29 de Maio de 2012

Descendo os Champs-Elysées, e chegando ao seu troço mais verdejante, existe uma área com um conjunto de edifícios historicamente muito importantes. Apesar desses edifícios estarem bem afastados por densos jardins que ladeiam a avenida, acabámos por fazer o percurso em tempo recorde, antes que a noite invadisse esta zona, já por si pouco movimentada. Aproveitámos então a Noite dos Museus para começar por aceder ao interior do fantástico pavilhão do Grand Palais. Um pavilhão gigantesco, cuja cobertura em vidro possui 15 mil metros quadrados e pesa 8500 toneladas!

 


O Grand Palais forma com o Petit Palais, este último bem mais decorado, um conjunto arquitectónico construído para acolher a Exposição Universal de 1900. Ambos possuem imponentes fachadas clássicas com toques Art Nouveau, dando à avenida Winston Churchill, que passa entre os 2 palácios, um estatuto imperial, até porque a mesma avenida termina na Pont Alexandre III... O Petit Palais é hoje um museu de belas-artes, mas o Grand Palais, além de abrigar um museu de ciência chamado Palais de la Découverte, é mais conhecido pelo seu pavilhão que vai abrigando as mais importantes exposições temporárias e outros grandes eventos de Paris.


 

Partimos então em direcção a Norte, furando os muitos espaços verdes que parecem já não ser tão populares como no século XIX. Apesar de cada um deles ainda possuir belas fontes, canteiros, pequenos pavilhões e teatros. A excepção vai precisamente para um desses teatros, o Rond-Point, que juntou à sua porta uma pequena multidão de pessoas que esperavam para entrar. Atravessámos para os jardins do outro lado dos Champs-Elysées, onde o requinte de luxuosos hóteis e restaurantes já se fazia sentir. Nada que estragasse a beleza de ver o sol a desaparecer pela avenida...


 

À medida que caminhámos em direcção à Praça da Concórdia, os jardins ficam cada vez maiores, e o arvoredo mais denso, preservando a tranquilidade das residências milionárias que ficam a Norte. Mas eis que no meio dessas árvores damos conta de um enorme muro, que protege ainda mais árvores, o que seria aquilo, um parque privado? Decidimos contornar o muro para perceber melhor. Portões muito decorados, e muita, mas muita segurança. É o Palácio do Eliseu, apenas a residência do Presidente da República francês, e o local onde se reúne o Conselho de Ministros.


 

O Palácio foi construído em 1718 para um conde, e antes de adquirir a função actual em 1813, chegou a ser residência da irmã de Napoleão, e até um armazém durante a Revolução. O Palácio não é muito grande, pois o muro e o parque em seu redor escondem-no demasiado bem, no entanto é possível ver qualquer coisa através dos portões que existem em cada topo, e que estão cobertos de guardas, assim como parte das ruas adjacentes estão cortadas. Apesar de passar despercebido na cidade, o Palácio do Eliseu valorizou bastante a zona em redor, a julgar pelas fachadas e as lojas de luxo da Place Beauvau e da Rue du Faubourg-St-Honoré.


publicado por Nuno às 01:19

28 de Maio de 2012

Depois de aqui termos feito referência aos Champs Elysées, e apresentado em diversos artigos fotos nocturnas de uma das mais populares avenidas do mundo, chega a altura de publicar finalmente algumas fotos em pleno dia. É bem diferente por sinal. De noite o glamour é mais intenso, as jóias e roupas brilham mais com a luz artificial, e os pedintes desvanecem-se na escuridão. De dia, o glamour passa despercebido pelo grande movimento de pessoas que ocupam os larguíssimos passeios, não em memória de Napoleão ou da França, mas para usufriar deste gigante shopping ao ar livre.

 

 

Passeios estes que não foram sempre assim. Houve tempos em que os carros tinham a permissão de estacionar aqui, deixando o peão com cerca de um quinto do espaço actual. Uma evolução que infelizmente ainda não faz parte das cidades portuguesas... A maior parte deste grande movimento não é só pelo consumismo dos ricos nem pelos turistas que aproveitam as viagens lowcost para fazer uma viagem a Paris (por exemplo através da Aigle Azur), mas também pelo facto da avenida ser um eixo de ligação importantíssimo no centro de Paris. Faz parte do Axe Historique e isso diz tudo...

