20 de Dezembro de 2010

Era o aniversário da Vânia, e prometi a mim mesmo que íriamos subir nesse dia, e pela primeira vez, a Torre Eiffel, nem que o tempo estivesse como estivesse. O céu estava branco acizentado, mas não chovia... Já era fim de tarde, e o mais provável é que ainda subíssemos de dia e descêssemos de noite... Assim aconteceu!

Apesar de tudo foi porreiro subir em pleno dia da semana, e em pelo mês de Novembro, pois em vez de estarem as habituais milhares de pessoas na fila para subir à torre, estavam só centenas...

Na verdade existem várias filas, dependendo da afluência ao monumento, e espalhadas por cada 'pé' da torre. Um dos 4 pés, tem uma entrada exclusiva para o restaurante que fica no primeiro andar, o Jules Verne, onde um normal menu ascende os 50 euros! Todos os outros pés têm escadas para quem queira subir até ao segundo andar, e elevador que num sistemas de escalas vai até ao topo da torre.  

 

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Pelas fotos percebe-se que nos aventurámos pelas escadas. É uma espécie de sistema de transporte lowcost, já que os 3 euros e meio (pode variar conforme vários factores), é bem diferente dos 11 euros (pode variar também, conforme o número de andares que se sobe) para ir de elevador. Infelizmente (ou felizmente), a Torre Eiffel não é considerado monumento totalmente público, não existindo os habituais descontos para jovens e estudantes...

Basicamente, achámos que para subir até ao topo, só valeria a pena num dia de céu limpo, e sem o frio que se fazia sentir neste dia 24 de Novembro!

Cerca de 360 degraus nos separavam do primeiro andar, e depois quase o mesmo para subir até ao segundo andar! Psicologicamente, o truque é não olhar para os cantos da escada onde está escrito o número do respectivo degrau... Siga...


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Só há uma razão para olhar para baixo enquanto se sobe: apreciar as vistas!

E parar só mesmo para descansar, senão nunca mais se chega ao destino, pois cada momento para ver a paisagem é incrivelmente espectacular...

O complexo padrão das vigas de ferro da autoria do Eiffel, unida por 2,5 milhões de rebites, e que serve apenas para estabilizar a torre durante ventos fortes, impede de melhores vistas, mas a sua impressionante e agradável simetria é digna de apreciação!

Aliás toda a estrutura original tem se mantido intacta, assim como o sistema de elevadores escolhido por Eiffel, dando um aspecto rústico, e de imprevisibilidade (e insegurança!) ao percurso...


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Chegámos então ao primeiro andar. Nem parece que estamos a uma altura de 57 metros. Tudo é tão monumental, que em termos relativos só nos damos conta da altura quando olhamos para baixo e vemos umas formigas a fazerem filas...

Estamos no monumento pago mais visitado do mundo, e curiosamente, quando foi construído por Gustave Eiffel, a Torre Eiffel seria apenas uma estrutura temporária entre o rio Sena e os Champs de Mars para impressionar os visitantes da Exposição Mundial de 1889 e servindo também como símbolo do centenário da Revolução Francesa. Era a construção mais alta do mundo com os seus 324 metros (que 40 anos mais tarde seriam ultrapassados pelos 329 metros do Chrysler Building de Nova Iorque), mas isso não lhe tirava o estatuto temporário...

Foi a sua utilidade prática para suportar uma antena de rádio que a salvou da demolição...


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Durante estes 120 anos, a Torre Eiffel continua a ser odiada por uns, amada por outros. Desde celebridades a assumirem alterar os seus trajectos para não a verem, desde a célebre piada do 'Qual o lugar mais bonito de Paris?', o ódio a este monstro de ferro cinzento-escuro, foi sendo abafado pelo seu potencial turístico (7 milhões de pessoas por ano!)... A torre é vista por toda a região, todas as noites existem espectáculos de luzes nas suas fachadas, diversos eventos têm lugar na base e até mesmo na torre, o preço dos apartamentos altera-se drasticamente segundo o ângulo de visão para a torre (carece de fontes, mas algo me diz que assim é, devido às fotos dos anúncios imobiliários...), e basicamente, é o maior símbolo da cidade e de França!


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Subimos então finalmente ao segundo andar. Eu não tenho vertigens, mas as vistas aqui já começam a ser assustadoras! Principalmente se olharmos para o topo, em que dá a impressão de que a torre está a cair em cima de nós. 

De destacar uma quantidade de bonecos que se encontravam no meio das vigas de ferro, que simbolizam os pintores que dão um aspecto mais bonito à torre através de 60 toneladas de tinta. Com estes bonecos podemos ter uma ideia da aventura que é pintar todas as vigas (se calhar é melhor nem pensar...).

No fim fica a impressão de que era impossível criar uma estrutura com esta complexidade e tamanho há mais de um século atrás. Ou o Eiffel era de facto um génio, ou devíamos criar uma teoria da conspiração relacionada com extraterrestres! A torre é de facto enorme, e nunca oscila mais de 7 centímetros...

A noite chegou e iluminou a torre em tons dourados, por outras palavras, deu-lhe beleza e magia. Resta-nos apreciar a paisagem reconhecível pela iluminação pública e pelas luzes dos escritórios do Montparnasse e dos arranha-céus de la Défense. E depois, descer, sem a ajuda dos santos...


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E pronto, 'qual o lugar mais bonito de Paris' afinal?

- "A Torre Eiffel, pois é o único sítio de Paris em que não a vemos..." (by: milhões de parisienses que não gostam da Torre Eiffel)

publicado por Nuno às 23:25

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme
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