12 de Novembro de 2009

Nem sei por onde começar, a falar desta questão! Mas vamos lá tentar...

Paris 8 e Marne-la-Vallée são o nome de duas universidades.



O nome completo da primeira é Paris 8 - Université de Vincennes-Saint-Denis (www.univ-paris8.fr/), e é onde nós estamos inscritos, onde fomos 'acolhidos' e onde temos tido o curso de francês. Chama-se assim porque a universidade foi fundada em 1968 (este ano não vos diz nada?) em Vincennes, a Este de Paris, mas em 1980 profundas reformas 'levaram-na' para Saint-Denis. Diz-se que Paris 8 era conhecida por acolher os estudantes radicais que participaram no Maio de 68 (lá está), instalando essa mesma filosofia radical durante os tempos seguintes. Tal resultou em grandes pressões políticas que a fizeram mudar de local. É apenas uma teoria à espera de confirmação. Hoje 24 000 estudantes, e professores de 'renome' fazem dela uma universidade conceituada.

Minha opinião: como só posso comparar com a Universidade Aveiro, em termos de infra-estruturas, acho a UA bem melhor, mais cuidada e mais moderna. No entanto há que perceber a diferença de idades de cada uma. De qualquer das formas Paris 8 tem-se remodelado como pode, com a construção recente de novos departamentos etc..

Em todos os dias que lá vou, há sempre algum grupo de pessoas na entrada a protestar e a destribuir panfletos políticos. Pelos vistos o espírito mantém-se...

Paris 8 fica numa das zonas industriais de Saint-Denis, havendo sempre muito movimento em redor. É como um segundo centro da cidade...


 

Mas onde é que entra a Universidade de Marne la Vallée?

Entra agora: tudo começou no primeiro dia da apresentação aos alunos estrangeiros, em que nos deram um pequeno livro com todas as informações sobre a Universidade de Paris 8, inclusive os cursos e os departamentos. Por curiosidade procurámos pelo curso de Urbanismo, e apercebemo-nos que o departamento respectivo não ficava na mesma área.

Passado uns dias, tentámos falar com a nossa coordenadora Erasmus de França que nos disse que as nossas aulas seriam no IFU (Institute Français de Urbanisme), localizado em Marne la Vallée. Mas onde ficaria isso?

Curiosamente, quando íamos de metro em direcção a Notre Dame na integração ERASMUS, conhecemos a Clara, a rapariga espanhola também de Urbanismo, que nos demonstrou uma certa preocupação dizendo que o IFU era muito, mas muito longe de Saint-Denis!

Bem, preocupados ficámos nós, visto que já tínhamos tudo planeado para ficar em Saint-Denis. Até que fomos tirar as dúvidas no Google Earth: o IFU fica quase à beira da Eurodisney, a uns 18 Km a Este do centro de Paris!

Como ainda tínhamos de tratar do plano de estudos, nada melhor do que ir lá, até para conhecermos o trajecto e o local. Uma hora depois de saírmos de Saint-Denis, e termos apanhado dois RERs (comboios-urbanos-pseudo-metros), chegámos finalmente a Noisy-Champs!



A paisagem era completamente estranha para nós. Numa imensa e verdejante planície, edifícios mais ou menos isolados (incluindo departamentos e residências), ligados por ruas e caminhos pedonais no meio de bosques (ver fotos em cima), constituem uma dispersa cidade universitária (Université de Marne-la-Vallée, www.univ-mlv.fr/). Nos inícios dos anos 90, a zona Este de Paris foi assolada por um rápido crescimento urbanístico nas margens do rio Marne, resultando na construção do complexo universitário Cité Descartes, na única grande zona verde existente, entre Noisy-le-Grand e Noisiel, os chamados 'campos de Noisy' (Noisy Champs). Destaque para o futurista departamento de engenharia (ver primeira foto em cima; a foto ao lado é do departamento central). E é neste mesmo complexo, que nada tem a ver com Paris 8, que se situa um branco e pequeno departamento chamado IFU (http://www.ifu.univ-paris8.fr/)...


 

1ª questão:

Porque raio um departamento da Universidade Paris 8 está no meio duma outra universidade?