 

 

A sua origem tinha porém diferentes intenções. O megalómano paisagista André Le Nôtre decidiu fazer do Palácio das Tulherias o mesmo que em Versalhes: prolongar a vista sobre o edifíco por quilómetros, desta feita através de uma alameda que se chamaria Champs Elysées. O Palácio acabou por dar lugar ao Jardim das Tulherias e à Praça da Concórdia, e no outro extremo Haussmann redesenhou em rotunda a praça que sustenta o Arco do Triunfo. Hoje as diferenças entre os 2 extremos são muitas, e é a avenida ladeada com lojas e prédios marcantes que faz parte dos postais, em vez dos densos jardins e palacetes que caracterizam o troço Sul.


publicado por Nuno às 18:06

20 de Maio de 2012
Nos Doors, os teclados de Ray Manzarek sempre me impressionaram mais que a poesia desvairada de Jim Morrison, ainda assim, talvez nunca conhecesse a música dos Doors se não fosse a polémica morte do vocalista em 1971. Estava em Paris, e aqui ficará para sempre. A campa, envolta em grades aquando da nossa visita ao cemitério de Père Lachaise, continua a ser local de peregrinação.


publicado por Nuno às 15:59

Respeito, muito respeito... Vou tentar não me alongar nas palavras. No 20º arrondissement, junto à Avenue Gambetta, fica o maior cemitério de Paris, e provavelmente o mais conhecido do mundo. Como já aqui tinha referido sobre o cemitério de Montparnasse, estes locais têm em Paris uma áurea especial, devido ao factor artístico que brota de cada campa, e de cada 'rua' que atravessa estes autênticos jardins públicos e museus ao ar livre. Père Lachaise é porém especial, devido às figuras célebres que aqui repousam: Balzac, Chopin, Edith Piaf, Oscar Wilde... e claro, Jim Morrison, a grande razão de aqui ter vindo...

 

 

 

publicado por Nuno às 15:21

15 de Maio de 2012

É muito alta, tem uma fachada invulgar, situa-se na intersecção de 2 avenidas muito movimentadas, e é próxima da grande Gare Saint-Lazare, mas incrivelmente é das igrejas menos populares de Paris... Foi a descer a Boulevard Malesherbes que demos com as traseiras desta igreja, e impressionados com os altos torreões que rodeiam a cúpula decidimos entrar. É uma igreja diferente do habitual, pois a sua inovadora estrutura em ferro permitiu espaços mais amplos, paredes finas, e muito espaço para colocar elementos decorativos...

 

 

A igreja é na verdade mais recente do que parece por fora. Data de 1871, e é motivada por uma vontade de ter edifícios marcantes nas praças dos novos cruzamentos projectados por Haussmann. Precisamente a Place St-Augustin é atravessada pela Boulevard com o nome deste prefeito parisiense, mais conhecido como o 'artista demolidor'. E por falar em artistas, o arquitecto desta magnífica igreja é Victor Baltard, que além de trabalhar no restauro de inúmeras igrejas, é o autor do antigo mercado de Les Halles, substítuido pelo edifício mais horroroso da cidade.

 

 

O interior de Saint-Augustin é original e fantástico, pela leveza da estrutura e consequente iluminação que faz destacar os dourados, trazidos por Baltard da cultura bizantina. A riqueza decorativa é simbólica, no sentido em que jazem aqui os príncipes da família imperial. Saímos deste ambiente pela fachada principal, tão imponente quanto bizarra, dada a sua 'magreza'. À nossa frente o barulhento movimento de automóveis quase faz a estátua em bronze de Joana d'Arc passar despercebida. Destaque para o belo edifício à esquerda da praça, sede do clube dos oficiais franceses.

 

publicado por Nuno às 15:22

14 de Maio de 2012

Quem fizer uma viagem a Paris por pouco tempo, é provavel que não dê conta destes metros de superfície, isto porque as linhas de tram actuais são apenas 4 e existem nos arredores da cidade.  Na verdade, eléctricos foram um tipo de transporte público que existiu durante muitos anos em Paris, e que o automóvel fez questão de extinguir. Hoje são os símbolos da recente revitalização dos subúrbios da cidade. A primeira linha a ser construída, denominada T1, serve Saint-Denis, possibilitando viagens baratas a uma população maioritariamente pobre e afastada dos principais centros de serviços dos dispersos súburbios. Usamos esta linha com regularidade para circular dentro da vila, mas muitas vezes mais vale ir a pé, já que o transporte é tão lento, que à beira disto um avião da Easyjet é um autêntico Concorde...

 

 

A grande razão da lentidão é que o tram circula pelo meio de avenidas, e no caso de Saint-Denis existem partes em que partilha a via com peões e até automóveis. Outra linha que costumámos usar é a T3, a única que se situa dentro da cidade e percorre todo o limite Sul, particularmente pela Boulevard Jardin, ligando importantes pontos como a Cité Universitaire ou o Porte de Versailles. A discussão em torno do tram tem sido a de que o investimento não seria assim tão necessário, e que não existem vantagens em relação a uma linha de metro ou mais autocarros, constituíndo apenas um golpe de marketing político... De qualquer das formas existem planos para mais 4 linhas que cobrirão quase todas as regiões de Île-de-France....

 

 

 

Ver rede de tram aqui.

 

Vantagens:

- Transporte de superfície significa ter grandes vistas pela cidade.

- Ligeiramente mais confortável que o metro.

- Passa em zonas recentemente bem revitalizadas.

- O sistema de bilhetes é comum com o do metro.

 

Desvantagens:

- Muito lento.

- Em hora de ponta, tem os mesmos problemas que o metro.

