Bolougne, os grandes prédios vão sendo substítuidos por mansões, a maior parte do tempo em que Auteuil era um pacato subúrbio onde as famílias abastadas passavam os fins-de-semana e as férias, quando não existiam voos de Paris. Estas mansões combinam variados estilos arquitectónicos, marcando a diferença em relação a outros bairros de mansões como o Marais... Ainda na mesma rua de l 'Assomption, destaque para a pequena igreja neo-renascentista Notre-Dame de l'Assomption, exemplo pouco comum em Paris...

 

 

E eis que chegámos à zona mais internacionalmente famosa de Auteuil, o bairro que rodeia a rua du Docteur Blanche. Aqui podem-se observar o maior espólio da arquitectura Modernista Internacional pelas mãos de Robert Mallet-Stevens, nomeadamente na rua perpendicular com o nome do mesmo arquitecto francês. Aqui viveram muitos artistas, sobretudo arquitectos e designers importantes, por isso não admira que o bairro continue a ser muito exclusivo. Aliás, as antradas para estas mansões, às quais foram adicionadas mais pisos nos anos 60, estão servidas maioritariamente por ruas sem saída e sem passeios, mantendo-as quase privadas...

 

 

O apogeu deste estilo modernista encontra-se porém já no final da rua du Docteur Blanche, onde em mais uma recatada rua perpendicular se encontra a Villa Roche e a Villa Jeanneret, uma das grandes obras do fundador da arquitectura moderna Charles-Édouard Jeanneret, Le Corbusier para os amigos. Construídas nos anos 20, formam actualmente a fundação Le Corbusier, que infelizmente neste dia estava encerrada. Ainda assim custa acreditar que uma rua destas consiga abrigar tantos curiosos, ou até que seja encontrada, já que as Villas estão mesmo num beco sem saída... Mesmo fechada, pelas grandes janelas podia-se observar a inovadora estrutura interior funcionalista, rígida e fria, tão adorada pelos intelectuais...

 

 

Regressar à rua Henri Heine é regressar ao Auteuil dum estilo totalmente oposto, o da Art Nouveau. Hector Guimard mais uma vez a ter a autoria em alguns dos prédios que ladeiam esta rua, alguns em Art Nouveau, outros mais simples como o edifício com a fachada em tijolo e com um terraço na cobertura, que faz esquina com a rua Jasmin. Rua Jasmin, outra via com belíssimos exemplos de arquitectura, alguns também da autoria de Guimard, que faz questão de manter a sua assinatura na fachada.

 

 

No fim da Jasmin fica a estação de metro com o mesmo nome. Neste cruzamento com a Avenida Mozart, a via consegue ser francamente mais larga que as ruas anteriores, dando-nos a oportunidade de observar, literalmente de cima a baixo, o esplendor destes edifícios, incluindo pormenores como os altos relevos onde deuses e ninfas se escondem... Acaba assim uma viagem lowcost, qual Easyjet qual quê, por um autêntico museu ao ar livre...

 

publicado por Nuno às 15:43

27 de Abril de 2012

Aqui continuamos o passeio pela peculiar zona de Auteuil, nomeadamente pela conhecida rua Jean de la Fontaine... Mais ou menos a meio do percurso, no nº 40, vimos uma interessante fachada em tons castanhos e vermelhos com um jardim adjacente que nos convidava a visitar o interior. É a sede da Fondation d'Auteuil, fundação esta dedicada ao apoio a jovens com graves dificuldades socioeconómicas.

 

 

À medida que atravessávamos este grande edifício neogótico com um pequeno claustro, íamos vendo grandes caixotes abertos à doação de roupas e outros objectos... Pelos vistos esta fundação data de 1866, originada pelas mãos de Louis Roussel, e tudo em redor celebra a sua missão. Sobretudo a grande capela com formas góticas que fica nas 'traseiras', na qual destaco o seu belo interior iluminado por pormenorizados e pequenos vitrais.


 

 

Regressando à La Fontaine voltámos a ver belos exemplares de edifícios Art Nouveau da autoria de Hector Guimard. Na verdade é um conjunto imobiliário que vai do nº 17 ao nº 21 fazendo esquina com a rua Agar. À semelhança do nº 29 da Avenue Rapp, o estilo Art Nouveau é aqui honrado com 'pompa e circunstância' - como se nota nas placas com o nome das ruas -, mas sem nunca deixar de manter a estrutura arquitectónica dos típicos prédios parisienses, o que diz muito do bom gosto destes artistas... Artistas estes com a habitual assinatura nas fachadas, basta procurar.