- Pelos vistos um instituto de urbanismo já existia desde o tempo em que Paris 8 se localizava em Vincennes, não muito longe de Noisy-le-Grand. Uma profunda reforma mudou o IFU de local mas não de domínio. No entanto, precisamente este ano (mas é que tinha de ser mesmo este ano!) o IFU encontra-se em processo de transferência de administração, levando a possíveis complicações na nossa documentação Erasmus, que se encontra registada em Paris 8. Felizmente a coordenadora Erasmus do IFU disse-nos algo como há muito não ouvíamos (muito menos na UA): estejam descansados, que faremos tudo para resolver possíveis complicações! Muito bem, a isto chama-se competência...


2ª questão:

ìamos ter aulas em que universidade afinal?

- Administrações à parte, eu e a Vânia temos um plano de estudos (dum semestre) que consiste numa cadeira de Sociologia, e as restantes ligadas ao Urbanismo. Ou seja, teríamos apenas uma cadeira na localidade onde vivemos, e todas as outras a uma hora de viagem. Está certo...


Mas bem, as aulas só começariam no dia 5 de Outubro. Até lá, só voltámos ao IFU para ver os horários, já que o preço de cada viagem é bem caro, e nessa ocasião assistímos a uma praxe com uma cena algo estranha. Uma turma de rapazes todos pintados a virarem-se de costas para uma camionete cheia de raparigas, e é então que em fila todos baixam as calças, e mostram a elas o dito cujo! Só tive tempo de tapar os olhos à Vânia...


publicado por Nuno às 21:59

À medida que iam faltando menos dias para as aulas 'a doer' começarem, tínhamos cada vez mais certeza de que íriamos ficar definitivamente a morar em Saint-Denis, e o contrato com o 'Hôtel 5 Silences' começava a ganhar forma. Estava então na altura de ir ao CAF, associação de apoio financeiro ao alojamento. Poucos dias antes, quando fomos ao CROUS (associação de apoio universitário... Viva as associações em França!), tinham-nos informado que o CAF de Paris ficava na Cité Universitaire. Mal sabíamos nós que havia um CAF mesmo em Saint-Denis...


 

 

 

A Cité Universitaire (www.ciup.fr/) começou por ser uma fundação privada criada na década de 20, com a ideia de alojar todos os estudantes universitários estrangeiros. Hoje estão aqui alojados mais de 5000 estudantes, é onde se encontram os serviços da Universidade de Paris, e a fundação tornou-se uma referência inovadora e cultural. A ideia não deixa de ser simples: num enorme recinto, estão instalados diversos edifícios, cada um representando um país, um grande edifício central com serviços (como cantina, correios, CAF... que podemos ver nas fotos em cima), e entre eles um imenso parque verde com campos desportivos, ciclovias e etc... O mais interessante é que cada residencial tem a arquitectura típica do país que representa, pelo menos a ideia é essa. De qualquer das formas podemos ver edifícios de estilo mais antigo, ou mais moderno (como o caso do edifício que representa Portugal). Grandes arquitectos como Le Corbusier participaram nesta 'cidade dentro da cidade' de Paris. Eis os edifícios (com a ajuda da Wikipédia):

 

