30 de Abril de 2012

Terceira e última parte do percurso por uma das zonas mais isoladas do centro de Paris, onde a criatividade na arquitectura explodiu com muito estilo, sobretudo nos inícios do século XX. Continuando pela rua de l'Assomption, chegamos a um cruzamento com a avenida principal do 16º arrondissement, a avenida Mozart, que tal como os outros eixos primários da cidade, possui imponentes prédios do século XIX dignos de observação, tamanho o trabalho decorativo das fachadas.

 

 

À medida que caminhamos em direcção a Oeste, ou por outras palavras, em direcção ao Bois de Bolougne, os grandes prédios vão sendo substítuidos por mansões, a maior parte do tempo em que Auteuil era um pacato subúrbio onde as famílias abastadas passavam os fins-de-semana e as férias, quando não existiam voos de Paris. Estas mansões combinam variados estilos arquitectónicos, marcando a diferença em relação a outros bairros de mansões como o Marais... Ainda na mesma rua de l 'Assomption, destaque para a pequena igreja neo-renascentista Notre-Dame de l'Assomption, exemplo pouco comum em Paris...

 

 

E eis que chegámos à zona mais internacionalmente famosa de Auteuil, o bairro que rodeia a rua du Docteur Blanche. Aqui podem-se observar o maior espólio da arquitectura Modernista Internacional pelas mãos de Robert Mallet-Stevens, nomeadamente na rua perpendicular com o nome do mesmo arquitecto francês. Aqui viveram muitos artistas, sobretudo arquitectos e designers importantes, por isso não admira que o bairro continue a ser muito exclusivo. Aliás, as antradas para estas mansões, às quais foram adicionadas mais pisos nos anos 60, estão servidas maioritariamente por ruas sem saída e sem passeios, mantendo-as quase privadas...

 

 

O apogeu deste estilo modernista encontra-se porém já no final da rua du Docteur Blanche, onde em mais uma recatada rua perpendicular se encontra a Villa Roche e a Villa Jeanneret, uma das grandes obras do fundador da arquitectura moderna Charles-Édouard Jeanneret, Le Corbusier para os amigos. Construídas nos anos 20, formam actualmente a fundação Le Corbusier, que infelizmente neste dia estava encerrada. Ainda assim custa acreditar que uma rua destas consiga abrigar tantos curiosos, ou até que seja encontrada, já que as Villas estão mesmo num beco sem saída... Mesmo fechada, pelas grandes janelas podia-se observar a inovadora estrutura interior funcionalista, rígida e fria, tão adorada pelos intelectuais...

 

 

Regressar à rua Henri Heine é regressar ao Auteuil dum estilo totalmente oposto, o da Art Nouveau. Hector Guimard mais uma vez a ter a autoria em alguns dos prédios que ladeiam esta rua, alguns em Art Nouveau, outros mais simples como o edifício com a fachada em tijolo e com um terraço na cobertura, que faz esquina com a rua Jasmin. Rua Jasmin, outra via com belíssimos exemplos de arquitectura, alguns também da autoria de Guimard, que faz questão de manter a sua assinatura na fachada.

 

 

No fim da Jasmin fica a estação de metro com o mesmo nome. Neste cruzamento com a Avenida Mozart, a via consegue ser francamente mais larga que as ruas anteriores, dando-nos a oportunidade de observar, literalmente de cima a baixo, o esplendor destes edifícios, incluindo pormenores como os altos relevos onde deuses e ninfas se escondem... Acaba assim uma viagem lowcost, qual Easyjet qual quê, por um autêntico museu ao ar livre...

 

publicado por Nuno às 15:43

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme

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