 

No entanto é mais à frente, no nº 14, que se encontra o apogeu de Art Nouveau de Hector Guimard. O criador das peculiares entradas do Metro de Paris, teve um ataque de inspiração artística quando em 1890 decidiu projectar este edifício incluindo toda a sua decoração interior. E parece de facto se ter borrifado para a estrutura tradicional dos edifícios parisienses, como mostram as fotos... É que noutras obras, dá a sensação que os elementos Art Nouveau são apenas colados à fachada, ao contrário do aqui acontece.

 

 

Todo, mas todo o edifício foi montado levando o estilo para campos criativos que só um 'maluco' poderia imaginar. 'Maluco' foi mesmo o que chamaram a Guimard quando este Castel Béranger ganhou o primeiro Concurso de Fachadas da Cidade de Paris. Mais, disseram que esta obra só podia ser resultado de um pacto com o diabo... O que é certo é que hoje é considerado monumento histórico, e de facto é uma regalia para os olhos...


 

No fim da rue Jean de la Fontaine, fica a enorme Maison Radio-France, outra obra arquitectónica de destaque da autoria de Henri Bernard. Apesar de iniciar um conjunto de edifícios modernos construídos a partir dos anos 60 em redor do Sena, a diferença para os quarteirões a Sul é abismal, sobretudo a nível das dimensões. Uma altura de 68 metros, e um perímetro circular de 500 metros formam este edifício que do céu assemelha-se a um auscultador, logotipo da empresa radio-fónica francesa.

 

 

 

Tomando a rua de l'Assomption, o destaque vai para a bela fachada do prédio do nº 18, com a face do deus Baco a gregar-se. O autor só podia ser... Hector Guimard. As últimas fotos correspondem a uma conhecida escultura de Rodin, a 'Idade do Bronze', situada bem no centro da pequena rotunda com o nome deste escultor, o qual possui em sua honra um dos mais belos museus da cidade. E na mesma rua de l'Assomption, fotos do histórico liceu Molière, um dos primeiros a serem construídos para ensinar raparigas.

publicado por Nuno às 00:45

26 de Abril de 2012

Auteuil, recanto encantado de Paris, que apesar de ter sido anexado à cidade há muito tempo atrás, o seu aparente isolamento deu grandes frutos na área da arquitecura... A impronunciável vila de Auteuil, no sul do 16º arrondissement, bem entalada entre o Sena e o imenso Bois de Boulogne, mereceu então uma grande visita, e que agora resulta num artigo dividido em 3 partes... Da 'última' ponte de Paris, Pont du Garigliano, fomos em direcção ao suposto centro de Auteuil, mas não sem antes atravessar o belo parque Saint-Perine, e passar por uma loja que nos chamou a atenção por razões patrióticas: Centre d'Azulejos Ceramis.

 

 

Chegados à praça com o nome da vila, foi então que reparámos que já aqui tínhamos estado, exactamente no nosso segundo dia em Paris, quando tentámos sem sucesso adquirir um quarto num dos prédios em redor da igreja neo-românica de Notre-Dame-d'Auteuil. Passeio envolto em nostalgia portanto, quando já contamos os dias para ir embora... Esta pequena praça é conhecida por um obelisco do século XVIII, e por uma outra igreja em estilo contemporâneo e com uma estrutura muito curiosa baseada em tijolo vermelho. Se não fosse a cruz nem nos apercebíamos que era uma igreja, muito menos a igreja predilecta da comunidade portuguesa e filipina, daí os cartazes com as celebrações a Nossa Senhora de Fátima...

 

 

Mas é nesta estranha igreja que começa a ode à arquitectura? Ainda não... Da praça, caminhámos pela rua d'Auteuil, onde as origens do antigo vilarejo que aqui existia se fazem sentir. A malha urbana é desorganizada, e os edifícios têm vários tamanhos e feitios. O maior símbolo desses tempos é a taberna L'Auberge du Mouton Blanc, hoje uma cervejaria histórica, conhecida por ter recebido com frequência o dramaturgo Molière e outros ilustres. O edifício mais marcante é porém a grande mansão branca onde chegaram a viver os presidentes americanos John Adams, pai e filho. Eis que chegámos a outra pequena praça, onde os feirantes já arrumavam os seus toldos. Da Place Jean Lourrain, encontrámos finalmente a famosa rua Jean de la Fontaine.

