24 de Setembro de 2012



A Place de Furstenberg, a meio da rua com o mesmo nome, é daqueles lugares com nomes bem lixados de escrever... Mas é também daqueles pequenos lugares cinematográficos que pensamos só existir em Montmartre. Coincidência ou não, esta praça já foi mesmo usada como cenário para filmes românticos, mas juro que só soube isto depois de ter escrito a última frase. De qualquer das formas podemos ver esta praça em múltiplas pinturas que se vendem na rua aos turistas, ou em galerias por pintores conceituados. Essas pinturas enaltecem normalmente a luz so dol a atravessar as copas das árvores e o mítico candeeiro, hoje não houve nada disso...

 

 

 

O edifício mostrado nas primeiras fotos é o Palais Abbatial, que juntamente com a Igreja St-Germain-des-Prés, formam a zona central do bairro. Este palácio onde moraram 10 abades até à Revolução, salta à vista pelas suas fachadas em pedra e tijolo, pouco comuns em Paris, mas muito semelhantes aos edifícios históricos do Porto. Porém o edifício mais famoso da rua de Furstenberg é o Museu Nacional Eugène Delacroix, não pelo prédio onde o pintor viveu, que até passa bem despercebido, mas pelo grande espólio que reflecte o carácter romântico e avermelhado desta rua.

 

publicado por Nuno às 00:10

23 de Setembro de 2012

Mais uma rua em Saint-Germain-des-Prés, mais uma rua muito antiga, ondulada e estreita em trejeitos medievais. Foi aberta no século XIII, e acabou por estar associada à  presença de campos de jogos reais, incluindo um salão de goguette. Este conceito tipicamente francês consistia num grupo de cerca de uma dúzia de pessoas que se juntava para cantar, como desculpa para apanhar altas bebedeiras e socializar portanto. Um dos mais famosos grupos era o Société du Caveau, que fazia questão de animar esta rua, já de si uma das mais importantes de Rive Gauche.

 

 

Por ser uma ligação entre ruas estreitas e algumas pedonais, a Rue de Buci está bem servida de restaurantes e lojas, além de cafés registados como monumentos históricos (o Café de Buci e o Le Molière), o que torna a zona excelente para passear. Os tons coloridos e festivos que caracterizam as redondezas tem no entanto muito a dever ao mercado alimentar diário, que chega a tornar a rue de Buci num caos encantador.

 

publicado por Nuno às 22:17

17 de Setembro de 2012

Há quem pense que as passages só existem na Rive Droite, mas não é verdade. A Boulevard Saint-Germain tem muita história, e com ela, ruas perpendiculares míticas foram surgindo, assim como alguns recantos tão pitorescos quanto quase secretos. Mais ou menos a meio da Boulevard, perto da estação de metro Odéon e da estátua de Danton, fica a entrada para uma espécie de passage não coberta chamada Cour du Commerce St-André. A partir daqui tem-se acesso a um conjunto de pequenos pátios que já foram outrora privados...

 


Se há algo que torna o Cour du Commerce St-André motivo de passagem hoje em dia, é porque ficam aqui as traseiras do café mais antigo do mundo, o Le Procope. Foi fundado em 1686, e reclamar esse título é discutível, já que agora o Le Procope é um restaurante. Mas como bistrot, foi um local muito popular. A malta do teatro de l'Odéon só tinha de descer a rua com o mesmo nome para se descontrair; Napoleão ainda jovem costumava deixar aqui o chapéu como garantia de pagamento; e Voltaire bebia aqui 40 copos de café com chocolate por dia, reforçando a ideia de que o chocolate inspira, fisica e psicologicamente falando...



Como é hábito, não entramos nestes locais assustadoramente caros (até um dia!), e passámos para a tranquilidade do Cour de Rohan. Este conjunto de pátios, arborizados de forma curiosa, pertencia ao mesmo palácio de Rohan que aqui existia no século XV. A beleza da irregularidade atinge aqui o expoente numa cidade geometrizada à força por Haussmann e companhia. As janelas sobrepôem-se umas nas outras, as portas e portões dão a lado nenhum, o número de pisos é incerto: a insustentável beleza da arquitectura rural...



