30 de Abril de 2012

Na colina Oeste junto ao fantástico Parc des Buttes-Chaumont, existe um bairro único na cidade. Aliás, mais do que um bairro, trata-se de um vilarejo, uma pequena aldeia bem concentrada no grande declive do 'Mont Chauve'. Este vilarejo, denominado Butte Bergeyre fica entre 2 avenidas onduladas, mas os seus acessos são minímos, mantendo um isolamento algo peculiar e o estatuto de 'aldeia dentro da cidade'. Precisamente, a forma como aqui entrámos foi por uma assustadora escadaria que atravessa uma muralha de prédios da Avenue Simon Bolivar.

 

 

Subir a escadaria pode ser cansativo, mas chegados cá acima e olhando para trás, a 'muralha' é substituída por vistas que confirmam a grande altitude em que nos situamos. À nossa frente está o grande motivo de vir aqui, um conjunto de pequenas casas que parecem competir pelo estatuto da mais encantadora e mais bizarra. A maior parte destas habitações data da década de 20, quando o histórico estádio Bergeyre, que chegou a receber partidas dos Jogos Olímpicos, aqui existia e foi demolido. Só o nome, de um jogador de Rugby falecido na primeira grande guerra, se manteve...

 

 

 

O guia que nos acompanha fala de um bairro 'provinciano', e concluímos também ser um bairro com excelentes e próximas relações de vizinhança, já que existe até uma associação de habitantes do Butte Bergeyre (ver site aqui), que entre várias responsabilidades, destaca-se a gestão do estacionamento numa zona com apenas 5 ruas estreitas em paralelo, ou a gestão de problemas arquitecturais. No final, a preservação da identidade do bairro será mesmo o mais importante.


 

A escolher uma imagem de marca do Butte Bergeyre, será sem dúvida as muitas casas cobertas de heras e trepadeiras. Além das casas, há que destacar os espaços verdes que existem junto à rua George Lardennois, quase todos constituem uma sucessão de vinhedos, que permitem vistas fantásticas de Montmartre e da Basílica de Sacré-Coeur. Existe também um pequeno jardim municipal gerido pela comunidade, onde hortas urbanas têm lugar, permitindo o regular convívio dos habitantes.

 

 

Todo este ambiente de pequena comunidade isolada, numa cidade com 2 milhões de habitantes, é bastante interessante e pode dar bons resultados. 'Sustentabilidade local' e 'Small is beautiful' são expressões da moda que me vêm a cabeça enquanto acabo de percorrer todas as 5 ruelas... Da rua Michel Tagrine, existe outra escadaria, quase toda coberta de heras, e que foi a nossa porta de saída do bairro. Cá em baixo os prédios voltam a fazer parte da paisagem, com destaque para o mal preservado nº 42 da Avenue Mathurin-Moreau, em estilo Art Déco...

 

 

Enquanto observávamos o nº 42, uma senhora confrontou-nos:

- Vivo com muitas dificuldades, e há muitos anos que moro aqui, custa-me a acreditar que este prédio a cair de velho está num guia turístico...

- Está mesmo, aqui...

Em Paris é assim, até uma casca de banana no chão se torna arte...

publicado por Nuno às 17:54

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme
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