 

 

Esta rua e os seus arredores são um belíssimo mostruário de arquitectura contemporênea, que nos faz lamentar as vias serem tão estreitas que nos impedem de apreciar todos os pormenores das fachadas, já que o interior continua a ser bem privado. A rua Jean de la Fontaine é formada por uma sucessão de prédios imponentes desenhados com uma liberdade que torna este bairro único. Destaque para o nº 96 onde nasceu o escritor Marcel Proust, para os estúdios do arquitecto e decorador Henri Sauvage do nº 65, e para o magnífico nº 60 da autoria do mestre da Art Nouveau chamado Hector Guimard. Não é a sua única obra nesta rua, mas há que fazer referência à torre medieval e às varandas em ferro forjado...

 

 

publicado por Nuno às 18:25

16 de Abril de 2012

E ora aqui está o mapa com as linhas de autocarro que funcionam em Paris. Para ampliar basta clicar na imagem, assim como no muito reduzido segundo esquema que mostra as paragens do BalaBus, a linha que faz questão de passar pelos locais mais turísticos da cidade.

 

 

publicado por Nuno às 00:07

15 de Abril de 2012

Existe maneira de viajar mais barato, rápida e confortávelmente num vulgar autocarro para conhecer uma cidade? Provavelmente não. A rede de autocarros em Paris é muito extensa, com mais de 200 linhas e 3500 veículos. O sistema de bilhetes é semelhante ao do Metro, até porque a empresa que gere estes transportes é a mesma, RATP. Na verdade nunca usamos muito o bus, sem ser para experimentar a sensação de percorrer as históricas avenidas e ruas da cidade, pois as viagens conseguem ser muito mas muito lentas. O trânsito é fluído na maior parte do dia, mas muito condicionado por semáforos e passadeiras. Uma das vezes foi para usar uma linha especial nova que passava pelos monumentos mais importantes, da Gare de Lyon até La Défense, chamado BalaBus. Outras linhas interessantes são a 29, 63, 69 e 96.

 

 

Existem também os autocarros panorâmicos, que estão à 'mão de semear' em qualquer posto de turismo da cidade. Mas é num bus que se conhece melhor a cultura do povo francês, com umas boas doses de 'peixeirada fina'... Uma nota especial para a boa quantidade de autocarros expresso que ligam os aeroportos ou outro ponto importante ao centro de Paris. Por exemplo, se fizer um voo até Paris pela Easyjet, existem autocarros que partem directamente de Charles de Gaulle, quer até à cidade quer ao Parc Astérix ou Disneyland; em muitos casos os preços não são porém uma boa alternativa à RER. Mais informações sobre ligações aos aeroportos aqui.


 

Ver rede de bus aqui.

 

Vantagens:

- Toda a cidade de Paris é magnífica, portanto cada km percorrido num bus vale a pena.

- Rede muito abrangente.

- Transporte confortável quando não há enchentes, que não são assim tão frequentes como no Metro.

- Muito mais barato que os autocarros panorâmicos.

 


Desvantagens:

- Viagens muito lentas.

publicado por Nuno às 18:28

13 de Abril de 2012

O grande motivo para finalmente voltar a pisar o 15º arrondissement, foi para visitar o moderno Parc André Citroën. À semelhança do que acontece no lado mais Este de Paris em redor do Sena, deste lado também existe uma grande área coberta de arquitectura moderna misturada com alguns edifícios antigos. O resultado pode não ser o melhor, mas não deixa de surpreender. Este arrondissement, apesar de grande, tem pouco para visitar, por isso fomo-nos guiando pela marginal do Sena a partir da ponte Mirabeau. Estamos muito perto dos limites da cidade, e aqui tudo é diferente da Paris que vemos nas fotos, com destaque para as torres de Beaugrenelle, contruídas demasiado perto da Torre Eiffel.

 

 

Eis que chegamos ao Parc André Citroën, um parque verde construído em 1992 aberto para o rio Sena, seguindo o formato dos Champs de Mars, Esplanade des Invalides, Jardin des Plantes, e em certa forma do Parc de Bercy, seu contemporâneo. E tal como em Bercy, o parque foi desenhado por uma equipa de arquitectos paisagistas que tentou criar elementos diferentes e interessantes de forma a desconcentrar a população dos parques mais famosos de Paris. Parece que não resultou, embora neste dia o tempo também não fosse o melhor...


