26 de Abril de 2012

Auteuil, recanto encantado de Paris, que apesar de ter sido anexado à cidade há muito tempo atrás, o seu aparente isolamento deu grandes frutos na área da arquitecura... A impronunciável vila de Auteuil, no sul do 16º arrondissement, bem entalada entre o Sena e o imenso Bois de Boulogne, mereceu então uma grande visita, e que agora resulta num artigo dividido em 3 partes... Da 'última' ponte de Paris, Pont du Garigliano, fomos em direcção ao suposto centro de Auteuil, mas não sem antes atravessar o belo parque Saint-Perine, e passar por uma loja que nos chamou a atenção por razões patrióticas: Centre d'Azulejos Ceramis.

 

 

Chegados à praça com o nome da vila, foi então que reparámos que já aqui tínhamos estado, exactamente no nosso segundo dia em Paris, quando tentámos sem sucesso adquirir um quarto num dos prédios em redor da igreja neo-românica de Notre-Dame-d'Auteuil. Passeio envolto em nostalgia portanto, quando já contamos os dias para ir embora... Esta pequena praça é conhecida por um obelisco do século XVIII, e por uma outra igreja em estilo contemporâneo e com uma estrutura muito curiosa baseada em tijolo vermelho. Se não fosse a cruz nem nos apercebíamos que era uma igreja, muito menos a igreja predilecta da comunidade portuguesa e filipina, daí os cartazes com as celebrações a Nossa Senhora de Fátima...

 

 

Mas é nesta estranha igreja que começa a ode à arquitectura? Ainda não... Da praça, caminhámos pela rua d'Auteuil, onde as origens do antigo vilarejo que aqui existia se fazem sentir. A malha urbana é desorganizada, e os edifícios têm vários tamanhos e feitios. O maior símbolo desses tempos é a taberna L'Auberge du Mouton Blanc, hoje uma cervejaria histórica, conhecida por ter recebido com frequência o dramaturgo Molière e outros ilustres. O edifício mais marcante é porém a grande mansão branca onde chegaram a viver os presidentes americanos John Adams, pai e filho. Eis que chegámos a outra pequena praça, onde os feirantes já arrumavam os seus toldos. Da Place Jean Lourrain, encontrámos finalmente a famosa rua Jean de la Fontaine.

 

 

Esta rua e os seus arredores são um belíssimo mostruário de arquitectura contemporênea, que nos faz lamentar as vias serem tão estreitas que nos impedem de apreciar todos os pormenores das fachadas, já que o interior continua a ser bem privado. A rua Jean de la Fontaine é formada por uma sucessão de prédios imponentes desenhados com uma liberdade que torna este bairro único. Destaque para o nº 96 onde nasceu o escritor Marcel Proust, para os estúdios do arquitecto e decorador Henri Sauvage do nº 65, e para o magnífico nº 60 da autoria do mestre da Art Nouveau chamado Hector Guimard. Não é a sua única obra nesta rua, mas há que fazer referência à torre medieval e às varandas em ferro forjado...

 

 

publicado por Nuno às 18:25

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme
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