26 de Março de 2012

Continuação do passeio por um dos mais famosos arrondissements de Paris. Depois de aqui termos explorado a zona Este, chega a vez de conhecermos um pouco melhor os quarteirões que dividem os Champs de Mars, onde está a Torre Eiffel, dos Invalides. É um bairro muito grande, e relativamente denso, apenas atravessado por 2 avenidas que partem da Ponte d'Alma. Há pouco para ver, no meio de prédios onde previsivelmente vive a classa alta, o que mantém a zona tranquila, muito à imagem do resto do arrondissement, que absorve a multidão em torno da Torre Eiffel.

 

 

 

O primeiro passo seria conhecer a famosa Rue Cler, por isso partimos da estação de metro La Tour-Maubourg. Contra todas as expectativas, até porque já tínhamos feito muitas caminhadas por estes lados, encontrámos pelo caminho uma pequena igreja, rodeada de um curioso espaço verde, que está completamente entalado entre prédios. É o templo luterano Saint-Jean, e tem apenas um caminho pedonal que o liga à estreita Rue de Grenelle... No cruzamento com a Rue Cler, vemos então a famosa via pedonal, onde tem lugar o mercado mais caro da cidade. É aqui que a malta mais abastada vem comprar o seu caviar, o seu camarão tigre, o seu fillet mignon, e outras lúxurias alimentares.

 

 

Dizem que se pode ver gente famosa aqui, mas nem interessa, este elitismo não era claramente para nós, toca a procurar um Franprix para lanchar, e bazar daqui... Continuámos a caminhar para Oeste e depois Norte, sempre com a Torre Eiffel a servir de guia. É incrível que com ruas tão estreitas e prédios altos, ela continue a querer aparecer! Fomos ter então à Rue de l'Université, uma rua histórica e muito longa, que segue paralela ao Sena desde a Faculdade de Medicina em Saint-Germain-de-Prés, até à Torre. E daqui apanhámos finalmente uma das 2 avenidas que cruzam este bairro, a Avenue Rapp.


 

A Avenue Rapp é muito conhecida pelos amantes da arquitectura, e particularmente de Art Nouveau. Tudo por causa de um prédio, o nº 29, que é provavelmente um dos expoentes máximos deste estilo. O génio criador, Jules Lavirotte, ganhou com ele o primeiro Concurso de Fachadas da Cidade de Paris em 1901! As fotos são esclarecedoras do trabalho artístico que envolve relevos pormenorizados com os habituais temas animais, florais, e ainda uma boa dose de erotismo. O que mais impressionou foi que Lavirotte, apesar da monumental fachada colorida, conseguiu manter a estrutura dos típicos prédios parisienses, num claro apelo ao bom gosto com irreverência...

 

 

Acaba por ser um prazer percorrer esta avenida predominantemente habitacional, porque existem outros bons exemplos de arquitectura. São sobretudo blocos típicos de 6 ou 7 pisos, mas com as fachadas muito bem trabalhadas, mostrando que em Paris quem é rico não vive em vivendas, vem para aqui... Apesar da segurança conseguimos entrar num jardim interior, do quarteirão em frente ao nº 29, onde demos pela presença de uma enorme torre com um relógio, num dos cantos. Será mesmo uma torre de vigia?

 

publicado por Nuno às 00:04

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme
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