É no Cour de Rohan que está o único pas-de-mule ainda existente em Paris. Este objecto feito em ferro forjado ajudava as senhoras idosas a subir para as mulas. É de facto um pormenor nada interessante este que eu acabei de escrever, mas isto de encher chouriços para evitar adjectivar lugares paradoxais como o Cour de Rohan, vai ter de acabar... Ficam as imagens que é melhor...



Voltando ao Cour du Commerce de St-André, há um facto interessante que merece destaque, e não estou a gozar. Foi aqui, mais precisamente no nº 9 que o Joseph Guillotin idealizou o seu objecto de decapitação. No entanto o nome guilhotina apareceu muito mais tarde, já que inicialmente era Louisette, em homenagem ao seu construtor Antoine Louis. Tirando isto, há a referir que ainda é possível ver aqui uma das antigas muralhas de Paris, nomeadamente parte da Enceinte de Philippe-Auguste. O resto são lojinhas pitorescas como é vulgar por estes lados...


 

publicado por Nuno às 00:01

16 de Setembro de 2012

A poucos dias de regressarmos de vez à cidade do Porto, fizémos aquele que foi provavelmente o último grande passeio por Paris. Não podemos dizer que deixámos o melhor para o fim, mas realmente Saint-Germain-des-Prés é mesmo a zona que melhor caracteriza a cidade. Contudo, este adiar foi ingrato já que a chuva apareceu e não podíamos mesmo deixar de conhecer os recantos deste bairro tão culturalmente equilibrado... Coincidência ou não, a primeira grande caminhada que tínhamos feito (por lazer!) partiu dos Jardins do Luxemburgo e acabou na Praça da Concórdia, o que exigiu que passássemos pelo centro de Saint-Germain-des-Prés, nomeadamente pela igreja homónima...

 


Neste dia, partimos porém da Escola de Medicina, e em vez de continuarmos pela avenida Saint-Germain, a mais importante da Rive Gauche, fomos até um histórico teatro que já foi o mais frequentado da cidade, o Odéon Théâtre de l'Europe. Para lá chegar tomámos a não menos histórica rua de l'Odéon, pelo facto de ter sido a primeira a ter esgotos e calçadas. Inaugurada em 1779, esta estreita rua assistiu à evolução do fervor intelectual de Saint-Germain, e ainda existem aqui muitas lojas desses tempos. Mas foram as livrarias que a tornaram popular. A mítica Shakespeare & Company estava no nº12 antes de ir para o Quartier Latin, e a Les Amis des Livres no nº7, ambas eram locais-fetiche dos armados em artistas...


 

Mas era o teatro que nós queríamos ver... Porque por aqui tudo tem o nome de Odéon, não é difícil de adivinhar o nome da praça que finaliza a rua... ...d'Odéon. Esta praça em meia-lua está directamente afectada pelas pequenas porporções de todas as ruas adjacentes. Por essa razão, à falta de espaço nos passeios, esplanadas e motas (muitas motas), fazem questão de a ocupar de forma intensa. Com a chuva, a tarefa de chegar ao outro lado acabou por ser mais fácil do pensávamos, e finalmente alcançávamos o abrigo da arcada neoclássica do Théâtre de lÓdéon. Em 1782, quando foi inaugurado, era para servir de sede à companhia Comédie Française de Molière, que hoje está no Palais Royal.

 


O teatro encontra-se demasiado bem conservado e há uma explicação. Em 1807, um incêndio destruiu todo o edifício, mas rapidamente foi reconstruído com uma forma muito semelhante. Hoje parece mais um monumento sagrado do que propriamente um local de lazer. O interior está especialmente muito bem decorado, e cada recanto brilha como se fosse novo. Mas na verdade tornou-se no teatro mais frequentado de Paris na década de 50, por se ter especializado em peças modernas. Hoje, é mais conhecido por acolher peças em língua não-francesa, para que os turistas que façam uma viagem a Paris tenham o direito de sentir o dramatismo único dos teatros parisienses. Na verdade nunca o senti, o dramatismo nas ruas de Saint-Denis chega-me, e supera bem a ficção...


