27 de Agosto de 2012

Montmartre é um mundo. Montmartre não é Paris, Montmartre é Montmartre, uma vila única que calhou de estar dentro dos limites da capital de França. Se fosse uma cidade isolada, Sacré Coeur seria o monumento principal, Place du Tertre a praça central, e a muralha andaria pela Boulevard de Clichy, Rochechouart, e Périphérique. Teria um cemitério e a economia principal seria a pintura. É por isto que depois de ter falado sobre esta zona mítica aqui, seguem-se agora não um, não dois, mas três artigos, que formam um percurso pelas ruelas da colina de Montmartre.

 


As primeira fotos são no entanto do quarteirão a sul da Boulevard Clichy. O percurso começa na Place Pigalle, uma das mais movimentadas da avenida, e segue pela rua Prochot. Neste bairro, há edifícios para todos os gostos, pois ficam numa zona entre a arquitectura autoritária parisiense, e o mundo sem regras de Montmartre. Já na esquina com a rua Victor Massé, existe um portão para uma rua privada ladeada por chalés do século XIX e muito arvoredo. É a misteriosa Avenue Frochot, uma via que não vem nos mapas, com um acesso super exlusivo, e que alimentou lendas urbanas durante décadas. Hoje cada casa vale 74% mais que o preço médio de uma habitação em Paris!




De notar também que no nº25 da rua Victor Massé, morou Van Gogh e o seu irmão em 1886. Mas era a Avenue Frochot que nos deixava mais curiosos, então ao procurar o outro extremo da rua para ver se lá conseguíamos entrar, reparámos que na Place Pigalle existe um pequeno muro coberto de anúncios: nada feito! Siga para a Boulevard de Rouchechouart. Esta é uma das avenidas que limita Montmartre. Esta sequência de boulevards é característica pelo seu largo separador central, onde cabem jardins, quiosques e wc's. Por entre as árvores podemos admirar porém algumas fachadas antigas, sobretudo de teatros. Antes do Moulin Rouge, era o Elysée Montmartre quem fazia as delícias do povo...



Nesta Boulevard, basta olhar pelas pequenas ruas transversais com direcção a Sacré Coeur para se perceber o movimento impressionante de pessoas que se amontoam, ou em lojas de lembranças turísticas ou para admirar as fachadas das lojas e bares peculiares do bairro. Acabámos por escolher a rua Steinkerque para aceder à praça Charles Dullin, onde fica o Théâtre de l'Atelier, um dos muitos que fazem de Montmartre o local mais artístico e boémio de Paris. Continuando em direcção a Oeste, vamos ter à segunda praça mais importante da colina. É na Place des Abesses que fica a mais famosa entrada de metro da autoria de Guimard, e que fica a original igreja St-Jean l'Évangéliste.



Com uma estação de metro em Art Nouveau, a igreja só podia ser em Art Nouveau, o que não é assim tão comum quanto parece. Foi a primeira ser construída em betão armado, e a decoração é toda ela baseada em azulejos coloridos que contrastam com o tijolo vermelho por que é conhecida. O betão armado permitiu que as estruturas interiores fossem finos arcos com motivos florais, assim como os vitrais. Igreja mais psicadélica que isto não há... Não muito longe daqui, na rua Yvonne-Le-Tac, fica uma capela também ela importante, pois foi construída para marcar o sítio onde Saint-Denis foi supostamente decapitado (para mais pormenores sobre a lenda, basta clicar neste artigo sobre a vila onde habitamos)



A Norte da Place des Abesses existe um jardim relativamente escondido com um interessante mural em azulejo. Aqui a expressão 'Amo-te' está escrita em todas as linguagens, segundo dizem. Se Paris é a cidade do amor não sei, mas Montmartre deve ter sido o sítio onde mais relações se fizeram... e desfizeram, ou não estive aqui tão perto o 'red light district' da cidade. É provável que este mural estivesse mais para ser chamado muro das lamentações. "Aimer c'est du desordre... alors aimons!" (o amor é a desordem ... então amemos!) Continuando a Oeste para a rua Ravignan, vamos dar a outra pequena praça, esta conhecida pelas suas perspectivas bem aproveitadas por esplanadas.



Da Place Émile Goudeau, podemos ter uma bela noção da arquitectura desnivelada a pitoresca da colina. A entrada do Le Bateu Lavoir fica nesta praça; trata-se dos estúdios de artistas mais importantes de Montmartre (onde residiu Picasso por exemplo). Inspiração não deve faltar, nesta praça tão panorâmica quanto cinematográfica.

"Estaremos afinal num simples cenário?"

"Como é que aquele candeeiro e aquele gato estão ali?"

"Já vi este postal em qualquer lado..."




Subindo a colina, aproximámo-nos do centro de Montmartre, com restaurantes e lojas de artes cada vez mais icónicas. A última foto é do Auberge de La Bonne Franquette, um dos mais antigos restaurantes da colina. Mas mais nos espera na segunda parte do percurso. À tout de suite...

publicado por Nuno às 23:28

Estudantes do Institut Français d'Urbanisme
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