Fondation Rosa Abreu De Grancher (House of Cuba), designed by Albert Laprade Fondation rosa abreu de grancher.jpg
Residence André Honnorat Residence andre honnorat.jpg
Fondation Argentine Fondation argentine.jpg
Maison des Étudiants Arméniens Maison des etudiants armeniens.jpg
Maison des Arts et Métiers France Paris Cite Universitaire Maison AM 1 01.JPG
Maison de l'Asie du Sud-Est, designed by Pierre Martin and Maurice Vieu Mease ciup.jpg
Fondation Avicenne, former Pavillon de l'Iran, designed by Heydar Ghiai and Claude Parent France Paris Cite Universitaire Fondation Avicenne 01.JPG
Fondation Biermans-Lapôtre (étudiants belges et luxembourgeois), designed by Armand Guéritte France Paris Cite Universitaire Maison Belgique 01.JPG
Maison du Brésil designed by Le Corbusier and Lucio Costa Maison du bresil.jpg
Maison du Cambodge, designed by Alfred Audoul France Paris Cite Universitaire Maison Cambodge 01.JPG
Maison des Etudiants Canadiens, designed by Olivier Le Bras Maison des etudiants canadiens.jpg
Fondation Danoise, designed by Kaj Gottlob France Paris Cite Universitaire Maison Danemark 01.JPG
Fondation Emile et Louise Deutsch de la Meurthe, designed by Lucien Bechmann France Paris Cite Universitaire Fondation Deutsch de la Meurthe 01.JPG
Collège d'Espagne France Paris Cite Universitaire Maison Espagne 01.JPG
Fondation des États-Unis, designed by Pierre Leprince-Ringuet Fondation des etats unis.jpg
Collège Franco-Britannique, designed by Pierre Martin and Maurice Vieu France Paris Cite Universitaire Maison Grande Bretagne 01.JPG
Residence André de Gouveia (House of Portugal) Residence andre de gouveia.jpg
Fondation Haraucourt (Island of Bréhat) Fondation haraucourt.jpg
Maison Heinrich Heine (House of Germany) France Paris Cite Universitaire Maison Allemagne 01.JPG
Fondation Hellénique, designed by Nicolas Zahos Fondation hellenique.jpg
Maison de l'Inde Maison de l inde.jpg
Maison des Industries Agricoles et Alimentaires Maison des industries agricoles et alimentaires.jpg
Maison de l'Institut National Agronomique France Paris Cite Universitaire Maison Institut National Agronomique 01.JPG
Maison de l'Italie, designed by Piero Portaluppi Maison de l italie.jpg
Maison du Japon, designed by Pierre Sardou France Paris Cite Universitaire Maison Japon 01.JPG
Maison du Liban, designed by Jean Vernon and Bruno Philippe Maison du liban.jpg
Residence Lucien Paye, designed by Albert Laprade Residence lucien paye.jpg
Maison du Maroc Maison du maroc.jpg
Maison du Mexique France Paris Cite Universitaire Maison Mexique 01.JPG
Fondation de Monaco, designed by Julien Médecin Fondation de monaco.jpg
Collège Néerlandais designed by Willem Marinus Dudok College neerlandais.jpg
Maison de Norvège, designed by Reidar Lund Maison de norvege.jpg
Maison des Provinces de France, designed by Armand Guéritte Maison des provinces de france.jpg
Residence Robert Garric Residence robert garric.jpg
Maison de la Suède, designed by Peder Clason and Germain Debré France Paris Cite Universitaire Maison Suede 01.JPG
Pavillon Suisse designed by Le Corbusier Fondationsuisse ciup.jpg
Maison de la Tunisie, designed by Jean Sebag Maison de la tunisie.jpg
Fondation Victor Lyon

Fondation victor lyon.jpg

 

Sempre que íamos tratar dos assuntos ao CAF lá aproveitávamos para passear pelo meio da Cité, e admirar a arquitectura e o conforto de viver ali. Mas bem, ficarmos alojados na Casa de Portugal foi uma hipótese que se pôs mesmo antes de viajarmos, mas o preço não era lá muito bonito. Depois desta visita, percebe-se bem o porquê daquele preço.

 

 

 

 

Tal como acontecia nesses dias em que faltávamos ao curso de francês para tratar de assuntos como estes, o céu limpo e a curiosidade davam vontade de ir conhecer a cidade a pé. Saímos pelo belíssimo pórtico (ver fotos em cima), e fomos percorrendo a moderna Boulevard Jourdin, para conhecermos a zona Sul de Paris (14º arrondissement). Destaque para o remodelado estádio Charlety mesmo junto à Cité Universitaire, com capacidade para 20 000 pessoas, e pista de atletismo (ver última foto em cima, e em baixo claro está).

 

 

Só parámos na grande praça Denfert-Rochereau para apanharmos o metro. Aqui o moderno volta a dar lugar aos prédios históricos e típicos de Paris. Destaque para uma escultura na praça, com um grande leão representando a defesa nacional (ver foto em baixo).

 

 

 

publicado por Nuno às 14:21

Não era propriamente um curso de francês. Mas uma espécie de aulas que durante as duas semanas, em complemento com as visitas de 'estudo' que se realizavam à tarde, servia para nos integrarmos, quer na língua francesa, quer no ambiente universitário francês, quer na cultura francesa...