publicado por Nuno às 21:47

10 de Setembro de 2012
É provavelmente um dos programas mais interessantes que a RTP já produziu, não pela ideia de mostrar os nossos emigrantes nas grandes capitais do mundo, mas pela forma descontraída e directa como o faz. Aqui não há formalidades, conhece-se o percurso que levou os nossos conterrâneos a Paris, entra-se nas suas casas, conhecem-se as amizades e laços familiares, e sem pudor pergunta-se os preços de tudo, quais maravilhas, mas também os defeitos da cidade. Não há visões turísticas, apenas realidades...

publicado por Nuno às 16:54

Partindo de Les Halles até ao Centro Pompidou existe uma sequência de zonas pedonais, que, apesar de constituirem a segunda zona mais central de Paris só atrás da Ile de la Cité, são ocupadas por um grande movimento de carácter duvidoso. A Square des Innocents por exemplo, histórica praça com a sua fonte renascentista parece sofrer todos os dias com os problemas vindos de Les Halles como a delinquência e o lixo... Continuando a caminhar para Este, através da Rue Berger e Rue Aubry Le Boucher, sente-se um denso movimento de turistas que consome ferozmente as lojas de souvenirs e fazem questão de deixar muitos rastos. Os parisienses, esses, aproveitam-se disso como podem.

 

 

Chegando ao Pompidou, o frenesim turístico continua, mais que não seja para futografar os tubos coloridos. Mas não é só no museu que existe arte. Toda a zona em redor tem escultura, pintura e música para dar e vender. Da pintura já aqui evidenciei neste artigo. Quanto à escultura, além da fonte Igor Stravinsky, há que destacar o Le Défenseur du Temps, um moderno relógio mecânico com 1 tonelada que exibe um senhor a lutar de hora a hora, com os 3 elementos da natureza; esta grande escultura fica no Quartier de l'Horloge, uma descaracterístico quarteirão a Norte do Pompidou. Quanto à música, além dos excelentes artistas de rua, existe na esquina da Place Stranvinsky o IRCAM, uma espécie de centro europeu de pesquisa musical subterrâneo, onde parece existirem bunkers secretos de experimentação de novas sonoridades! Super...

 

publicado por Nuno às 00:51

04 de Setembro de 2012

Julie Delpy é uma actriz e realizadora francesa, que, à parte de ser maravilhosa (como actriz claro), merece uma especial referência por enriquecer os cenários parienses em que foram rodados os seus filmes mais conhecidos. Deixo aqui o trailer de dois desses filmes. O primeiro é o 'Before Sunset' - resultado (ou não) da promessa feita na aventura romântica em Viena de 'Before Sunrise' -, e no qual podemos acompanhar os diálogos entre Delpy e Ethan Hawke, em lugares tão carismáticos como a Promenada Plantée. No segundo, '2 Days in Pais, mais recente, Delpy faz uma abordagem deliciosamente preconceituosa de Paris...

 

 

publicado por Nuno às 02:55

03 de Setembro de 2012

Parte final do grande passeio pela colina de Montmatre (primeira parte clicando aqui, e segunda parte clicando aqui). A pouco e pouco fomos nos dirigindo para Oeste, para uma zona essencialmente residencial, onde neste dia nem havia sinal de turistas. Vale a pena passar por aqui sobretudo pela arquitectura e o ambiente bem rural da zona. Du Au Lapin Agile passámos para a rua l'Abreuvoir, com as suas mansões e jardins privados do século XIX. Muitos dos artistas mais abastados viviam aqui de certeza...



Seguindo para a Allée des Brouillards, passámos pela praça Dalida, um belo espaço que marca o desnivelamento entre as ruas Abreuvoir e Simon Dereure. É conhecida pela estátua da cantora Dalida, que alem de ter sido famosa por cantar e actuar em dezenas de línguas, tinha uma enorme paixão por Montmartre, que lhe dedicou assim esta praça após a sua morte em 1987. Ali ao lado fica a Square Suzanne-Buisson, um calmo jardim bem protegido pelas casas, e que contém bastantes elementos decorativos como fontes e estátuas. Uma delas é a de Saint-Denis a segurar na cabeça, supostamente para marcar o lugar onde ele foi decapitado - estes parisienses não se decidem!