- Pouca ligação em rede com outros transportes.

publicado por Nuno às 17:56

08 de Maio de 2012

Na rua Monceau fica esta mansão mandada construir pelo Conde Moïse de Camondo em 1914. Este banqueiro judeu com grande poderio económico, tinha a intenção de fazer uma espécie de casa IKEA com exibições de mobiliário e decorações antigas que o próprio coleccionou. O edifício tenta imitar o Petit Trianon de Versalhes, e todo o interior pretende mostrar como seria uma mansão da aristocracia nas épocas douradas do rei Luís XV e XVI. Nada que nos interesse particularmente, mas a curiosidade de ver uma mansão que parou no tempo falou mais alto...

 

 

A família Camondo teve sempre queda para a tragédia. O nome do museu é em homenagem ao filho do conde que morreu na Primeira Guerra Mundial. Na segunda grande guerra o resto da família do conde é deportada para Auschwitz, e o resto da história já se sabe... Apesar disso, a colecção continuou a crescer, tornando-se numa das maiores do mundo a nível de arte decorativa francesa do século XVIII. Pessoalmente o que aqui vejo é uma concentração de kitsch, será que alguém se atreveria mesmo a sentar em sofás banhados a ouro?


 

É o exagero decorativo em cada canto, que faz do interior do palácio de Versalhes uma agradável sala de estar. Em qualquer caso, posso dizer que tudo isto é arte em estado bruto independentemente da sua função. Com tanta ornamentação a ofuscar a visão, o alívio pode ser encontrado nos agradáveis jardins, na cozinha (que parece provar propositadamente que só os criados ali entrariam), e... ...nos quartos de banho. Isso mesmo, isto é mesmo uma casa-museu, portanto há que estar preparado para visitar os quartos de banho...


publicado por Nuno às 03:05

07 de Maio de 2012

Foi em pleno Inverno que o Parc Monceau se tornou um local de referência para nós, e que mereceu um artigo que pode ser lido aqui. No entanto todo a magnificiência deste jardim influenciou a imagem rica do bairro em seu redor, mais particularmente a Sul. Partimos então da estação de metro de Courcelles para iniciar um passeio que inicialmente previa apenas passagem pelos muitos museus da zona. Mas a arquitecura deslumbrante acabou por deitar isso por terra... A ortodoxa Catedral de St-Alexandre-Nevsky é o primeiro exemplo. Apesar de ser uma catedral, o edifício é bem pequeno, mas concentra da melhor forma os belos mosaicos e frescos. É o maior símbolo da comunidade russa que envolve a Rue Daru...

 

 

Eis que chegámos à entrada Oeste do Parc Monceau, onde, à semelhança de outras entradas, existe não 1, mas 2 portões separados por curtas avenidas, que são ladeadas por imponentes mansões. As mansões do Marais e do 7º arrondissement são tendas de campismo à beira destas! Em estilo neo-barroco ou renascentista, estes casarões foram encomendados por abastados burgueses como Émilie Menier, cuja fábrica de chocolate já aqui foi abordada. Destaque para a ornamentação dourada dos portões, que diz muito sobre a exclusividade do parque no século XIX.

 

 

As últimas fotos representam a Avenue Van Dick, que sem os portões, não é mais do que a continuação da Avenue Hoche, uma das 12 monumentais avenidas que partem da Place d'Étoile, onde se localiza o Arco do Triunfo. À medida que vamos caminhando para Este, pela rua Murillo, damos com outras mansões e prédios antigos, que apesar de não terem o esplendor dos anteriores, possuem elementos decorativos bem curiosos. A maior parte são de estilo renascentista e do século XVIII, para muitos o apogeu da arquitectura parisiense. O mesmo destaque para os prédios da Rue Rembrandt e Rue de Lisbonne.


 

Na esquina da Rue Rembrandt com a Rue de Courcelles, existe um edifíco em forma de pagode chinês. O facto de ser vermelho e alto, causa muito furor por estes lados. Na verdade é apenas uma loja de arte oriental para gente abastada, o que não admira nada num bairro como este. A partir daqui escolhemos a Rue Monceau, onde existem 2 museus de referência: Musée Nissim de Camondo e Musée Cernuschi. Este último tem a entrada numa outra avenida quase privada do Parc Monceau, a Avenue Vélasquez. Ambos são museus dedicados a colecções de arte decorativa de abastados banqueiros, que aqui viviam. Por isso só visitámos o Nissim de Camondo e chegou...

 

 

Do pacato e rico bairro de Monceau, passámos para a movimentada Boulevard Malesherbes, um dos maiores exemplos do plano urbanístico de Haussmann, que implicou cortar a malha urbana medieval com longas e largas avenidas, num estilo demasiado 'racionalizado'. Neste caso Haussmann foi longe demais, com uma boulevard arquitecturalmente monótona, onde os prédios têm fachadas praticamente iguais, assim como a mesma altura. No final da avenida, fica uma das mais impressionantes igrejas de Paris, a St-Augustin, cujo artigo virá já já para a semana que vem...


publicado por Nuno às 16:51

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme
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