Tal como aconteceu com as visitas de 'estudo', também não fomos lá muito bons alunos no curso. Faltámos muitas vezes, mas por boas razões! (ou não...) Mas das poucas vezes que fomos, quer dizer, que pudémos ir, o curso revelou-se um autêntico divertimento, e um escape para a quantidade de assuntos stressantes que tínhamos de tratar nessa semana. Começando pelas aulas em si, havia um calendário, em que em cada dia haviam duas aulas, cada uma a tratar dum tema específico. Devido ao facto de sermos 160 alunos estrangeiros, fomos divididos em quatro grupos, e juntamente com 8 professores, funcionava através de turnos de hora e meia. Nas aulas que fomos tratou-se, entre outros temas, da história de Saint-Denis, das coisas que achávamos insólitas em Paris, da imprensa francesa (ver foto), dos mitos e símbolos da cidade, mas o destaque vai para as aulas de Michal Fulmanski. Este professor dava as aulas através de jogos didácticos, muitos deles aplicados nas escolas primárias francesas, resultando em espalhafatosas risadas. Ninguém fazia ideia qual era o tema das aulas dele, mas um desses jogos consistia por exemplo em cada um pegar num cartaz publicitário e construir uma história com seguimento nas dos colegas. Como ningém dali era um 'ás' no francês, construiu-se histórias completamente bizarras com o pouco vocabulário que sabíamos. Jogámos também a uma espécie de 'bola quente', a uma espécie de 'jogo das cadeiras', 'polícia e ladrão', mímica, enfim...

O método de todas as aulas, era tentar puxar pelo francês, em conversa entre professor e aluno, ou então fazer pequenos grupos para conversarmos entre nós. Numa dessas aulas, disse a minha primeira frase inteira em francês! (e sem ir ao dicionário!)

 

 

Além do conteúdo das aulas, o curso servia para conhecermos melhor o resto do pessoal, que começava a ser o habitual à medida que íamos às aulas. Numa dessas ocasiões fomos pela primeira vez almoçar à cantina da universidade, e com eles, soubémos de imensas coisas à cerca de cada um, recorrendo principalmente ao inglês. Nomeadamente, a cena do 'Couch Surfing' é mesmo verdade! A berlinense Catherine andava a viver em Paris através desse 'sistema', que em cada semana, fazia-a dormir num sofá duma casa já habitada, em troca de nada! Ah ah, planos para as próximas férias... E mais uma vez, as dificuldades para arranjar alojamento também estavam bem presentes, com algum do pessoal a invejar-nos... Que cena...

Mas esse almoço teria outra importância: fartos de mcdonalds, sandes ou saladas, comer na cantina serviria para comer finalmente algo quente e caseiro, ou então experimentarmos os costumes alimentares franceses. Primeiro, a cantina é um autêntico luxo, pelo menos para nós. Temos à disposição diversos pratos, e não temos de pagar 'extra' nenhum para a escolha! Por outro lado apercebémo-nos que o 'nosso' arroz é usado nas saladas, porque para pratos quentes eles têem o 'couscous' (penso que é assim que se escreve, mas pode-se ver na foto em baixo). De qualquer das formas, quando tivéssemos o nosso quarto definitivo, o arroz quentinho não vai poder faltar!!

 

publicado por Nuno às 12:33

11 de Novembro de 2009

O Axe Historique representado em duas ilustrações.

Provavelmente tudo começou da avenida des Champs Elysées, e com o tempo o mesmo eixo foi sendo prolongado a partir de determinados monumentos.

 

- Pirâmide do Louvre

- Arco du Carrousel

~ Jardins des Tulleries

- Obelisco de Luxor

~ Avenida des Champs Elysées

- Arco do Triunfo

~ Ponte de Neuilly

- Grande Arco de La Défense

 

 

 

Hoje o eixo tem quase 8 km, e pode aumentar, deitando o museu do Louvre abaixo o que acabaria por coincidir com a marginal direita do Sena mesmo no centro de Paris, ou então, esperar que haja mais 'alguma coisa' para lá do bairro de arranha-céus de La Défense, rompendo pelos subúrbios 'a dentro'! Ok, ambas as hipóteses são rídiculas, 8 km está muito bem assim...

publicado por Nuno às 00:35

10 de Novembro de 2009

A tarde de dia 23 de Setembro continuava. O sol parecia não se querer mostrar muito, ao contrário dos primeiros dias da nossa estadia. E a Vânia já se começava a enervar porque eu não largava a máquina fotográfica. Enquanto isso atravessávamos o Sena, em direcção ao 1º arrondissement, e em direcção a uma bela fachada, com três arcos que davam continuidade à Pont du Carrousel.