E eis que atravessando o parque para sul, damos com a importante Avenue Junot. É na verdade uma rua larga, muito tranquila e bem arranjada, e onde moram e trabalham grande parte dos artistas de Montmartre. O nº13 tem ricos mosaicos feitos por Poulbot que aqui morou; o poeta dadaísta Tzara morou no nº15, etc, etc... Grande parte destes artistas nem sequer eram franceses, mas lá devem ter poupado dinheiro em voos lowcost para Paris, e assim poderem comprar estas belíssimas vivendas. Mas o que me fascinou mesmo foi uma travessa sem saída no nº23 bis, que é ladeada por um complexo habitacional em Art Déco chamado Ville Léandre. As suas vivendas coloridas fazem lembrar partes de Butte-aux-Cailles.


 


No fim da Avenue Junot, virámos para a rua Girardon, e depois rua Lepic, onde ficam os poucos moinhos ainda existentes de Montmartre. Antigamente existiam mais de 30 moinhos em Montmartre, que se dedicavam a esmagar o trigo e as uvas, mas hoje só existem dois: o Moulin de Radet e o Moulin de la Galette. O primeiro é hoje um restaurante com o nome do segundo, vá se lá saber porquê. Já o verdadeiro Moulin de la Galette, construído em 1622, é hoje uma casa privada, que já pertenceu a Debray, um corajoso parisiense que se armou em herói durante o cerco russo a Paris, e como resultado, foi crucificado nas pás deste moinho.



Ainda na rua Lepic, destaque para o nº54, onde viveu Van Gogh. Estava na altura de descer Montmartre até às movimentadas Boulevards, e este caminho é possível percorrendo apenas a rua Lepic, pois esta, tendo a forma de ponto de interrogação, consegue deambular encosta abaixo até alcançar uma recta perpendicular à Boulevard de Clichy. É curioso como aos poucos, a tranquilidade vai sendo substítuida pelo movimento turístico de Montmartre, pela grande presença de bares, e pela presença de grandes prédios semelhantes ao resto da cidade.




Chegados à Boulevard Clichy, avenida que conhecemos muito bem por razões que... (pai e mãe, estejam descansados), encontrámos um dos locais mais turísticos de Paris: o Moulin Rouge. Ao contrário dos moinhos da rue Lepic, este foi rapidamente transformado num salão de dança em 1900. O tipo de espéctaculo que lhe deu fama, isto é, aquelas bailarinas vestindo uma interessante lingerie, e levantando a perna e tal..., não foi aqui inventado ao contrário do que se possa pensar. Nasceu sim nos cabarets de Montparnasse. Hoje um montão de gente passa o dia a tirar fotografias na Place Blanche, mas é a noite que esta avenida ganha o seu real encanto, com as fachadas das sexshops iluminadas em tons vermelhos, e o intenso espectáculo de luzes que cobrem os clubes de strip. Red Light District portanto...



 


O percurso por Montmartre estaria aqui terminado, mas visto que poucos dias faltam para terminar a nossa estadia em Paris, decidimos alimentar a nossa nostalgia, e fomos até à Place Saint Pierre, onde começa a escadaria para a Basílica de Sacré Coeur. O lado Este desta praça é marcado pelos grandes armazéns de textéis, mas também pela Halle Saint Pierre, um museu e galeria dedicado à Art Brut. Este tipo de arte, nomeada em 1945 por Dubuffet para descrever obras de cariz mais marginal e alternativo, é bem expressivo na decoração exterior. Mas o que é que isto tem a ver com nostalgia? Foi junto a este museu que passámos a nossa segunda noite em Paris. Quando começou a chover, fomos dormir para debaixo dos armazéns...




...mal sabíamos nós que estávamos em Montmartre...

publicado por Nuno às 22:47

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme

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