06 de Março de 2011

Não dá para falar da Praça da Bastilha sem falar do seu passado curioso, que as imagens em baixo (retiradas da net) indicam. De facto, fala-se tanto da importância desta praça para a cidade, mas na verdade, chegando hoje lá, não passa duma espécie de grande rotunda com uma monumental coluna no centro (à semelhança de outras praças em Paris), e uma ópera com uma estética moderna duvidosa...

Mas os parisienses têm de facto uma ligação especial com este local, e em determinados dias fazem questão de formar multidões pra festejar ou protestar por algo. Bastilha vem do nome dado a uma entrada para a antiga cidade que aqui tinha o seu limite, e que mais tarde se transformou numa enorme fortaleza com torres de 68 metros (primeira foto), aquando da Guerra dos Cem Anos. No fim da guerra, a Bastilha passou a servir de prisão sobretudo para os inimigos políticos e religiosos do rei, constituindo a imagem de marca da opressão vivida naqueles tempos...

No ínicio da Revolução Francesa, mais precisamente a 14 de Julho de 1789 o povo revoltado fez questão de destruir o edifício, num episódio que deixou marcas até hoje...

 

 

 

 

O 14 de Julho é festejado todos os anos, mas a actual coluna que lá existe pouco ou nada tem a ver com esta mítica data, mas já lá vamos. Diz-se que a prisão da Bastilha foi destruída porque certo dia um jornalista andou a espalhar o boato pelas ruas de Paris de que o exército real ia insurgir-se contra o povo de forma violenta, levando a que uma enorme multidão fosse buscar armas aos Invalides, e se dirigisse depois à Bastilha para buscar a pólvora. Ali, o povo, inquieto e com doses de adrenalina ao máximo, iniciou um autêntico massacre, tomando o enorme edifício que ainda tinha um fosso à volta de 25 metros, e culminou numa celebração que juntou o povo, os prisioneiros libertados e a cabeça do marquês de Launay (o director da prisão) espetada numa lança... Já com Napoleão no poder, foi ordenado que todo o edifício, ou o que sobrou dele fosse demolido. Projectou-se então para o local um gigante elefante, que chegou a ter um modelo em tamanho real mais tarde demolido, mas imortalizado na literatura por Victor Hugo. O que ficou foi mesmo a Colonne de Juillet, uma coluna em bronze com mais de 50 metros de altura, e com uma estátua no topo representando o 'Génio da Liberdade', como homenagem aos mortos dos confrontos de 1830 que estabeleceram a monarquia contitucional na França.


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Hoje a Praça da Bastilha é uma centralidade simpática remodelada recentemente, que limita a Este o bairro do Marais (entre o 4º e o 12º arrondissement), e é atravessada pelo canal St. Martin. Este canal possui um pequeno porto, o Port de l'Arsenal, entre a grande praça e o rio Sena, que possui numa das marginais um pequeno e bonito parque onde as pessoas se sentam a ler e a namorar e se abstraem da margem oposta...

A Norte da Bastilha, existem inúmeros bares e restaurantes de renome (onde já tive o prazer de tomar um belo chocolate quente), que se vão agrupando por ruas estreitas que possuem também salas de espectáculo e lojas especializadas numa espécie de continuação da representação artística do Marais. Mas o expoente máximo da zona da Bastilha é mesmo o polémico edifício da Ópera Nacional de Paris (primeira foto em cima), inaugurado no bicentenário da tomada da fortaleza, e que veio canalizar os espectáculos da velhinha e opulenta Ópera Garnier para aqui. A polémica é apenas mais um representação do conservadorismo de parte dos parisienses perante uma cidade histórica arquitecturalmente, que tem de aguentar todos os dias com a Torre Eiffel, com a torre de Montparnasse, e desde 1989 com este edifício curvo e envidraçado que domina parte duma praça que merece especial respeito. O interior da Ópera, diz-se, é uma "obra-prima da tecnologia". Que seja...


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Quase nada restou da antiga fortaleza, mas na praça, infelizmente dominada pelo automóvel em dias 'normais', um conjunto de marcas no chão indica o local das torres e das muralhas. Vale a pena procurar, e lembrar a força do povo!

publicado por Nuno às 16:33

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme

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