Depois de passarmos pelos arcos, percebemos que enorme e antigo edifício era aquele, o Museu do Louvre!

 

  

 

A pirâmide de vidro lá estava (e outras mais pequenas também), a fila de pessoas também lá estava, e uma simetria arquitectónica que arrepia também lá estava. Quer eu, quer a Vânia, pensávamos que a pirâmide era bem maior, como a víamos nos postais, mas vá... não deixa de ser grande.

Este monumento de vidro não é mais que a entrada principal para o museu, embora seja susceptível a interpretações curiosas, como alguns maus alunos de matemática adoradores do Satanás, que dizem que a pirâmide é constituída por 666 painéis de vidro. De qualquer das formas, esta foi uma das muitas obras encomendadas pelo antigo presidente François Miterrand para a cidade de Paris. Projectada pelo arquitecto I. M. Pei (reparem neste nome, tem 5 letras, ou seja o número anterior ao 6, que por sua vez é o primeiro algarismo do número 666, hum, curioso...), é descrita, como diz no livro Da Vinci Code, como uma "cicatriz na face de Paris". Não acho. Penso que a relação 'antigo-moderno' é muito bem conseguida. Mesmo assim, comparada com outras construções muito mais polémicas na cidade, os parisienses não se podem queixar (a torre de Montparnasse é um autêntico 'mamarracho')...

 

 

 

 

Finalmente o sol começava a espreitar nas nuvens, e enquanto isso olhávamos para Oeste. A visita ao gigantesco museu ficaria para depois. Acompanhados pela estátua de Luís XIV (o 'Rei-Sol', ou 'Rei-esbanjador-enquanto-os-pobres-passam-fome'), posicionámo-nos no 'Axe Historique' - eixo histórico, trocando por miúdos, é pensar num segmento de recta que começa na pirâmide do Louvre, passa pelo Arco du Carrousel, caminho central do jardim des Tuileries, praça de La Concorde, avenida des Champs Elysées, Arco do Triunfo, ponte de Neuilly, e acaba no recente Grande Arco de la Défense! quase 8 km, obra-prima de engenharia! E na altura nem havia Google Earth!

Mas bem, decidimos então caminhar pelo Eixo, e o próximo passo era o Arco do Triunfo du Carrousel. Não confundir com o Arco do Triunfo, que roubou protagonismo àquele que podemos ver nas fotos em baixo. O Arco du Carrousel apesar de bem mais pequeno, ganha em decoração. E é mais um dos monumentos que o Napoleão Bonaparte construiu para se armar em imperador romano! Enfim...

 

  

 

 

Depois de passarmos o 'pequeno' Arco, deparamo-nos com um imenso, monumental e líndissimo parque... O Jardim des Tulleries (penso que se traduz para 'Tulherias', de qualquer das formas havia antigamente no local uma fábrica de telhas, daí o nome), servia inicialmente para adornar um importante palácio, com o mesmo nome, que lá existiu, mas que acabou incendiado e depois demolido.

O Jardim é embelezado por dois grandes lagos geometricamente limitados (um circular, outro octogonal), pelos arvoredos também geometricamente dispostos, e pelas antigas esculturas (estátuas, vasos, etc...), que acompanhavam uma exposição temporária duns bonecos representando vários estados de espírito.

Tudo muito bem cuidado, tratado e conservado. Requinte por todo o lado, e as cadeiras de metal verdes também lá estavam, fazendo com que as pessoas se sentassem em torno dos lagos a apanharem sol (sim, simplesmente a apanharem sol), que naquele altura já era bem vísivel. Não apetecia sair dali, mas queríamos ver o que vinha a seguir, e saber onde acabaria a monumentalidade!

