20 de Junho de 2012

Segunda parte do percurso pelo grande bairro de Butte-aux-Cailles (ver primeira parte aqui). De La Petite Alsace fomos até à rua sem saída que se encontra mesmo em frente. O conjunto de casas que ladeiam esta estreita via, formam a Villa Daviel. A arquitectura de subúrbio destas vivendas são uma das imagens de marca de Butte-aux-Cailles, devido à identidade própria de cada fachada, mas sobretudo dos seus terraços ajardinados, como se de uma competição entre os moradores se tratasse. Ruas deste tipo podem ser vistas várias vezes pelo bairro...


 

Daqui passámos finalmente para a via mais importante de Butte-aux-Cailles, não só porque dá o nome ao bairro, mas porque é a mais central e liga 2 praças. Nesta rua há a destacar o restaurante mais famoso da zona, o Le Temps des Cerises, cuja gestão pertence a uma cooperativa com um historial de oposição política, mantendo o ambiente intelectual do espaço. Uma das praças é a Place de la Commune de Paris, local onde se deu uma sangrenta batalha em 1871, mas que hoje não é mais que uma pitoresca praceta triangular.


 

A outra praça é a Paul Verlaine, bem maior e o coração de Butte-aux-Cailles. Aqui salta logo à vista o grande edifício em Art Nouveau de 1924, que abriga um conjunto de 3 piscinas municipais! A praça é também conhecida pela fonte Albien, pelo facto de ser abastecida por um antigo poço com 580 metros de profundidade, representando um importante recurso gratuito para uma população que em tempos era muito pobre...

 

 

Da Paul Verlaine passámos para a Passage Vandrezanne, uma estreita rua calçada pedonal com antigos lampiões e coberta de vegetação. Ambiente rural que contrasta com as torres residenciais brancas que caracterizam a Avenue d'Italie, ali tão perto... É uma sensação estranha quando nos encontrámos nos limites de Butte-aux-Cailles, pela mistura arquitectónica que se equilibra nas ruas inclinadas, possibilitando fotos invulgarmente fantásticas. Vem à memória as paisagens-postais de São Francisco...


 

Atravessando a artéria principal denominada Rue de Tolbiac, chegámos ao extremo de ruralidade do bairro, a Square des Peupliers. Dentro de um quarteirão como todos os outros, existe uma pequena calçada em forma triangular e só acessível por um dos seus vértices. A vegetação que cobre esta rua é tanta, que mal conseguimos ver as pequenas casas que a única coisa que parecem querer é sossego, muito sossego...


 

Os lampiões antigos estão aqui, o pavimento calçado também, e o encanto de uma rua que deve conhecer o seu apogeu em manhãs cobertas de nevoeiro. A Square des Peupliers foi construída em 1926, e esta casas em tijolo cobertas de heras foram moda naquela época, mas o que mais admira, é o envelhecimento fantástico do local que em vez de deixar esta pequena vila em estado de degradação profunda, deu-lhe vida, valor e beleza...



publicado por Nuno às 00:01

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme
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