 

 

Os 14 hectares do parque estão organizados em torno de um grande relvado central rectangular. A profusão de estilos é imensa, e podemos encontrar desde pequenos bosques a plantações de flores silvestres, passando por grandes estufas envidraçadas e arbustos. Entre cada jardim existem desnivelamentos, muitos deles dotados de curiosos jogos de água, que culminam nos grandes jactos do topo Este. Será esto o modelo dos parques urbanos do futuro?

 

 

 

A grande imagem de marca do parque é no entanto o enorme balão de ar quente que convida adultos e crianças a subirem até 150 metros de altitude para desfrutarem de grandes vistas da cidade, segundo eles. A ideia é boa, mas ainda mais cara, e as vistas só devem ser excelentes para quem apreciar zonas industriais de subúrbio. Por falar em zonas industriais, o nome deve-se ao fundador da marca de automóveis Citroën, cuja primeira fábrica aqui existiu, sendo encerrada apenas nos anos 70...

 

 

Pelos vistos, e segundo a Wikipédia, o parque está organizado segundo uma lógica muito interessante. Cada um dos seus 7 jardins, que formam a faixa Norte, está ligado a um tema. Cada tema é composto então por uma cor, um astro, um dia da semana, um sentido, um metal, e ainda um tipo de água. Por exemplo, o primeiro jardim estará associado ao negro, ao Saturno, ao Sábado, ao instinto, ao chumbo e ao mar. Ora com tantos elementos didácticos, este jardim merece concerteza uma daquelas enchentes que se vê no Jardin du Luxembourg durante a Primavera...

 

 

 

O parque André Citroën está separado da marginal através de uma subtil ponte onde passam os comboios RER. Do nível da ponte tem-se uma vista mais panorâmica sobre o rio e os seus cais. Só a sede envidraçada do Banque Populaire nos separa da ponte du Garigliano, ponte esta que marca o limite de Paris, apesar da Boulevard Périphérique não passar aqui. Decidimos então atravessar esta ponte para observar mais de perto o grande objecto vermelho que se debruçava sobre ela... É afinal um telefone que só serve para atender chamadas de Sophie Calle, a artista que concebeu esta cabine em forma de flor. Apenas arte portanto...


publicado por Nuno às 22:37

09 de Abril de 2012

A primeira vez que subimos à torre Eiffel e olhámos em seu redor, um futurista e subtil edifício vermelho saltava logo à vista, até porque a sua forma e proximidade com a torre chegava a parecer uma sombra perfeita. Que raio de edifício é aquele tão isolado na marginal do Sena? Museu do Quai Branly, com uma arquitectura tão aberrante quanto despercebida, da autoria de Jean Nouvel. É um museu recente, e só isso pode explicar não termos ouvido falar dele, pois quem lá entra fica rendido: é sem dúvida um dos museus mais espectaculares de Paris! É também denominado por Museu das Artes e Civilizações da África, Ásia, Oceânia e Américas, o que já diz tudo sobre o seu espólio...

 

 

Que os ingleses possam ter nos seus museus partes do Parthénon, ou que os franceses tenham tantas obras de civilizações não europeias, é sempre discutível quando se aborda as vias dessas 'aquisições, mas uma coisa é certa, desde que atravessámos o muro de vidro que protege o museu e os seus jardins, fica-se com a sensação de um enorme respeito por essas culturas. Nouvel levou o conceito tão a sério, que o interior do edifício faz-nos esquecer por completo em que país estamos. O hall de entrada é típico, branco e claro, mas quando subimos a grande rampa ondulante, depressa entrámos num espaço muito escuro e íntimo, com as obras a serem iluminadas em tons avermelhados.


 

O número de peças que o museu contém ronda os 300 mil, sendo que a maior parte ainda se encontra devidamente armazenada. As mais de 3 milhares expostas estão organizadas por continente, mas tudo o resto é aleatório com o propósito de nos perdermos numa espécie de selva africana. Mais do que a história por trás de cada obra, é a experiência sensorial que torna este museu memorável. Quando Jacques Chirac teve em mãos de juntar todo o espólio de arte etnográfica de outros 2 museus parisienses num só, chamaram-lhe ambicioso. Hoje é a uma das maiores colecções mundiais deste género, e o museu já recebeu mais de 5 milhões de habitantes desde que abriu em 2005.

 

 

 

Quando saímos, nunca os tons claros do céu foram tão agressivos...