 

 

 

 

 

Mas incrivelmente, a monumentalidade não acabaria ali. O Jardim das Tulherias acaba com uma espécie de enorme terraço de cada lado do corredor central, virado para a Place de La Concorde. Pois, a seguir ao Jardim, e seguindo o Axe Historique, uma praça gigante (segunda maior de França), que parecia uma espécie de rotunda, com os automóveis a circularem sem ordem aparente, demonstra uma importância histórica marcada pelo Obelisco egípcio de Luxor, pelo requinte real do mobiliário urbano, e pelos edifícios em redor. Na verdade o obelisco egípcio de Luxor, é mesmo, mas mesmo egípcio, isto é, há 3300 anos atrás, estava até no templo egípcio de Luxor, e passado 2100 anos acontece o seguinte: Cairo oferece à França um pac de 2 obeliscos, embrulhados e tudo, mas como cheio de boas intenções está o mundo cheio (como diz o outro...), ambos os países não sabiam como os transportar dum local para o outro. Resultado, um obelisco chegou a Paris mas o outro não; o curioso é que só em 1990 François Miterrand (quem mais poderia ser?) se apercebeu da oferta rídicula do Egipto (um obelisco sem o manual de instruções de transporte!) e disse-lhes: - Fiquem lá com o segundo obelisco, não queremos uma coisa que não podemos usar! 

 

 

 

Do 'terraço' das Tulherias contemplámos a Place de La Concorde, a paisagem e o pôr-de-sol que faziam sobressair uma Torre Eiffel que parecia estar em todo o lado.

A tarde acabava ali, e nem a meio do Axe Historique tínhamos chegado. Mas deu para conhecer uma cidade bem antiga, num percurso que começou nos Jardins du Luxembourg.

 

    

publicado por Nuno às 19:48

08 de Novembro de 2009

Quarta-feira, dia 23 de Setembro, mais uma vez faltámos ao curso de francês, mas por boas razões. Íamos ao CROUS, mais ou menos onde o 5º, o 6º e o 14º arrondissement se encontram. É uma espécie de agência de apoio universitário, e fomos lá para pedir informações de como procurar alojamento para estudantes, tínhamos uma semana para fazer contrato com o 'hotel' em que estávamos e teríamos de nos despachar se queríamos outra coisa. Já tínhamos ido na segunda-feira e estava fechado, mas nada que uma consulta prévia dos horários não tivesse resolvido...

Neste dia fomos logo atendidos, (ai que saudades das longas filas nos serviços portugueses!), e tróuxemos do CROUS um dossier com montes de panfletos e contactos. Mas por outro lado, a senhora que nos atendeu aconselhou:

- Têem muita sorte em já terem encontrado um quarto, aproveitem, porque não vos aconselho a tentar alojamento noutro sítio, é muito díficil!

Bah... Saímos dali pensativos...

 

Como ainda era cedo deixámos Porte Royal, e começamos a descer a avenida pelo 6º arrondissement, mas sem contarmos deparámo-nos com um comprido parque na placa central da mesma. Estávamos no Jardin du Luxembourg...

 

 

 

 

 

Mais à frente, o Palácio de Luxembourg mostrava a sua imponência. Construído no séc. XVII pela mãe do rei Luís XIII. 'Construído' salvo seja, em época de imponência exagerada, quem tinha poder mandava construir e pronto, os empregados nem reclamavam. Hoje Paris é lindíssimo muito devido a essa atitude dos poderosos que ao longo da história construíam palácios porque estavam cansados de viver noutros. E o povo morria à fome... Pelo menos, actualmente muitos dos palácios e jardins de Paris estão abertos ao povo. Os jardins do Luxembourg são um bom exemplo de beleza aliada ao lazer público. Os lagos servem hoje para as crianças fazerem corridas de barcos de brincar; no meio do 'bosque' existem campos de ténis, mesas com regulares campeonatos de xadrez, e por todo o parque existem cadeiras de metal verdes que uma pessoa pode pegar e pôr onde quiser (penso que convém mantê-las dentro do parque...). Tudo tão bonito e bem cuidado. Dava vontade de explorar ao pormenor o enorme parque que rodeava o palácio.

 

    

 

Entusiasmados com os jardins do Luxembourg, contínuamos a caminhada em direcção ao rio Sena. Apetecia-nos conhecer tudo naquela tarde. Páramos para admirar uma igreja, não muito grande, pelo menos em relação à maior parte das igrejas de Paris, mas com uma arquitectura interessante, entrámos, e a Vânia acendeu uma vela, para ver se dali para a frente tudo nos correria pelo melhor. A igreja chama-se Saint-Germain-des-Prés, o mesmo nome do bairro em redor, que conservou a arquitectura do séc. XVII. Uma vila que em tempos reunia os intelectuais de Paris, mas que hoje é apenas mais um 'quartier' de gente rica...

 

 

 

 

Sabíamos que o rio Sena estava próximo, e lá fomos nós, sem olhar sequer para o mapa. Pelo caminho encontrámos a escola de Belas Artes de Paris (em baixo à esquerda), um imponente edifício de finais do século XIX, mas com imitações renascentistas no estilo arquitectónico que não podiam passar despercebidas. Nesta escola estudaram muitos artistas portugueses conhecidos como o meu conterrâneo José Marques da Silva (que construiu a estação de S. Bento e o Teatro Nacional S. João).

 

 

 

Chegámos à belíssima marginal do rio Sena (aqui não gostam que lhe chamem 'rio', é tão importante que lhe chamam simplesmente O Sena, La Seine). Do outro lado avistávamos um edifício que parecia não ter fim. Um edifício antigo, que ocupava uns 700 metros na marginal. A tarde ainda era uma criança...

Procurámos uma travessia, à direita a Pont des Artes com a Ile de la Cité faziam um belo cenário, mas um cenário distante; à esquerda tínhamos a Pont du Carrousel que se dirigia precisamente para a fachada do enorme edifício histórico, vamos lá matar a curiosidade...

 

  

publicado por Nuno às 12:18

07 de Novembro de 2009

Depois duma noite num quarto individual no 'Hôtel 5 Silences', altura do dono da residencial nos propôr um quarto definitivo para 4 meses. Quarto havia, mas só dali a 4 dias, pelo menos foi o que o 'monsieur' tinha dito na terça-feira. Até lá, a solução foi ficar num outro quarto, desta vez não individual, mas sim... familiar! Exactamente, íriamos ficar as próximas noites num estúdio de duas divisões, com duas camas, micro-ondas, e tudo pelo preço dum quarto duplo. Mas o mais interessante no quarto, era ser no sótão do edifício, com pequenas janelinhas no telhado, onde tínhamos uma vista interessante sobre os edifícios dos arredores, mas não só, dali até conseguíamos ver a igreja do Sacré Coeur de Paris!

 

 

 

Ainda não era desta que íamos ter o nosso quarto definitivo, o nosso cantinho...Mas já nos começávamos a habituar a ser 'nómadas'. Mais uma vez não desfazíamos as malas, e mais uma vez a nossa alimentação baseava-se em sandes ou saladas, mas agora com a vantagem de ter micro-ondas para aquecer a enorme variedade de refeições pré-cozinhadas do Carrefour (a 10 minutos do Hôtel)! Mas eram só mais 4 dias, seriam mesmo?

Até lá, o monsieur do hotel dava-nos uma semana antes de fazer um contrato de 4 meses para que pudéssemos continuar a procurar outro alojamento. Começámos a pesquisar em jornais gratuitos, que existem aos pontapés em Paris. Mas as respostas às nossas chamadas continuavam a ser as mesmas...

 

 

As pequenas janelas no telhado do quarto ficavam sempre abertas... À noite adormecíamos a ver a lua e as estrelas, e de manhã acordávamos tranquilamente com o nevoeiro...

 

  

 

Todos os dias descíamos e subíamos aquelas difíceis escadas dos 6 pisos! E mais do que uma vez fizémo-lo com malas. Isto porque depois dos quatros dias, resolvemos descer até à recepção para pedir a chave, mas o monsieur do hotel disse para esperarmos mais dois dias... Isto voltou a acontecer passado os dois dias, e voltou a acontecer depois e depois...

Duas semanas a acostumar-nos a um quarto que apesar de cheirar mal, era o nosso conforto, tinha vista para Paris, um micro-ondas, e que nos fez faltar muitas vezes ao curso de francês, para ficarmos a ver o sol espreitar entre o nevoeiro pelas janelinhas no telhado.

 

Dia 30 de Setembro, o monsieur farto da nossa insistência, lá disse para nos despedirmos do quarto 38. Seria desta que iríamos ter o nosso quarto definitivo? Tudo indica que sim...

publicado por Nuno às 12:20

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