 

publicado por Nuno às 01:31

01 de Abril de 2012

Já aqui se escreveu do misterioso mundo subterrâneo de Paris, aquando da visita às Catacumbas. Como é que lugares tão banais se tornam um lugar turístico em Paris? Porque aqui a força da arte é tanta, que se apodera de tudo, até mesmo de esgotos... Foi assim com Les Misérables de Victor Hugo, livro representado neste museu pois claro, e que ajudou a tornar os 2400 km de túneis num local de culto. A criação da rede de esgotos fez parte dos planos de Haussmann, e uma das suas medidas de higienização da cidade, mas de certeza que ele não esperava que, no século XX, uma pequena parte pudesse ser turísticamente visitada, nomeadamente sob o Quai d'Orsay.

 

 

Este museu dos esgotos não é tão surpreendente quanto as Catacumbas, mas apresenta um carácter muito mais didáctico. Existe apenas uma pequena loja com os habituais souvenirs - a ratazana é a grande mascote -, tudo o resto é mostrado em plenos túneis e galerias, para que se entenda todos os pormenores, nojentos e não só, de como funciona o ciclo da água em Paris. Ficámos a conhecer então a obra do engenheiro Eugène Belgrand, que não só estabeleceu um sistema único de recolha de águas pluviais e águas usadas que funciona apenas com a força de gravidade, como também uma rede de distribuição de água potável e não potável.


 

O mais interessante na visita é sem dúvida perceber a evolução do sistema de saneamento de Paris, desde os tempos romanos até aos dias de hoje. Um dos grandes progressos foi o processo de filtração da água que volta para o Sena, impedindo que este se tornasse num rio Leça... A forma como a limpeza e desintupimento dos túneis é feita merece grande destaque, e durante a visita podemos ver as máquinas e objectos usados pelos esgotadores (esgotadores?!), como uma enorme bola preta de ferro. Esses mesmos técnicos são os guias do museu. O bilhete custa cerca de 4 euros, e a entrada do museu faz-se por uma espécie de quiosque localizado na bela marginal do Sena, junto à Pont de l'Alma.

 

publicado por Nuno às 15:13

Mais um estudo da eDreams, desta vez para eleger os melhores (e piores) aeroportos em 2011. Paris não tem nenhum dos seus 4 representantes no top melhor aeroporto no geral, melhor aeroporto a nível de compras, de bares e restaurantes, de salas de espera, nem de melhor aeroporto a nível de ligação com o centro da cidade que serve, mas... ...tem um representante no top de piores aeroportos. Beauvais, centro exclusivamente lowcost, fica assim no sexto lugar, o que se percebe, dado o seu pouco tamanho.

Destaque para o aeroporto Francisco Sá Carneiro que serve a minha cidade do Porto, e que está presente no Top 10. Daqui partem naturalmente muitos voos com destino a Paris, através de companhias como a TAP ou Easyjet.

 

Melhores aeroportos:

 #1
 Incheon International  ICN  Seul  4.80
 #2  Vancouver International  YVR  Vancouver  4.73
 #3  Changi International Airport  SIN  Singapura  4.56
 #4  Hong Kong  HKG  Hong Kong  4.56
 #5  Bangkok International Airport                 BKK  Bangkok  4.55
 #6  Franz Josef Strauss  MUC  Munique  4.52
 #7  Nürnberg  NUE  Nuremberga  4.52
 #8  Narita  NRT  Tóquio  4.50
 #9  Larnaca International  LCA  Larnaca, Chipre  4.50
 #10  Porto  OPO  Porto  4.49

 

Piores aeroportos:

  #1   Baneasa  BBU  Bucarest  1.76
  #2   Weeze Niederrhein  NRN  Düsseldorf  2.44
  #3   Pulkovo  LED  San Petersburgo  2.54
  #4   Yoff  DKR  Dakar  2.63
  #5   Simon Bolivar International  CCS  Caracas  2.71
  #6   Beauvais  BVA  Paris  2.83
  #7   NgurahRai International Airport  DPS  Denpasar  2,92
  #8   ChhatrapatiShivaji International Airport  BOM  Mumbai  3.00
  #9   Golubovci Airport  TGD  Podgorica  3.00
  #10   Tribhuvan International Airport  KTM Kathmandu  3.00

 

(Para mais informações sobre o estudo, clicar aqui)

publicado por Nuno às 15:12

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme
Procurar coisas:
 
Abril 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
14

17
18
19
20
21

22
23
24
25
28

29


Temperaturas por estes lados:
Weather in Paris
subscrever feeds
blogs SAPO